Governo Federal cria comando conjunto em Manaus para acelerar combate aos incêndios e à fumaça

O Governo Federal criou em Manaus (AM) um Estado-Maior Conjunto para centralizar e acelerar as operações de combate aos incêndios florestais que mantêm a capital amazonense e municípios do interior sob uma densa camada de fumaça. A medida foi anunciada após uma comitiva federal desembarcar no Amazonas, no domingo, 18,  diante do agravamento da crise ambiental.

A missão reuniu representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Defesa, Justiça e Integração e Desenvolvimento Regional, além do presidente do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). Esta foi a segunda comitiva federal enviada a Manaus em menos de dez dias para acompanhar a emergência provocada pelos incêndios e pela deterioração da qualidade do ar.

Leia também: Incêndios no AM: 11 pessoas são presas e governador Roberto Cidade determina rigor contra crimes ambientais

Nesta segunda-feira (19), Manaus continua encoberta pela fumaça e os índices de qualidade do ar continuavam ruins. Dados do IQAir colocam o Amazonas com o pior índice de qualidade do ar do Brasil.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que 8.177 focos de queimadas foram registrados no Amazonas em 2026, 111% a mais que no ano anterior. No bioma Amazônia, mais de 40,6 mil focos foram registrados de 1 de janeiro até 18 de outubro, um avanço de 62% no comparativo com 2025.

Comando em Manaus para reduzir tempo de resposta

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que a instalação do Estado-Maior Conjunto permitirá que decisões operacionais sejam tomadas diretamente no Amazonas, reduzindo o tempo entre a identificação das necessidades e a mobilização dos recursos.

“A coisa mais importante que nós fizemos hoje foi a criação do Estado-Maior Conjunto, aqui já hoje operando de Manaus. Isso vai facilitar com que haja uma maior celeridade nas operações, um maior dinamismo”, afirmou.

Segundo Múcio, a estrutura terá comunicação direta com o Ministério da Defesa para reduzir entraves burocráticos.

“Tudo será resolvido aqui de forma direta com o gabinete da Defesa, de maneira que diminuímos a burocracia, diminuímos a demora de tomar as providências. E a partir de hoje nós estamos diariamente, diuturnamente, aqui ao lado de vocês”, declarou.

Cinco novas aeronaves também devem ser incorporadas à operação. A estrutura já conta com dois aviões de grande porte e helicópteros preparados para lançamento de água. Cerca de 5 mil homens estão envolvidos nas ações de combate aos incêndios na região.

Fumaça virou questão de saúde pública, diz ministro

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que condições meteorológicas estão transportando para Manaus fumaça produzida em diferentes regiões. Segundo ele, o cenário transformou o problema ambiental também em uma questão de saúde pública.

“Infelizmente, por fatores meteorológicos, as correntes estão trazendo fumaça de várias regiões para Manaus. Então isso enseja uma questão de saúde pública, porque nós temos que, o mais rápido possível, reduzir a concentração de fumaça”, afirmou.

A estratégia definida pelo Governo Federal dará prioridade ao combate aos incêndios mais próximos de Manaus, numa tentativa de reduzir mais rapidamente a concentração de poluentes sobre a capital.

“Com os equipamentos, as novas tecnologias, o reforço das Forças Armadas, nós vamos conseguir acelerar o processo que já vinha dando resultados”, disse Capobianco.

A comitiva informou ainda que ações de combate também estão sendo realizadas no Pará. Parte da fumaça que chega ao Amazonas é transportada pelos ventos de áreas atingidas por incêndios em outros estados, entre eles o Pará.

Força Nacional do SUS terá base em Manaus

Uma base da Força Nacional do SUS será instalada na próxima terça-feira (20) em Manaus para reforçar o monitoramento dos possíveis impactos da fumaça sobre a população e acompanhar a situação da rede pública.

Prisões 

Além do combate direto ao fogo, as forças de segurança intensificaram a atuação para investigar incêndios que podem ter origem criminosa.

Pelo menos 15 pessoas foram presas na última semana. Onze prisões ocorreram no sábado em Autazes, um dos municípios mais atingidos pelos incêndios, e outras quatro em Manacapuru.

Também foram lavrados cerca de 126 termos circunstanciados relacionados a ocorrências de menor potencial ofensivo.

Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e Polícia Militar participam das ações, tanto no apoio ao enfrentamento dos incêndios quanto nas investigações sobre possíveis crimes relacionados ao fogo.

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