O Pará, um dos estados que compõem a Amazônia Legal, concentrou 68,6% de todos os focos de queimadas detectados no Brasil nas 48 horas entre domingo (11) e segunda-feira (12), segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Foram 1.064 focos no território paraense de um total de 1.551 registrados no país no período.
O volume coloca o Pará muito à frente dos demais estados. O Amazonas, estado que sofre com uma crise ambiental que deixa vários municípios, incluindo a capital, encobertos por fumaça tóxica, aparece na segunda posição, com 232 focos, seguido por Acre, com 98; Mato Grosso, com 59; Roraima, com 33; Tocantins, com 16; e Amapá, com 12. Todos os estados mencionados fazem parte da divisão geográfica denominada Amazônia Legal.
Somados, Pará e Amazonas concentraram 1.296 ocorrências, o equivalente a 83,6% de todos os focos detectados no Brasil nessas 48 horas. Os dados ajudam a dimensionar a concentração atual do fogo no Norte do país. Do total de 1.551 focos brasileiros, 1.485 estavam no bioma Amazônia, 95,7% das ocorrências detectadas no período.

Cidades do Pará dominam ranking nacional
O levantamento do INPE por municípios mostra uma concentração ainda mais evidente no Pará: as dez cidades que aparecem no topo do ranking das últimas 48 horas são paraenses.
Altamira lidera, com 124 focos, equivalentes a 15,4% das ocorrências contabilizadas entre os municípios apresentados no ranking do painel. Em seguida aparecem Itaituba, Uruará, Aveiro, Santarém, São Félix do Xingu, Mojuí dos Campos, Placas, Óbidos e Rurópolis.

O avanço do fogo no Pará ocorre simultaneamente à crise enfrentada pelo Amazonas, que permanece sob uma grande operação de combate aos incêndios.
Manaus amanhece novamente sob fumaça
Em Manaus, a terça-feira (13) começou novamente com fumaça sobre diferentes áreas da cidade. A chuva registrada durante a madrugada, principalmente nas zonas Norte e Oeste, contribuiu para reduzir temporariamente a concentração de poluentes e amenizar o calor, mas não foi suficiente para eliminar completamente a fumaça.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostravam pela manhã melhora em boa parte das estações. Das 13 medições consultadas, 11 estavam na faixa “moderada”. No Coroado, porém, o PM2,5 chegou a 88,8 µg/m³, nível classificado como “muito ruim” pela escala do sistema. Próximo ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, a leitura caiu para 23,1 µg/m³, dentro da faixa “boa”.
A melhora representa uma mudança significativa em relação à segunda-feira (12), quando estações do Selva chegaram a registrar valores superiores a 150 µg/m³ e houve ponto acima de 200 µg/m³ na capital.
Força-tarefa mantém combate aos incêndios
No Amazonas, equipes federais e estaduais permanecem mobilizadas. O governo federal disponibilizou 11 aeronaves e 290 brigadistas para reforçar o combate, em atuação integrada com as estruturas estaduais.
A frota federal inclui seis aviões Air Tractor para combate direto, dois KC-390, dois helicópteros e uma aeronave Caravan destinada ao apoio logístico. Os KC-390 foram mobilizados pela Força Aérea Brasileira (FAB), enquanto o Ibama coordena parte das ações federais de combate e integração operacional.
A resposta envolve ainda o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e diferentes órgãos dos governos federal, estadual e municipais. Uma reunião realizada na segunda-feira contou com representantes dessas três esferas para organizar demandas dos municípios e ampliar a coordenação das ações.
O governo federal reconheceu situação de emergência em 36 municípios amazonenses atingidos pelos incêndios. O reconhecimento facilita a mobilização de recursos para combate ao fogo e assistência às populações afetadas.
Aulas suspensas por causa da fumaça
Os efeitos da crise também chegaram novamente às escolas. A Prefeitura de Manaus manteve suspensas nesta terça-feira as aulas presenciais da rede municipal devido à qualidade do ar.
Na rede estadual, a Secretaria de Estado de Educação suspendeu as aulas do turno da manhã nas escolas de Manaus e informou que a situação dos demais turnos seria reavaliada conforme as condições atmosféricas ao longo do dia.
A decisão foi adotada depois de a Prefeitura registrar, na segunda-feira, concentração média de 135 µg/m³ de partículas finas PM2,5, índice enquadrado como “péssimo”. As suspensões buscam reduzir principalmente a exposição de crianças, adolescentes e profissionais da educação à fumaça.
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