Fumaça que encobre Manaus vem principalmente de incêndios no Baixo Amazonas e no Pará, afirma Ibama

Screenshot

A densa fumaça que voltou a encobrir Manaus há dias e se intensificou neste domingo (8) tem origem principalmente nos incêndios florestais registrados no Baixo Amazonas e no oeste do Pará, ambos estados da Amazônia Legal. A informação é do superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Joel Araújo, que aponta a combinação entre queimadas, deslocamento de massas de ar e condições atmosféricas como responsável pela concentração de poluentes sobre a capital.

leia também: Encoberta por densa fumaça, Manaus volta a registrar qualidade do ar muito ruim; queimadas mais que dobram no Amazonas

Segundo Araújo, a região entre Manaus e Itacoatiara, incluindo municípios da Região Metropolitana e Autazes, apresenta poucos incêndios de grande intensidade. A situação é diferente em Nhamundá, Parintins e Barreirinha, no Amazonas, e em municípios paraenses como Juruti e Santarém, onde o fogo continua exigindo a mobilização de equipes de combate.

“A região de Manaus até Itacoatiara, a região metropolitana, Autazes, está com pouquíssimos focos de grande intensidade. Praticamente controlado. Agora, Nhamundá, Parintins, Barreirinha e a região oeste do Pará estão tendo bastante incêndios”, afirmou o superintendente.

Araújo explicou que a fumaça produzida nessas localidades é transportada pelas massas de ar da baixa troposfera, camada inferior da atmosfera, até as proximidades de Manaus. A formação de uma zona de baixa pressão atmosférica também contribui, segundo ele, para que os poluentes permaneçam concentrados sobre a cidade.

“Em que pese a ocorrência de alguns incêndios ainda aqui nas proximidades, o grande volume de fumaça está vindo mesmo dessa região”, declarou.

O superintendente também atribuiu parte dos incêndios à ação humana, classificando-os como criminosos. 

Três municípios registram qualidade do ar péssima

O boletim divulgado neste domingo pelo Governo do Amazonas confirma o agravamento da poluição atmosférica em diferentes regiões do estado.

Segundo o Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (Cemoa), Barreirinha, Itapiranga e Parintins estão em nível severo de poluição, com concentrações de material particulado fino (MP2,5) superiores a 125 microgramas por metro cúbico, considerando o período de 24 horas.

Nessas localidades, a qualidade do ar foi classificada como péssima, com acionamento do sistema Defesa Civil Alerta.

Outros 14 municípios estão em nível alto, com concentrações de MP2,5 entre 50 e 125 microgramas por metro cúbico e qualidade do ar variando de ruim a muito ruim.

Estão nessa condição Autazes, Boca do Acre, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Manaquiri, Manaus, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, São Sebastião do Uatumã e Silves.

O boletim também aponta nível moderado de poluição em 21 municípios: Alvarães, Anamã, Barcelos, Benjamin Constant, Borba, Carauari, Careiro, Coari, Guajará, Humaitá, Japurá, Lábrea, Manicoré, Pauini, Presidente Figueiredo, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Tapauá, Tefé, Uarini e Urucurituba.

Nesse grupo, as concentrações de MP2,5 ultrapassam 15 microgramas por metro cúbico, conforme os parâmetros utilizados no boletim estadual.

As partículas MP2,5 são especialmente prejudiciais à saúde porque conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição à fumaça exige cuidados redobrados, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares.

Ibama reforça operação com aviões em Parintins

Diante da intensidade dos incêndios no Baixo Amazonas, o Ibama ampliou a estrutura de combate ao fogo na região. Segundo Joel Araújo, quatro aviões, um helicóptero e 25 brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estão mobilizados em Parintins, com atuação concentrada no Projeto de Assentamento Vila Amazônia.

As operações também contam com bombeiros militares, equipes da Defesa Civil e brigadas voluntárias.

O superintendente informou que equipes também trabalham na região de Barreirinha, especialmente na Terra Indígena Andirá-Marau, onde os incêndios vêm sendo combatidos há vários dias.

As aeronaves posicionadas em Parintins também prestam apoio às operações em outras localidades do Baixo Amazonas.

Mais de 24 mil focos combatidos

De acordo com o Governo do Amazonas, aproximadamente 1,5 mil servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das operações de prevenção e combate aos incêndios e aos efeitos da estiagem.

A estrutura mobilizada em articulação com o Governo Federal conta com 18 aeronaves, sendo 16 federais e duas estaduais. O conjunto inclui oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros.

Entre 1º de junho e 7 de novembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizou 4.050 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.

No mesmo período, a corporação informou ter atuado no combate a 24.650 focos de incêndio em todo o estado, dos quais 4.771 foram registrados na capital e 19.879 no interior.

Os números de focos combatidos informados pelos bombeiros representam registros operacionais e não devem ser confundidos com os focos de calor detectados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que utiliza outra metodologia de monitoramento.

Entre as medidas anunciadas pelo governo estadual estão a contratação de 153 brigadistas florestais pelo programa Floresta em Pé, a entrega de viaturas equipadas com kits de combate a incêndios e o reforço de equipamentos para as equipes que atuam nas áreas afetadas.

Multas 

Na fiscalização ambiental, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que lavrou 743 autos de infração e determinou 697 embargos entre 1º de julho e 5 de novembro.

As medidas alcançaram 78.793,45 hectares embargados e resultaram na aplicação de R$ 190.700.600,58 em multas administrativas.

A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde desenvolve ações de combate a incêndios em 33 municípios.

Já a Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso ilegal do fogo com apoio de drones e viaturas equipadas com internet via satélite, permitindo o monitoramento e a identificação de infrações ambientais.

Os valores divulgados correspondem às multas aplicadas, não necessariamente aos recursos efetivamente arrecadados pelo Estado.

Estiagem

Além da crise provocada pelas queimadas e pela fumaça, o Amazonas enfrenta os impactos da estiagem sobre a população do interior.

Segundo a Defesa Civil estadual, 160.240 famílias foram afetadas pelo desastre climático. Dos 62 municípios amazonenses, 47 estão em situação de emergência e os outros 15 permanecem em alerta.

Na primeira fase da Operação Estiagem 2026, o governo informou ter atendido 15 municípios com a distribuição de 4.800 cestas básicas, equivalentes a aproximadamente 96 toneladas de alimentos, além de 3.400 kits de limpeza, 3.060 caixas-d’água de 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.

Somente em 27 de outubro, Anamã e Rio Preto da Eva receberam, juntos, mais de 13 toneladas de alimentos, distribuídas em 670 cestas básicas, além de 400 kits de limpeza e 200 caixas-d’água.

O governo estadual informou que as entregas continuarão conforme o monitoramento dos rios e as necessidades identificadas nos municípios.

Enquanto as equipes federais e estaduais atuam nas regiões atingidas pelos incêndios, Manaus e outras cidades do Amazonas continuam sob os efeitos da fumaça. Segundo a avaliação do superintendente do Ibama, o controle dos incêndios no Baixo Amazonas e no oeste do Pará é fundamental para reduzir o volume de poluentes transportados até a capital.

*Com informações complementares do Governo do Amazonas / Secom

Foto: Corpo de Bombeiros do Amazonas / Assessoria

Compartilhe

Postagens Relacionadas

error: Conteúdo Protegido !!