O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) conseguiu conter o vazamento de gás estireno em uma fábrica do Distrito Industrial, que teve início na quarta-feira (16/07). Com isso, em reunião neste domingo (19/07), o Comitê composto por órgãos estaduais da Segurança Pública, Defesa Civil, Saúde, Meio Ambiente e Educação, além da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), decidiu pela liberação, a partir desta segunda-feira (20/07), das atividades das empresas do Polo Industrial, unidades de ensino da rede estadual e serviços públicos, que haviam sido suspensas desde o dia do acidente.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, reforçou que o vazamento do gás foi contido e detalhou como se dará a continuidade dos trabalhos a partir de agora.
“Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno, como dentro da área que foi isolada. Estamos com emissão zero a partir do tanque que foi sinistrado. O Corpo de Bombeiros continuará dentro da empresa mantendo o resfriamento (do tanque afetado). Esse é um trabalho que poderá durar meses para desinstalação, retirada de todo material com segurança e, a partir daí, ser dada a destinação adequada para o produto daquele tanque”, explicou o comandante-geral do CBMAM.
Desde o dia do acidente, o Corpo de Bombeiros atuou, de forma ininterrupta, no resfriamento e sucção do produto, para a contenção e extinção do gás. Com apoio da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), um perímetro de 300 metros foi isolado, ainda na quarta-feira, como determina o protocolo de segurança para esses casos.
O diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Picanço, falou sobre o acompanhamento dos trabalhos junto ao Corpo de Bombeiros, com o apoio do Crea-AM, ao longo dos dias, para avaliar a temperatura e estrutura do tanque, que fundamentou a decisão pela liberação das atividades.
“O Ipaam, em conjunto com os Bombeiros, acompanhou desde o início a situação e, no sábado (18/07), através de um drone termal, levantamos várias medições, de quatro em quatro horas, analisando a questão da temperatura do tanque. Também acionamos o Crea-AM, que veio com uma equipe técnica de engenheiros mecânicos para, junto com essa análise do drone de temperatura, fazer a análise de possíveis fissuras e rachadura, o que não foi constatado”, disse o diretor-presidente do Ipaam.
O Ipaam seguirá monitorando os trabalhos realizados na fábrica onde ocorreu o acidente. Entre as ações previstas estão o acompanhamento da qualidade do ar, em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM); a análise dos efluentes gerados; a fiscalização da destinação ambientalmente adequada dos resíduos remanescentes do tanque; e a verificação do cumprimento das condicionantes da Licença de Operação (LO) da empresa, vigente até outubro de 2026.
Conforme o avanço das vistorias e das análises técnicas, o Instituto poderá adotar novas medidas administrativas previstas na legislação ambiental, caso sejam constatadas outras irregularidades. Na sexta-feira (17/07), o Ipaam autuou a empresa em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental. A penalidade foi aplicada com fundamento na Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), que estabelece sanções penais e administrativas para condutas e atividades lesivas ao meio ambiente; no Decreto Federal nº 6.514/2008, que regulamenta as infrações e sanções administrativas ambientais; e no Decreto Estadual nº 51.355/2025, que disciplina os procedimentos de fiscalização e a aplicação de penalidades ambientais no Estado do Amazonas.
O gerente adjunto de fiscalização do Crea-AM, Afonso Bernardes Jr., também falou sobre a análise que foi realizada na estrutura, apontando que não existe fissuras, tendo como foco a continuidade da fiscalizações.
“Fizemos, junto à equipe técnica da Câmara Especializada de Mecânica e Metalurgia, um compilado com quatro engenheiros, onde pudemos evidenciar realmente o que vem sendo tratado pelos órgãos especializados. Teve realmente uma deformação da estrutura, mas que não compromete, não havendo fissuras. E o monitoramento com as atividades que vêm sendo feitas foram bem eficazes. Então, não tem risco”, avaliou o gerente adjunto de fiscalização do Crea-AM.
O secretário de Estado de Saúde, Luís Alberto Saraiva, ressaltou que as medidas de segurança e monitoramento demonstraram ser eficientes em eliminar o risco para a saúde pública. Ele reforçou, porém, que o monitoramento permanecerá sendo realizado.
“Vamos continuar checando o gabinete de atendimento dentro das unidades de saúde através de reuniões diárias com todos os diretores de SPA e de prontos-socorros. A intoxicação pelo gás estireno depende de dois fatores, tempo de exposição e a concentração desse gás no ar. No momento, através de medições do Corpo de Bombeiros, desde o dia de ontem, foi atestado que não existe mais nenhum tipo de vazamento de gás. Então, através de uma decisão do colegiado, entendemos que a população não corre risco”, pontuou o secretário de Estado de Saúde.
Desde a quarta-feira até este domingo, a rede estadual de Saúde registrou 552 atendimentos relacionados a sintomas causados por possível exposição ao estireno. Desses, apenas um paciente segue internado em unidade da rede estadual. Ainda assim, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) mantém a orientação de procurar uma unidade de Saúde ou acionar o Samu pelo 192, caso haja possíveis sintomas causados pelo contato com o gás.
No sábado (18/07), um homem, de 60 anos, deu entrada em uma unidade da rede privada de saúde relatando problemas respiratórios, supostamente causados após exposição ao gás, o paciente teve um agravamento do quadro e evoluiu para óbito na madrugada de domingo. O homem já havia sido atendido na unidade privada na sexta-feira (17/07), com sintomas leves, sendo liberado posteriormente. A morte será investigada pela comissão de verificação de óbito da unidade privada e acompanhada pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).
Na quarta-feira, um homem de 67 anos, morador do Centro da Cidade, foi a óbito após dar entrada em uma unidade de Saúde da rede estadual relatando mal-estar após o vazamento. Não foi constatada, porém, relação direta da morte com o gás estireno. O paciente já possuía histórico de doença respiratória crônica, tendo sido atendido na mesma unidade, em dias anteriores, com queixa de dificuldades respiratória.
Serviços públicos liberados
Com base na decisão, a Secretaria do Estado de Educação e Desporto Escolar vai retomar, a partir desta segunda-feira (20/97) as atividades das Escolas Estaduais (EE): Nathalia Uchôa, Antônio Lucena Bittencourt; Antóvila Mourão Vieira; Bom Pastor, Madre Tereza Almirante Ernesto; Olavo Bilac, São Luiz de Gonzaga, Marquês de Santa Cruz, Pedro Silvestre, Nossa Senhora da Glória, Antônio Bettencourt, Joana Rodrigues, Liberalina Weill, Gov. Melo e Póvoas e Benedito Almeida.
O Serviço de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5 também retoma o atendimento normal à população.






