Com a maior população indígena do Brasil (cerca de 16 mil pessoas, segundo projeção do IBGE), o município de Uiramutã apareceu na última posição do ranking nacional de qualidade de vida divulgado nesta quarta-feira, 20, pelo IPS Brasil. No Índice de Progresso Social 2026, que avalia 57 indicadores sociais e ambientais, a cidade obteve nota 42,44 em uma escala de 0 a 100, desempenho quase 42% inferior ao de Gavião Peixoto, líder da classificação, com 73,10 pontos.
Com 96,6% da população autodeclarada indígena, Uiramutã tem como prefeito Tuxaua Benísio e possui oficialmente 13.283 habitantes, conforme o Censo 2022 do IBGE. A projeção do instituto para 2025 indica que o número já ultrapassa os 16 mil moradores. Em uma área de 8.102 quilômetros quadrados, o município registra PIB per capita de R$ 15.720, valor significativamente inferior ao de Gavião Peixoto, no interior paulista, que alcança R$ 361.138 por habitante.
Nos indicadores que compõem o IPS, Uiramutã apresentou desempenho crítico em praticamente todos os eixos avaliados. Em necessidades humanas básicas, a cidade obteve 41,56 pontos, enquanto Gavião Peixoto alcançou 87,23. No eixo fundamentos do bem-estar, a nota foi 49,32, contra 72,70 do município paulista. Já no quesito oportunidades, o cenário é ainda mais grave: 36,45 em Uiramutã, ante 59,38 da cidade líder.
Os indicadores de infraestrutura e serviços básicos revelam um quadro de forte desigualdade. Em saneamento básico, Uiramutã recebeu nota 30,17, enquanto São Paulo atingiu 89,99. Em nutrição e cuidados médicos básicos, a cidade roraimense marcou 56,25, frente aos 74,62 de Gavião Peixoto.
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Entre as piores pontuações registradas por Uiramutã, está o indicador moradia: 12,15 pontos. Em Gavião Peixoto, a nota chegou a 97,9. O acesso à educação superior também apresentou um dos desempenhos mais baixos do levantamento, com 14,91 pontos em Uiramutã, contra 62,54 no município paulista. Já em saúde e bem-estar, o município roraimense alcançou 57,43, superando ligeiramente os 53,11 de Gavião Peixoto.
Entre todos os indicadores analisados, o esgotamento sanitário apresentou o resultado mais alarmante: nota 1,05 em Uiramutã, diante de 95,10 em Gavião Peixoto. O abastecimento de água também ficou abaixo de 10 pontos no município de Roraima, contra 96,39 na cidade paulista.
Parceria
O índice é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Imazon, Fundação Avina, iniciativa Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative, sendo baseado exclusivamente em dados públicos e atualizado anualmente. A ferramenta permite acompanhar tendências e apoiar o planejamento, a avaliação de políticas públicas e o direcionamento de investimentos sociais.
De acordo com informações do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, cada indicador passa por um processo de validação e modelagem estatística, incluindo normalização, verificação de qualidade e definição de pesos por meio da Análise de Componentes Principais (ACP). O resultado final varia de 0 a 100, refletindo o desempenho dos municípios nas três dimensões do progresso social.
Diferentemente de indicadores econômicos como o PIB e o IDH, o IPS mede diretamente resultados na vida da população, permitindo identificar desigualdades e comparar territórios de forma mais precisa. O índice evidencia que municípios com níveis semelhantes de renda podem apresentar desempenhos muito distintos em qualidade de vida, reforçando o papel das políticas públicas e da gestão na transformação de recursos em bem-estar.
*Coordenada com informações do Imazon
Foto: reprodução – Guia Lugares Turísticos






