O ex-vice-prefeito de Manaus, Marcos Rotta (Avante), reagiu ao anúncio de apoio do prefeito Renato Júnior à reeleição do senador Eduardo Braga (MDB) e afirmou ter sido “apunhalado pelas costas” pelo ex-prefeito David Almeida (Avante), candidato ao Governo do Amazonas. Até então pré-candidato ao Senado, Rotta indicou que está fora da disputa e anunciou o rompimento político com o antigo aliado.
Em pronunciamento divulgado em vídeo nas redes sociais, nesta sexta-feira, 7, Rotta não cita David Almeida nominalmente, mas deixa clara a referência ao mencionar a pessoa com quem “formou chapa em 2020” e a quem acusa de não honrar compromissos. Naquele ano, Rotta integrou a chapa de David Almeida na eleição para a Prefeitura de Manaus.
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A manifestação ocorre após Renato Júnior, aliado político de David e atual prefeito da capital, declarar apoio ao senador Eduardo Braga na disputa pelo Senado. Braga, por sua vez, integra o grupo político do senador Omar Aziz (PSD), adversário de David Almeida na corrida pelo Governo do Amazonas.
“Ontem, como todos viram, infelizmente a minha dúvida se confirmou e justamente no momento tão frágil da minha vida pessoal. Eu fui apunhalado pelas costas. Logo por quem eu sempre apoiei e fui leal”, afirmou Rotta, informando que precisou se afastar do cenário político por alguns dias em decorrência de problemas de saúde apresentados por seu pai.
Assista ao vídeo de Marcos Rotta: https://amazoniaplural.com/wp-content/uploads/2026/08/video-1786116678-1.mp4
De aliado a crítico de David
O pronunciamento marca uma mudança pública na relação entre Rotta e David Almeida. O ex-vice-prefeito afirmou que já desconfiava de problemas envolvendo sua pré-candidatura ao Senado antes do anúncio feito por Renato Júnior.
Rotta relatou que havia se afastado das atividades nos últimos dias em razão do estado de saúde do pai e disse que a confirmação ocorreu justamente durante esse período.
“Mas antes disso, eu já pressentia aqui comigo que alguma coisa estava errada na minha candidatura ou na minha pré-candidatura ao Senado da República”, declarou.
Na parte mais dura do pronunciamento, Rotta comparou o antigo aliado de 2020 ao atual candidato ao governo e afirmou ter se tornado mais uma vítima de supostos compromissos políticos não cumpridos.
“O tempo, que é o senhor da razão, mostrou que a pessoa com quem eu formei chapa em 2020 nem de longe se parece com a pessoa de 2026. Eu fui mais uma vítima daquele que é conhecido no meio político por não honrar os seus compromissos”, disparou, referindo-se a David Almeida.
Rotta também atribuiu a David uma rejeição próxima de 40% em Manaus. O percentual foi apresentado pelo próprio ex-vice-prefeito no pronunciamento, sem indicação da pesquisa ou do levantamento utilizado como referência.
Além de expor o rompimento, Marcos Rotta afirmou que não disputará as eleições deste ano. A declaração encerra, ao menos publicamente, a pré-candidatura ao Senado que vinha sendo construída.
“Mesmo não sendo candidato nessa eleição, a minha trajetória com sete mandatos vitoriosos me impõe a responsabilidade de ter candidatos nesse processo eleitoral”, disse.
O ex-vice-prefeito sinalizou, porém, que pretende participar ativamente da campanha. Segundo ele, a ruptura deverá resultar também em uma mudança de posição na disputa pelo Governo do Amazonas.
Rotta afirmou que percorrerá Manaus e municípios do interior e prometeu anunciar, em breve, quem apoiará para governador.
“Não é essa traição que vai me parar. Muito pelo contrário! Irei percorrer as ruas da cidade de Manaus, os becos da cidade de Manaus, os municípios do interior do estado do Amazonas e em breve eu vou anunciar o meu candidato ao governo do estado do Amazonas”, declarou.
O pronunciamento expõe uma nova fissura no grupo político ligado a David Almeida justamente no início da disputa eleitoral. Ao mesmo tempo, o apoio de Renato Júnior a Eduardo Braga cria um cruzamento entre grupos adversários na eleição majoritária: enquanto David disputa o governo, o atual prefeito de Manaus optou por apoiar para o Senado um candidato ligado à chapa de Omar Aziz, concorrente direto de David ao comando do Estado.






