A campanha do senador e candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), já declarou R$ 7,45 milhões em gastos diretos com a Meta na eleição de 2026, valor quase três vezes superior aos R$ 2,59 milhões registrados pela campanha do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os valores são voltados ao impulsionamento de conteúdo nas redes sociais. Os números constam das prestações de contas eleitorais e foram levantados a partir dos dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do DivulgaCand.
A diferença é de R$ 4,86 milhões. Na prática, Flávio declarou desembolsar quase três vezes o valor registrado por Lula diretamente com a empresa responsável por plataformas como Facebook e Instagram. Os recursos destinados à Meta envolvem serviços digitais contratados pelas campanhas, entre eles anúncios e impulsionamento de publicações nas redes sociais.
Os dados são parciais e ainda podem aumentar até a apresentação das prestações de contas finais. Mesmo assim, Flávio já aparece como o candidato que mais contratou diretamente serviços da Meta nas eleições deste ano.
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Meta já recebeu R$ 288,7 milhões das campanhas
A corrida por alcance nas redes sociais ganhou dimensão inédita nas eleições de 2026. As candidaturas já declararam pelo menos R$ 288,7 milhões em pagamentos diretos à Meta, maior volume registrado em uma eleição brasileira. Os dados são da Justiça Eleitoral.
O montante é mais que o dobro dos R$ 129 milhões declarados em 2022. Em 2018, foram R$ 22,7 milhões. Em valores nominais, portanto, os pagamentos diretos à empresa cresceram mais de 1.100% entre 2018 e 2026.
A Meta é atualmente a empresa que mais recebeu recursos diretamente das campanhas eleitorais. O levantamento considera os pagamentos cujo fornecedor é o Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. e não inclui despesas realizadas indiretamente por meio de agências de publicidade ou outros intermediários. Por isso, os R$ 288,7 milhões representam um piso para o volume movimentado.
Entre os partidos, o PL também lidera os gastos diretos com a empresa, com R$ 63,7 milhões. O PT aparece em seguida, com R$ 37,9 milhões. PSD, com R$ 30,3 milhões, e União Brasil, com R$ 23,3 milhões, vêm na sequência.
O crescimento dos gastos acompanha a importância cada vez maior da propaganda paga nas redes sociais. O impulsionamento permite que candidatos, partidos e coligações paguem às plataformas para ampliar a distribuição de determinada publicação e alcançar usuários além daqueles que receberiam o conteúdo de forma orgânica.
De acordo com o levantamento baseado nas prestações de contas do TSE, despesas com impulsionamento representavam 2,5% dos gastos totais das campanhas em 2018. Em 2026, essa participação já chega a 8,9%.
TSE cobra tratamento igual para Lula e Flávio
O peso financeiro das plataformas na campanha ocorre justamente quando a Meta está sob cobrança da Justiça Eleitoral para demonstrar que oferece tratamento isonômico aos dois candidatos que disputam o segundo turno.
Na segunda-feira (19), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu prazo de 24 horas para que a empresa comprovasse o cumprimento de decisão que determinou medidas destinadas a assegurar igualdade na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante o segundo turno. O prazo vence nesta terça-feira (20).
As duas campanhas recorreram à Justiça Eleitoral contra a Meta. Tanto Lula quanto Flávio alegaram prejuízos à circulação de seus conteúdos nas plataformas da empresa.






