O ministro do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que incêndios identificados em áreas de floresta preservada no Amazonas apresentam indícios de ação criminosa. A avaliação foi feita após um sobrevoo realizado em regiões atingidas pelo fogo, em meio à crise ambiental que mantém Manaus e municípios do interior sob intensa fumaça.
A maior parte dos incêndios está concentrada em municípios da Região Metropolitana de Manaus, mas os efeitos da crise se espalham pelo estado. Além da capital, cidades do interior também enfrentam fumaça e deterioração da qualidade do ar.
Leia também: Amazonas concentra quase 1/4 dos incêndios combatidos pelo Ibama no país, diz ministro do Meio Ambiente
Capobianco sobrevoou as áreas afetadas ao lado do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. Segundo o representante do Ministério do Meio Ambiente, a presença de focos no interior de áreas preservadas chamou a atenção durante a vistoria aérea.
“Nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Esse é um problema grave, porque indica claramente que são incêndios criminosos com o objetivo de degradar a floresta e, posteriormente, buscar a derrubada na sequência”, afirmou Capobianco.
A declaração associa a localização e as características observadas dos focos à possibilidade de uso deliberado do fogo como etapa de degradação da vegetação. O ministro solicitou ao Governo do Amazonas o uso de força policial para identificar e punir os responsáveis pelos crimes ambientais.
290 brigadistas e 11 aeronaves
A operação para enfrentar os incêndios reúne os governos federal e estadual e conta com reforço de 290 brigadistas e seis aeronaves. Segundo o governo federal, os trabalhos intensificados de combate começaram no domingo e não têm prazo para terminar.
Capobianco já havia informado que o Ibama extinguiu 229 incêndios no Amazonas, enquanto equipes federais continuavam atuando em outros 20. De acordo com dados apresentados pelo secretário-executivo, o órgão combateu cerca de 1.037 incêndios em todo o Brasil, o que significa que aproximadamente 22% dos casos já debelados estavam no Amazonas.
Durante a passagem pelo estado, Waldez Góes também relatou a dimensão do cenário observado do alto. Segundo o ministro, foram identificadas “centenas e centenas” de ocorrências de queimadas e incêndios, inclusive no interior da floresta.
Fumaça atinge também municípios do interior
Os impactos não estão restritos às áreas onde o fogo permanece ativo. A fumaça resultante dos incêndios vem comprometendo a qualidade do ar em Manaus e também atingindo municípios do interior.
Na capital, a poluição permaneceu em níveis preocupantes durante vários dias consecutivos. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), chegaram a apontar estações com qualidade do ar classificada como “péssima”.
A força-tarefa reúne, além do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Integração, órgãos como Ibama, ICMBio, Incra e Funai, além do Corpo de Bombeiros. A operação federal também envolve a Defesa Civil Nacional, Ministério da Defesa e Força Nacional do SUS.
O trabalho ocorre em duas frentes: combater os incêndios e prestar assistência às populações atingidas pela crise ambiental e pela fumaça.
Qualidade do ar muda em poucas horas e volta a ficar “péssima” em pontos de Manaus
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram uma mudança acentuada na qualidade do ar em Manaus entre a noite de domingo (11) e a manhã desta segunda-feira (12), em meio à crise de fumaça provocada pelos incêndios no Amazonas.
Por volta das 23h33 de domingo, as estações exibidas no mapa do Selva registravam concentrações de material particulado fino (PM2,5) entre 28,7 e 45,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³) nos pontos visíveis da capital. Pela escala apresentada pelo sistema, esses valores estavam na faixa “moderada, próxima dos níveis considerados bons.
O cenário mudou significativamente durante a noite e a manhã. Às 10h39 desta segunda-feira, várias estações já apresentavam índices superiores a 100 µg/m³. Entre os registros visíveis no mapa estão 126, 132,1, 134, 143,4 e 154,7 µg/m³.
Pela classificação utilizada pelo Selva, concentrações entre 75 e 125 µg/m³ são consideradas “muito ruins”, enquanto valores entre 125 e 160 µg/m³ entram na categoria “péssima”. Assim, diferentes pontos de Manaus voltaram a registrar a pior classificação da escala na manhã desta segunda.
Em uma das estações, por exemplo, a concentração chegou a 154,7 µg/m³, mais de três vezes o maior valor claramente registrado entre as estações exibidas na imagem da noite anterior, de 45,7 µg/m³.
A rápida deterioração ocorre enquanto Manaus enfrenta uma sequência de dias marcada pela presença de fumaça e por incêndios florestais no Amazonas.






