Manaus, 14 de abril de 2024

Estudo identifica 100 propriedades rurais responsáveis por exploração ilegal de madeira na Amazônia

Cem imóveis rurais concentraram mais da metade da exploração ilegal de madeira apurada entre imóveis com Cadastro Ambiental Rural (CAR), de agosto de 2020 a julho de 2021, na Amazônia brasileira. A categoria respondeu por 70% das áreas exploradas sem autorização no período.

Os dados constam do relatório “Mapeamento da exploração madeireira na Amazônia”, lançado pela Rede Simex (Imazon, Idesam, Imaflora e ICV) durante a COP27, em Sharm El-Sheikh, no Egito.

O estudo inédito identificou e mapeou um total de 377.624 hectares de florestas nativas explorados para fins madeireiros no período em seis dos nove estados da região: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima – no caso do Amapá, a análise foi impossibilitada pelo alto percentual de cobertura de nuvens nas imagens de satélite. 

Mato Grosso respondeu por 73% do total, seguido pelo Pará (15,1%), Rondônia (4,3%), Amazonas (4%), Acre (2,9%) e Roraima (menos de 1%).

“A análise da legalidade mostrou que do total de área de extração de madeira no período, 235.196 hectares (62%) foram explorados mediante autorização de exploração florestal emitida pelos órgãos competentes. Outros 142.428 hectares (38%) ocorreram de forma não autorizada”, diz o estudo, em um trecho.

A atividade madeireira ilegal, de acordo com o documento, ocorreu principalmente em imóveis rurais cadastrados (72%), terras indígenas (11%), vazios fundiários (9%), unidades de conservação (4%), assentamentos rurais (3%) e terras não destinadas (1%).

“Nos imóveis rurais cadastrados, a exploração não autorizada ocorreu de forma concentrada, sendo que 100 imóveis responderam por 52% da área explorada ilegalmente nessa categoria”, aponta a Rede Simex.

Essa concentração também se reproduz quando se considera o ranking por municípios. Segundo o estudo, os 10 campeões da ilegalidade responderam por 49% de toda a extração não autorizada no período, sendo que oito deles estão localizados em Mato Grosso e dois no Amazonas.

“A ocorrência e a concentração da ilegalidade na exploração madeireira mostram como ela caminha lado a lado com a legalidade na Amazônia brasileira. A madeira que é explorada na área não autorizada precisa de documentação das áreas autorizadas para ser esquentada e movimentada. Essa é uma situação que acarreta prejuízos ambientais, sociais e econômicos, porque desvaloriza a madeira produzida por manejo florestal sustentável e impede a garantia de origem legal da madeira brasileira mudo a fora”.


Áreas protegidas

O estudo identificou que 15% das áreas de exploração ilegal estão em terras indígenas (11%) e Unidades de Conservação (4%). O total explorado em áreas protegidas alcançou 21.487 hectares.

“As 10 áreas protegidas com mais exploração madeireira não autorizada representaram 80% da área total explorada nessa categoria. Dessas áreas, sete estão localizadas em Mato Grosso”, aponta o estudo.

Nas 21 terras indígenas com exploração ilegal identificada, destacam-se a TI Aripuanã (4.039 hectares) e a TI Tenharim Marmelos (3.509 hectares). Juntas, essas áreas representaram 47% do total explorado ilegalmente em terras indígenas e 35% da exploração de madeira não autorizada em áreas protegidas. 

Nas 14 unidades de conservação com extração de madeira identificadas no estudo, as cinco mais exploradas concentraram 91% da área total. A Reserva Extrativista Guariba/Roosevelt, no noroeste de Mato Grosso, foi a mais impactada, com 1.398 hectares.

Combate à ilegalidade

Recentemente, a Rede SIMEX também publicou o relatório “A evolução do setor madeireiro na Amazônia entre 1980 a 2020 e as oportunidades para seu desenvolvimento inclusivo e sustentável na próxima década”, um panorama do setor madeireiro com recomendações para mitigar a ilegalidade no bioma.

Entre elas, estão a integração dos sistemas estaduais de monitoramento e controle florestal ao Sinaflor e o combate à impunidade por meio de tecnologias já existentes e regulamentadas para autuação remota.

“Para mitigar a exploração madeireira não autorizada na Amazônia é primeiramente necessário prover informações centralizadas, atualizadas e acessíveis pelos sistemas de controle florestal que permitiriam a implementação de rotinas de monitoramento em tempo real e a adoção de ferramentas para o controle de fraudes, incluindo a rastreabilidade dos produtos de madeira”.

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