Membros da alta gestão do Hospital Santa Júlia, em Manaus, foram ouvidos, nesta quarta-feira, 17, no âmbito do inquérito policial que apura a morte de Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida no último dia 23, após receber, de forma equivocada, uma superdose de adrenalina intravenosa. As investigações apontam uma série de erros que vão desde a prescrição do medicamento que deveria ser por nebulização, até a ausência de profissionais, insumos e cumprimento de protocolos de segurança na instituição de saúde.
A Polícia apura, entre outros fatores que podem ter contribuído para a morte de Benício, o número insuficiente de profissionais como enfermeiros e farmacêuticos na ocasião do atendimento. No dia em que ocorreu a morte, apenas a técnica de enfermagem Raiza Bentes, que tem sete meses de experiência na área, atendeu a criança, sem supervisão da chefia de enfermagem. O posto que liberou a medicação também estava sem farmacêutico, segundo o delegado Marcelo Martins, titular do 24º DIP (Distrito Integrado de Polícia).
Conforme os depoimentos colhidos pela Polícia, faltava material para intubação, o que pode ter contribuído para a morte. Além disso, o Santa Júlia declarou no sistema do Ministério da Saúde que a médica Juliana Brasil, responsável pela prescrição da adrenalina, constava no quadro da pediatria. A profissional na possui título de pediatra.
O urologista Edson Sarkis, um dos proprietários do hospital privado, prestou depoimento. De acordo com ele, a unidade possui certificação internacional de qualidade e no dia do atendimento a Benício, havia mais de uma enfermeira na unidade,
Com habilitação para praticar os protocolos de segurança do paciente. Mas, confirmou que essas profissionais não foram acionadas. Ele alega, ainda, que havia farmacêutico na Central de Medicamentos do hospital.
Questionado sobre a prescrição errada assinada por Julians Brasil, e que levou Benício para a UTI, Sarkis, que é médico, disse: “ Não estou aqui pra acusar ninguém. O hospital não esconde nada. O hospital está aberto e está disposto a reparar o que for preciso”.
Ele afirmou que a preocupação no momento é com a família de Benício Xavier. “Eu me preocupo mais é com a família do Benício e com o que aconteceu com o Benício, não com essa situação (se referindo à investigação). Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo diferente”, afirmou.
O filho dele, Edson Sarkis Júnior, e Juliana Sarkis, também foram ouvidos. Eles compõem a gestão do hospital e informaram que são responsáveis apenas pela parte administrativa, não pela operacional.

O delegado Marcelo Martins disse que quanto mais a investigação se aprofunda, “ mais a gente verifica que tiveram muitas chances de salvar a vida do Benício que não foram aproveitadas”.
Nesta quarta-feira, a Justiça do Amazonas liberou a perícia no sistema de gestão hospitalar do Santa Júlia. A empresa responsável por gerir o sistema também será ouvida no âmbito do inquérito.






