Força-tarefa amplia combate aéreo a incêndios no Amazonas; 11 aeronaves acumulam 67 horas de voo e 10 mil litros de água lançados

A força-tarefa de combate aos incêndios florestais no Amazonas ampliou nesta segunda-feira (12) o emprego de aeronaves nas operações próximas a Manaus e na região do Baixo Amazonas. Segundo o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no estado, Joel Araújo, as aeronaves mobilizadas pelo órgão já acumulam 67,2 horas de voo e mais de 10 mil litros de água foram lançados sobre áreas atingidas pelo fogo.

De acordo com Araújo, seis aviões Air Tractor estão sendo utilizados diretamente no lançamento de água. Outros três helicópteros dão suporte logístico à operação, enquanto um avião Caravan é empregado no transporte de brigadistas.

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O superintendente informou que esses equipamentos totalizam dez aeronaves do Ibama. Na operação também estão disponíveis dois KC-390 mobilizados pelo Ministério da Defesa, que se somam ao trabalho realizado por brigadistas federais e bombeiros em solo. O modelo de avião utilizado pela Força Aérea Brasileira (FAB) é considerado o mais avançado avião militar projetado na América Latina. 

Em balanço mais amplo da estrutura federal mobilizada para o Amazonas, o governo informou a disponibilização de 11 aeronaves para ações de combate e apoio logístico, além do reforço do efetivo de brigadistas florestais federais.

As operações aéreas de combate já começaram também na região do Baixo Amazonas. A estratégia é combinar o lançamento de água e o transporte aéreo com as equipes posicionadas em terra, ampliando o alcance da resposta aos incêndios.

A mobilização ocorre após dias consecutivos de fumaça em Manaus e em municípios do interior. No fim de semana, o governo federal informou o reforço de 290 brigadistas para atuação no Amazonas. A operação envolve diferentes órgãos federais, além do Corpo de Bombeiros e das estruturas estaduais.

Qualidade do ar continua crítica em Manaus

Apesar do reforço no combate às chamas, os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram que a qualidade do ar permanecia crítica em diferentes áreas de Manaus nesta segunda-feira.

Na imagem mais recente do sistema, estações reais de monitoramento registram concentrações de material particulado fino (PM2,5) de 145,5, 148, 150,1 e 154,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³), valores classificados como “péssimos” pela escala apresentada pelo Selva.

Há ainda registros de 172,2 µg/m³ e 218,1 µg/m³, ambos superiores inclusive ao limite de 160 µg/m³ que encerra a faixa “péssima” na escala exibida pela plataforma.

O maior valor visível no mapa, de 218,1 µg/m³, representa uma concentração aproximadamente 772% superior ao teto de 25 µg/m³ da faixa classificada como “boa”. Em outras palavras, naquele ponto a concentração de PM2,5 era cerca de 8,7 vezes o limite máximo considerado bom pelo sistema. Outras estações marcavam 104,5, 115,1 e 115,4 µg/m³, classificadas como “muito ruins”.

A persistência de índices elevados ocorre em um cenário de forte crescimento das queimadas no Amazonas. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o estado chegou a 7.629 focos em 2026, contra 3.606 no período comparável de 2025, aumento de 112%.

Somente no período de 48 horas entre 10 e 11 de outubro, o painel do Inpe contabilizou 540 focos no Amazonas. Autazes aparecia como o município amazonense com maior número de ocorrências no gráfico, seguido por Itacoatiara, Manaquiri, Manacapuru, Novo Aripuanã, Maués, Careiro e Borba.

A combinação entre o elevado número de focos e as sucessivas pioras na qualidade do ar mantém a pressão sobre a força-tarefa. Mesmo com o início das operações aéreas e o reforço das equipes, os dados do Selva mostram que a população de Manaus continua exposta a concentrações elevadas de poluição.

Foto: Ibama – divulgação

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