Questionado sobre corrupção na saúde, Omar evita detalhar mecanismos de controle após gestão marcada pela Maus Caminhos

Um dos episódios de maior repercussão política envolvendo a área da saúde no Amazonas, a Operação Maus Caminhos, deflagrada em 2016, durante a gestão do então governador Omar Aziz (PSD), voltou aos holofotes, nesta segunda-feira, 6. Questionado sobre quais medidas adotaria para evitar casos de corrupção no setor da saúde se eleito para comandar o Executivo estadual, Aziz, que é atualmente senador da República e pré-candidato ao Governo do Estado, não detalhou quais mecanismos de controle ou fiscalização pretende implantar em uma eventual nova gestão e concentrou a resposta em rebater associações de seu nome à operação, destacando realizações de sua administração e direcionando críticas ao cenário atual.

A resposta foi dada em coletiva de imprensa concedida por ocasião do lançamento do Eixo 2 do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, documento que reúne propostas para as áreas de Saúde, Assistência Social e Segurança Pública e que deve compor o Plano de Governo de Omar, caso ele oficialize sua candidatura ao cargo de governador.

A operação Maus Caminhos foi deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeita de desvios de R$ 250 milhões na área da saúde, a partir de contratos com o Instituto Novos Caminhos, durante a gestão de Omar. Derivada da Maus Caminhos, a operação Vértex, deflagrada tempos depois, resultou, à época, na prisão de familiares de Aziz, suspeitos de serem beneficiados com recursos públicos da área da saúde. Omar não foi citado diretamente nas operações. “Procure se tem uma denúncia, ou algum julgamento, alguma condenação contra mim. Não tem absolutamente nada”, afirmou.

A Maus Caminhos se tornou um dos principais pontos de desgaste político do período posterior à gestão de Omar. Durante a coletiva, o ex-governador afirmou que nunca foi denunciado no caso e desviou o foco destacando que implantou unidades de saúde de relevância no Estado, sem citar quais. “Nunca fui denunciado. Fiz hospitais importantes, programas na saúde”, declarou.

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Comparações

Na resposta, Omar também comparou sua administração com a atual situação da rede pública e afirmou que problemas enfrentados hoje deveriam ser alvo de questionamentos.

“Estão devendo médico há sete meses. Você tinha que questionar isso também dos atuais (gestores). Eu vejo muita gente fazendo de conta que não está acontecendo nada, mas está acontecendo com vocês. A família de vocês precisa disso”, disse, referindo-se aos atrasos nos repasses a empresas prestadoras de serviços de saúde no Estado.

Omar Aziz ainda citou episódios ocorridos durante a pandemia da Covid-19 no Amazonas, quando o estado enfrentou uma grave crise no abastecimento de oxigênio hospitalar, e criticou decisões tomadas naquele período.

“Deixaram pessoas morrendo sem oxigênio, compraram respiradores em loja de vinho… E fora o que está acontecendo na saúde”, afirmou. Embora sem citar nomes, a crítica foi direcionada ao atual governador do Amazonas, Roberto Cidade (UB), pré-candidato natural à reeleição, e que assumiu o cargo após renúncia do então governador Wilson Lima (UB), para concorrer ao Senado.

Apesar de não apresentar, na ocasião, propostas específicas de prevenção à corrupção na área da saúde, Omar afirmou que pretende conduzir o setor com transparência em uma eventual nova administração.

“Fui o governador que me dediquei muito à saúde e tenho um programa especial para você e para sua família, pra que vocês tenham um trabalho sério. E com transparência”, concluiu.

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