Do diagnóstico à radioterapia: SUS no Amazonas ganha novas tecnologias contra o câncer durante governo Lula

A rede pública de combate ao câncer no Amazonas chega ao fim dos quatro anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2023 e 2026, com novas tecnologias incorporadas ao diagnóstico e ao tratamento oncológico. Parte dos principais avanços está concentrada na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), instituição do Governo do Amazonas considerada referência para pacientes com câncer.

As mudanças alcançam diferentes etapas do atendimento: da análise das biópsias à realização de exames de imagem e à oferta de medicamentos mais modernos. A estrutura ainda será reforçada com uma nova ressonância magnética e um equipamento de radioterapia. A implantação de cirurgia robótica para câncer de próstata também está entre os projetos anunciados pela direção da Fundação.

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O diretor-presidente da FCecon, Dr. Gerson Mourão, médico ginecologista e mastologista, atribui ao Governo Federal parte importante da modernização realizada na instituição.

“Eu não poderia deixar de mostrar quais foram as melhorias que o Governo Federal proporcionou ao Hospital do Câncer do Amazonas”, afirmou.

Dados do Ministério da Saúde confirmam que a FCecon passou a integrar, em 2026, a estrutura do Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer. O projeto utiliza patologia digital e telepatologia para acelerar a análise de biópsias e reduzir a espera pela confirmação da doença.

Um dos principais avanços ocorreu em uma etapa decisiva para quem investiga um câncer: o tempo necessário para obter o diagnóstico.

A estrutura instalada na FCecon permite que lâminas produzidas a partir de biópsias e peças cirúrgicas sejam digitalizadas em alta resolução. As imagens podem então ser avaliadas a distância por patologistas, inclusive por especialistas de outras instituições.

O sistema está conectado à estratégia nacional desenvolvida em parceria com o A.C. Camargo Cancer Center, unidade de referência em oncologia no País. 

Segundo o Ministério da Saúde, o Super Centro de Manaus iniciou operação assistida em 24 de agosto. Em setembro, já havia mais de 400 exames cadastrados e cerca de 170 lâminas digitalizadas. A capacidade potencial da estrutura, quando estiver em plena operação, chega a 2 mil lâminas por semana.

A escassez de patologistas é um dos problemas que a tecnologia procura contornar. Com as lâminas digitalizadas, o diagnóstico deixa de depender exclusivamente da presença física do especialista no Amazonas.

Mourão afirma que a mudança representa uma quebra importante na espera enfrentada historicamente pelos pacientes.

“Em vez de nós esperarmos 120 dias, agora, com 20 dias, nós vamos começar a ter o resultado”, disse.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em setembro já apontavam resultados menores: na operação inicial do Super Centro em Manaus, os laudos estavam sendo liberados, em média, em aproximadamente dez dias, diante de uma referência anterior superior a 30 dias.

Mais especialistas para analisar biópsias

A tecnologia, porém, não funciona sem profissionais para interpretar os exames.

Mourão afirma que a FCecon também conseguiu ampliar a disponibilidade de patologistas por meio da estratégia Agora Tem Especialistas, criada pelo Governo Federal.

O reforço é particularmente relevante porque o patologista é quem analisa o material retirado em uma biópsia ou cirurgia e produz o laudo que permite confirmar e caracterizar o câncer. A partir desse resultado, a equipe médica consegue definir a conduta e o tratamento adequado ao paciente.

A combinação entre digitalização e análise remota permite ainda que a estrutura instalada em Manaus seja utilizada progressivamente para receber material enviado pelo interior do Amazonas, ampliando o alcance do diagnóstico especializado para populações distantes da capital, inclusive indígenas e ribeirinhos.

Novo tomógrafo usa inteligência artificial

Outra mudança ocorreu no diagnóstico por imagem. A FCecon recebeu do Ministério da Saúde um tomógrafo de alta performance equipado com recursos de inteligência artificial.

Segundo a direção da Fundação, a tecnologia auxilia no posicionamento do paciente e na qualidade das imagens produzidas, permitindo ao radiologista obter informações mais precisas durante a avaliação. Além disso, uma ressonância magnética está prevista para reforçar a estrutura de diagnóstico da Fundação.

Os equipamentos são especialmente importantes na oncologia porque os exames de imagem são utilizados em diferentes momentos, desde a investigação inicial até o planejamento e acompanhamento do tratamento.

Medicamentos mais modernos

Em outubro, o Ministério da Saúde iniciou a oferta de nove novos medicamentos de alta tecnologia para tratamento de diferentes tipos de câncer no SUS. A previsão anunciada pelo Governo Federal é chegar a 23 novos fármacos até o fim de 2026, ampliando em 35% as alternativas disponíveis na rede pública.

Entre as indicações estão cânceres de mama, próstata, pulmão, rim, estômago, tireoide e linfomas.

Parte desses medicamentos já havia sido incorporada anteriormente ao SUS, mas ainda não chegava efetivamente aos serviços. A nova política federal de Assistência Farmacêutica Oncológica passou a definir diferentes formas de aquisição e financiamento desses tratamentos.

Para a FCecon, a mudança também pode reduzir um problema recorrente: pacientes que recorrem à Justiça para conseguir medicamentos que não estavam disponíveis regularmente na rede.

“Para o paciente, isso significa acesso a terapias modernas com mais segurança nos tratamentos, tratamentos muito mais eficazes, menos efeitos colaterais e muito mais qualidade de vida”, destacou Kácio Souza, gerente do Serviço de Farmácia da instituição.

Radioterapia deve ganhar novo equipamento

Um novo acelerador linear está previsto para reforçar o tratamento oncológico no Amazonas.

Segundo o gerente do Serviço de Radioterapia, Leandro Baldino, a incorporação do equipamento deverá permitir a abertura de aproximadamente 90 a 100 novas vagas para pacientes atendidos pela Fundação e ampliar a capacidade existente.

A radioterapia é uma das principais modalidades utilizadas contra o câncer, ao lado da cirurgia e da quimioterapia. Com o novo aparelho, a expectativa da direção da FCecon é aumentar tanto o número de pacientes atendidos quanto a precisão de determinados tratamentos.

“Isso faz com que o paciente consiga acessar mais rápido o seu tratamento, e isso influencia no prognóstico desses pacientes”, afirmou Baldino.

Segundo ele, a tecnologia também permitirá tratar com maior rapidez e precisão tumores para os quais a estrutura atual apresenta limitações.

Cirurgia robótica para câncer de próstata

Outra frente anunciada pela direção da FCecon é a implantação da cirurgia robótica. O projeto deverá começar pelo tratamento do câncer de próstata. De acordo com Gerson Mourão, a instituição já possui uma sala inteligente preparada como base para receber a nova tecnologia.

“Nós já temos o embrião dentro da instituição, que é chamada de sala inteligente, para ser colocada a cirurgia robótica”, afirmou.

A cirurgia robótica permite que o médico controle braços mecânicos e instrumentos de alta precisão durante procedimentos minimamente invasivos.

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