Governo federal avalia envio de equipes e aeronaves para reforçar combate a incêndios no Amazonas

O governo federal avalia o envio de novas equipes e aeronaves para reforçar o combate aos incêndios no Amazonas. Em nota enviada ao Amazônia Plural, nesta sexta-feira, 25, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou que a solicitação apresentada pelo governo estadual, na quinta-feira, 24, foi encaminhada a órgãos federais responsáveis por definir o apoio operacional, principalmente em áreas de difícil acesso.

O pedido do Amazonas envolve ações em Novo Aripuanã, Careiro da Várzea, Autazes, Manaquiri, Urucurituba, Apuí, Manicoré, Manacapuru e Caapiranga. A demanda chegou à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que avalia o envio de equipes pelo Projeto Respad.

O Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), por sua vez, analisa a disponibilização de aeronaves por meio do Projeto Pegasus para atuação em áreas de difícil acesso. Até o momento, porém, o MMA não confirmou o envio dos reforços nem informou quantas equipes ou aeronaves poderão ser disponibilizadas.

Leia também: Ministério do Meio Ambiente atribui avanço das queimadas no Amazonas ao El Niño e diz que fumaça em Manaus vem de municípios vizinhos

O Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman), coordenado pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) e por meio do qual a solicitação foi formalizada na quarta-feira (23), também orientou o Amazonas sobre os procedimentos necessários para o reconhecimento de situação de emergência. Segundo o ministério, a medida pode agilizar o acesso aos mecanismos federais de resposta.

Amazonas tem 208 brigadistas federais

A nota também detalha a estrutura federal que já atua no combate aos incêndios no estado. São 208 brigadistas vinculados ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O Ibama mantém 162 brigadistas em Terras Indígenas e Projetos de Assentamento considerados prioritários. O ICMBio conta com outros 46 profissionais nas Unidades de Conservação federais.

No sul do Amazonas, uma operação específica recebeu reforço de equipamentos, veículos e equipes, de acordo com o ministério. Nacionalmente, a estrutura federal disponível em 2026 reúne 4.410 brigadistas, 19 helicópteros e 18 aviões destinados ao lançamento de água. A nota não especifica quantas dessas aeronaves estão atualmente empregadas no Amazonas.

Estado recebeu R$ 45 milhões do Fundo Amazônia

O MMA informou ainda que o Amazonas recebeu R$ 45 milhões do Fundo Amazônia para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros no enfrentamento aos incêndios. O recurso faz parte de R$ 521 milhões descentralizados para os Corpos de Bombeiros de estados da Amazônia Legal, Cerrado e Pantanal.

Outros quase R$ 30 milhões foram destinados diretamente a municípios da Amazônia e do Pantanal. No Amazonas, Apuí, Manicoré e Lábrea estão entre os contemplados. O ministério não informou na nota quanto foi destinado individualmente a cada uma dessas cidades.

Fumaça levou qualidade do ar a níveis críticos

O detalhamento das medidas federais ocorre após Manaus enfrentar uma sequência de dias encoberta por fumaça, em meio à intensificação das queimadas no Amazonas. Na quinta-feira (24), quatro pontos monitorados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), chegaram à classificação “péssima” para a qualidade do ar, com concentração de material particulado fino (PM2,5) alcançando 186,9 microgramas por metro cúbico em uma das estações.

A situação melhorou após a chuva entre a noite de quinta-feira e a madrugada desta sexta-feira (25), que reduziu a concentração de partículas e abafou parcialmente a camada de fumaça sobre Manaus.

Em manifestação anterior, o próprio MMA informou que os dados disponíveis apontavam que a fumaça que chegava à capital vinha predominantemente de focos localizados em municípios vizinhos, ao sul e sudeste de Manaus. A pasta ressaltou que a determinação exata da origem depende da integração de monitoramento atmosférico, informações meteorológicas e modelos de transporte de poluentes.

Na nova nota, o MMA também informou que trabalha com o Ministério da Saúde em uma proposta de resolução voltada aos chamados Episódios Críticos de Poluição do Ar. A proposta tramita no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e, segundo a pasta, pretende ampliar a capacidade de estados e do Distrito Federal de agir diante de situações excepcionais de degradação da qualidade do ar, incluindo episódios provocados por queimadas e incêndios florestais.

O ministério voltou ainda a recomendar que não seja utilizado fogo durante o período seco. No Amazonas, o Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, proíbe o uso do fogo em todo o estado por 120 dias, inclusive em técnicas de queima controlada.

Segundo o MMA, o uso do fogo sem autorização ou em desacordo com a legislação pode configurar crime e resultar em sanções. A pasta afirmou que continuará acompanhando os incêndios no Amazonas e encaminhando as demandas do estado aos órgãos federais responsáveis por cada frente de atuação.

Foto: Caio Mota / Projeta

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