Focos de queimadas apresentam redução de 90% após reforço no combate aos incêndios florestais no AM

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O Amazonas contabilizou 26 novos focos de queimada, entre os dias 18 e 20 de outubro, 90% menos que nos três dias anteriores, apontam dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A redução ocorreu após reforço no combate aos incêndios florestais a partir de uma força-tarefa composta por representantes de vários ministérios, entre eles o da Defesa, Meio Ambiente e da Saúde. Dezesseis aeronaves foram deslocadas ao Estado pelo governo federal, além de outras tecnologias que, associadas à chuva registrada ainda de forma sutil na capital e em alguns municípios do interior, ajudaram a combater as chamas e a dissipar a fumaça densa que encobria as cidades. Apesar de um cenário mais favorável, ainda é possível notar acúmulo de fumaça sobre a capital.

Leia também: Governo Federal cria comando conjunto em Manaus para acelerar combate aos incêndios e à fumaça

A crise ambiental continua demandando esforços das três esferas. Cerca de cinco mil homens atuam na região e 15 pessoas haviam sido presas até o dia 20 no interior, suspeitas de praticar incêndios criminosos. No Estado, órgãos como o Corpo de Bombeiros Militar 9CBM-AM), Defesa Civil e Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) estão empenhados em potencializar o combate às chamas e promover o acompanhamento das regiões mais afetadas.

O período de vazante na região Amazônica também é um ponto que tem merecido a atenção das autoridades. Pelo menos 100 mil famílias foram afetadas pela descida das águas e 41 municípios decretaram situação de emergência.

Iranduba registra poluição 2,700% acima do índice considerado bom

Enquanto Manaus começa a registrar melhora na qualidade do ar após dias de forte fumaça, municípios da Região Metropolitana continuam enfrentando níveis extremos de poluição. Na manhã desta quarta-feira (21), uma estação do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Iranduba, registrou concentração de 716,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (MP2,5).

O valor é quase 29 vezes o limite superior da faixa que o próprio Selva classifica como de qualidade do ar “boa”, de até 25 µg/m³. Em termos percentuais, a concentração registrada em Iranduba estava 2.765% acima desse patamar.

A leitura também supera em mais de quatro vezes os 160 µg/m³, ponto máximo da escala gráfica exibida pelo sistema para a categoria “péssima”. Outro ponto da Região Metropolitana também apresentava concentração elevada de partículas finas. Em Manacapuru, uma estação marcava 174,7 µg/m³ de MP2,5, segundo o mapa do Selva.

O valor equivale a quase sete vezes o teto da faixa considerada boa pelo sistema e está aproximadamente 599% acima dos 25 µg/m³.

A situação de Iranduba chama ainda mais atenção pela dimensão da leitura. Os 716,2 µg/m³ registrados na estação superam inclusive os maiores valores observados em Manaus durante o auge recente da crise de fumaça. No sábado (17), por exemplo, um dos pontos monitorados na capital chegou a 441,4 µg/m³.

Partículas finas representam risco à saúde

O MP2,5 é especialmente preocupante porque reúne partículas muito pequenas presentes na poluição e na fumaça das queimadas. Por causa do tamanho reduzido, elas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório.

O Ministério do Meio Ambiente, com base no monitoramento realizado em parceria com a Fiocruz, alerta que a exposição ao MP2,5 está associada a efeitos adversos à saúde e exige atenção especial para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

Com concentrações tão elevadas, a recomendação é reduzir a exposição à fumaça, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, e acompanhar as orientações dos órgãos de saúde.

Manaus começa a respirar melhor

O cenário observado em Manaus nesta quarta-feira é bastante diferente. O mapa do Selva mostra a maior parte das estações da capital na faixa “moderada”, com concentrações entre aproximadamente 32 e 45 µg/m³. Entre os valores registrados estavam 32,2; 34,8; 36; 38,8; 39,2; 39,3; 39,8; 41,8; 42,5; 43,2 e 44,7 µg/m³.

Uma estação na Zona Norte apresentava situação ainda melhor: 17,8 µg/m³. Por estar abaixo de 25 µg/m³, o ponto aparece na categoria “boa” do Selva.

A mudança é significativa quando comparada ao fim de semana. No sábado (17), estações de Manaus chegaram a registrar concentrações superiores a 400 µg/m³. Na segunda-feira (19), vários pontos ainda estavam na categoria “ruim”. Agora, a maior parte das leituras exibidas no mapa está na faixa moderada, e pelo menos uma já alcançou a classificação boa.

Levantamentos feitos nesta quarta-feira também confirmam a tendência de melhora na capital, embora os valores oscilem ao longo do dia e entre diferentes estações.

Foto: Ibama – divulgação

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