Prefeitura de Manaus reduz em R$ 58,4 milhões previsão de investimentos na área de transporte em 2026

A Prefeitura de Manaus reduziu em R$ 58,4 milhões a previsão de recursos destinados à área de transporte em 2026. Os dados constam na Lei Orçamentária Anual (LOA) e mostram que o orçamento previsto para a função caiu de quase R$ 376 milhões, em 2025, para R$ 317,4 milhões neste ano, uma redução de 15,5%.

O orçamento total previsto para o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) também apresentou redução de 10,17%, conforme dados das LOAs de 2025 e 2026, passando de R$ 602,3 milhões para R$ 541,08 milhões.

A redução da previsão orçamentária para a área de transporte ocorre em um momento em que a mobilidade urbana voltou ao centro das discussões na capital. Nesta semana, uma paralisação dos rodoviários comprometeu a circulação de ônibus em Manaus e afetou milhares de passageiros por quase quatro dias.

O movimento foi motivado por um impasse entre trabalhadores e empresas do setor em relação a questões trabalhistas e só começou a ser normalizado após negociações mediadas pelos órgãos competentes e a liberação de R$ 18 milhões, pelo Governo do Estado, para o cumprimento do subsídio da meia-passagem estudantil. O episódio reacendeu o debate sobre a sustentabilidade financeira do sistema de transporte coletivo, que conta com subsídios da Prefeitura e do Estado para auxiliar no custeio da operação do sistema, considerado por parte dos usuários como precário e insuficiente.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Amazonas (Sinetram), Manaus conta com um sistema de transporte coletivo operado por sete empresas: Auto Ônibus Líder, Viação São Pedro, Vega Manaus, Expresso Coroado, Grupo Eucatur, Global GNZ e Via Verde. Cerca de 500 mil passageiros utilizam o sistema diariamente na capital. A planilha de custos do transporte coletivo não é pública segundo o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), [órgão que instaurou, em 2025, uma investigação para ter acesso a dados que nortearam o aumento da passagem de ônibus à época.

Leia também: Governo do Amazonas anuncia repasse de R$ 18 milhões ao Sinetram e tenta encerrar impasse sobre meia-passagem estudantil

LOA

Os valores fazem parte do demonstrativo de despesas da LOA de cada ano, publicados no Diário Oficial do Município e que são de acesso público. Eles abrangem a função orçamentária Transporte, que reúne diferentes ações e programas relacionados à mobilidade urbana, incluindo a reforma de terminais de ônibus, que no exercício vigente, tem um orçamento de R$ 2,24 milhões, uma fração inexpressiva da previsão orçamentária total do IMMU. Entre as despesas que integram essa função também está o subsídio concedido pela Prefeitura ao sistema de transporte coletivo de Manaus, além de outras iniciativas e investimentos vinculados ao setor.

A redução representa uma mudança no planejamento orçamentário da administração municipal em relação ao exercício anterior. Como a LOA estabelece a previsão de receitas e fixa os limites para as despesas do ano, os valores autorizados podem ser alterados posteriormente por meio de créditos adicionais ou remanejamentos previstos na legislação.

Foto: reprodução

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