Depois de 12 dias de forte fumaça, Manaus amanheceu nesta terça-feira (20) com uma melhora significativa da qualidade do ar e uma redução visível da névoa que encobriu a cidade durante a crise de incêndios florestais no Amazonas, um dos principais estados da Amazônia Legal. A mudança ocorre após a chuva registrada na segunda-feira (19) e em meio à intensificação da força-tarefa dos governos federal e estadual para combater o fogo.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostravam, às 5h59, que a maior parte das estações exibidas no mapa da capital estava na faixa “moderada” de concentração de material particulado fino (PM2,5).
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Nos pontos monitorados mostrados pelo sistema, predominavam índices entre 27,9 e 39,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Entre as leituras estavam 27,9; 31,8; 33,2; 34,3; 36,3; 36,4; 36,6; 36,8; 37,6; 37,8 e 39,3 µg/m³. No ápice da crise, este índice ultrapassou as 500 microgramas em alguns pontos da cidade.
Pela escala apresentada pelo Selva, concentrações de até 25 µg/m³ são classificadas como “boas”, enquanto valores de 25 a 50 µg/m³ estão na categoria “moderada”. O cenário desta terça representa uma mudança expressiva em relação aos últimos dias, quando diferentes pontos de Manaus registraram níveis classificados como ruins, muito ruins e até péssimos.
A melhora, entretanto, ainda não é uniforme. Uma estação na região sul da capital registrava 116,3 µg/m³ às 5h59, índice enquadrado na faixa “muito ruim”.
Fumaça perde força, mas ainda não desapareceu
A mudança também é perceptível no céu de Manaus. A espessa camada de fumaça que durante quase duas semanas reduziu a visibilidade e deixou a paisagem da capital esbranquiçada dissipou-se significativamente nesta terça-feira, embora ainda permaneça presente em menor intensidade.
O Governo Federal reforçou a estrutura aérea empregada na crise, elevando de 11 para 16 o número de aeronaves disponibilizadas para as operações no Amazonas. Aviões de grande porte, Air Tractor e helicópteros integram a estrutura utilizada no combate ao fogo e no apoio às equipes em campo.
Apesar da redução da fumaça na capital, os incêndios continuam sendo um desafio no estado. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 1.921 focos de queimadas em outubro até segunda-feira (19).
Força Nacional do SUS chega nesta terça
A resposta à crise também avança para a área da saúde. A Força Nacional do SUS chega a Manaus nesta terça-feira para reforçar o atendimento e o acompanhamento dos impactos provocados pela exposição da população à fumaça dos incêndios.
A instalação da estrutura foi anunciada pelo Governo Federal como parte das medidas adotadas diante da deterioração da qualidade do ar. O reforço busca ampliar a capacidade de resposta do sistema público de saúde para casos relacionados à crise ambiental.
A preocupação aumentou durante os dias mais críticos, quando Manaus e municípios do interior registraram concentrações extremamente elevadas de PM2,5. Essas partículas são suficientemente pequenas para penetrar profundamente no sistema respiratório e representam risco principalmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Governo Federal instala comando conjunto em Manaus
A mobilização federal ganhou uma nova estrutura após a visita de uma comitiva de ministros ao Amazonas. O Ministério da Defesa instalou em Manaus um Estado-Maior Conjunto para centralizar as decisões relacionadas à operação e reduzir o tempo necessário para mobilizar pessoal, aeronaves e equipamentos.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que o comando terá ligação direta com a pasta para acelerar as providências e reduzir a burocracia. Segundo as informações apresentadas durante a visita da comitiva, cerca de 5 mil homens estão envolvidos nas operações na região.
O Ministério do Meio Ambiente também participa da coordenação. O ministro João Paulo Capobianco afirmou que fatores meteorológicos vinham transportando fumaça de diferentes regiões para Manaus e classificou o cenário como uma questão de saúde pública. A prioridade anunciada foi intensificar o combate aos incêndios mais próximos da capital para reduzir a concentração de fumaça.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional participa das ações por meio da Defesa Civil Nacional, enquanto o Ministério da Justiça e Segurança Pública reforçou a atuação das forças federais. Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal integram a mobilização, ao lado das forças de segurança estaduais, tanto no apoio às operações quanto na apuração da origem dos incêndios.
Já o Governo do Amazonas intensificou suas ações, envolvendo órgãos como o Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Polícias Militar e Civil, entre outros, atuando em conjunto com a esfera federal e municípios no combate às chamas.
Paralelamente ao combate às chamas, as forças de segurança do Estado intensificaram as ações relacionadas a possíveis incêndios criminosos. Pelo menos 15 pessoas foram presas na última semana: 11 em Autazes, um dos municípios mais atingidos pela crise, e outras quatro em Manacapuru.
Também foram lavrados cerca de 126 termos circunstanciados, segundo informações apresentadas durante a visita da comitiva federal ao Amazonas.






