O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se declarou, nesta quarta-feira (28), o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, três dias depois de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial por mais de quatro milhões de votos. Em uma carta divulgada após chegar aos Estados Unidos, o candidato derrotado afirmou, sem apresentar provas, que houve fraude na votação e anunciou que pretende liderar do exterior a oposição ao próximo governo. O discurso de fraude está alinhado a insinuações feitas após o pleito pelo presidente americano, Donald Trump.
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A declaração contraria o resultado reconhecido pela Justiça Eleitoral. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, confirmou na noite de domingo (25) a reeleição de Lula para o mandato de 2027 a 2030 e comunicou oficialmente o resultado aos dois candidatos.
Na totalização divulgada pela Justiça Eleitoral, Lula terminou o segundo turno com cerca de 64,25 milhões de votos, correspondentes a 51,78% dos votos válidos. Flávio recebeu aproximadamente 59,82 milhões, ou 48,22%.
A carta foi divulgada por Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro que vive nos Estados Unidos. Logo no início do documento, Flávio se apresenta ao Brasil e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito”.
O senador sustenta ocorreu fraude no segundo turno e questiona o crescimento da votação de Lula entre as duas etapas da eleição. Também critica a decisão que prorrogou o horário de votação no dia 25 a pedido das campanhas dele e de Lula e acusa autoridades brasileiras de terem interferido na disputa.
As alegações apresentadas na carta não vêm acompanhadas de provas capazes de demonstrar fraude na totalização dos votos ou alterar o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
No primeiro turno, Flávio havia terminado na frente, com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53.876.617, ou 45,16%, segundo o TSE. No segundo, Lula virou a disputa e foi reeleito.
Carta é divulgada após chegada aos Estados Unidos
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Flávio chegou aos Estados Unidos com a família. Na carta, ele nega ter fugido do Brasil e afirma que decidiu deixar o país por considerar que poderia ser alvo de perseguição política. O senador agradece ao presidente argentino, Javier Milei, e ao presidente americano, Donald Trump, pelo apoio recebido.
Flávio também faz críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afirma que não existe mandado de prisão contra ele.
Ao justificar a decisão de permanecer fora do Brasil, o senador faz comparações de sua situação com personagens históricos e políticos que atuaram no exílio. Entre os nomes citados estão Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além dos venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
Além de rejeitar o resultado eleitoral, Flávio sinalizou na carta como pretende atuar politicamente a partir dos Estados Unidos. O senador afirmou que liderará a oposição do exterior e dirigiu uma mensagem a senadores, deputados e governadores aliados. Também citou nominalmente Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado.
Flávio disse ainda que pretende fazer pronunciamentos frequentes ao Brasil e apresentar nos próximos dias uma estratégia para mobilizar seus apoiadores.
A autodeclaração de Flávio como presidente eleito não altera o resultado da eleição. A Justiça Eleitoral reconheceu a vitória de Lula no segundo turno, e o presidente do TSE confirmou oficialmente sua reeleição para o mandato de 2027 a 2030.
Documento circulou com brasão alterado
A carta também chamou atenção pela apresentação gráfica. O documento atribuído a Flávio circulou em duas versões com brasões diferentes da República. Uma delas trazia a expressão “Estados Unidos do Brazil”, com “Brazil” escrito com “z”, palavra em inglês.
Foto: Joedson Alves / Agência Brasil






