Justiça condena funcionários de Maria do Carmo Seffair por pagar conta de luz da Fametro com dinheiro da Seduc

Funcionários da candidata ao governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), foram condenados por pagar conta de luz da Fametro com dinheiro da Seduc (Secretaria de Estado de Educação). Em 2011, o governo do Amazonas identificou um esquema de inclusão de faturas particulares de energia elétrica entre as despesas pagas pelo órgão de Governo . 

O mecanismo aproveitava os lotes de pagamentos destinados a quitar contas de imóveis alugados pelo Estado para o funcionamento de escolas. Segundo a condenação da Justiça, faturas de outros imóveis e empresas eram inseridas nesses pagamentos, transferindo despesas privadas para os cofres públicos.

Leia também : Waldery Areosa diz que empresas ligadas a Maria do Carmo Seffair acumulam R$ 251 milhões em dívidas

Conforme a ação penal nº 0210581-22.2011.8.04.0001, Cristiano Lúcio Torres Lira, funcionário da tesouraria da instituição, e Milton Braga Rola Neto, intermediário, foram réus num esquema com  Alex Elessandro da Silva Santos, conhecido como “Tigrão”, que inseria as faturas no sistema de pagamentos.

No processo, Cristiano Lúcio Torres Lira, funcionário da tesouraria da instituição, declarou que recebeu de um prestador de serviços elétricos uma proposta para obter descontos no pagamento das contas de energia. Segundo o depoimento reproduzido nos autos, ele entregou uma primeira fatura de aproximadamente R$ 70 mil, que foi devolvida integralmente quitada, e repassou cerca de R$ 35 mil ao intermediário. O funcionário afirmou que outras contas foram pagas pelo mesmo mecanismo.

Ligação clandestina

Em 2014, uma fiscalização da Manaus Ambiental identificou uma ligação clandestina de água na unidade da Fametro localizada na avenida Constantino Nery, bairro Chapada, zona centro-sul de Manaus. A irregularidade foi constatada durante obras de reforma e ampliação da instituição, após uma denúncia anônima que levou a concessionária a acionar a polícia.

Na época, o coordenador de fiscalização da concessionária, Francisco de Assis Souza, explicou que as ligações da faculdade registradas no sistema estavam cortadas ou suprimidas, mas havia grande fluxo de água na obra por meio de uma conexão irregular. Segundo ele, a ligação clandestina já havia sido cortada no ano anterior e foi restabelecida sem autorização.

Na ocasião, o delegado Alfredo Dabella informou que os responsáveis administrativos e técnicos pela obra foram notificados para prestar esclarecimentos. A Manaus Ambiental iniciou a avaliação do prejuízo, estimado inicialmente em milhões de reais. O gerente de faturamento da empresa, José Carlos Almeida, afirmou que o volume de água furtado mensalmente equivaleria ao abastecimento de aproximadamente seis mil pessoas, população comparável à do conjunto Eldorado, na zona centro-sul.

A situação tributária das empresas ligadas à Maria do Carmo foi questionada em 2024, quando se tornou público que Maria do Carmo possuía uma dívida de aproximadamente R$ 12 milhões em IPTU atribuída à Faculdade Fametro.

O Amazônia Plural solicitou um posicionamento quanto às denúncias à assessoria da Fametro e aguarda retorno.

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