Amazonas concentra quase 1/4 dos incêndios combatidos pelo Ibama no país, diz ministro do Meio Ambiente

Screenshot

O Amazonas concentrou quase um quarto dos incêndios já combatidos pelo Ibama no país no atual período de queimadas, segundo João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Em Manaus para acompanhar a crise ambiental, ele afirmou que 229 incêndios já foram debelados no estado, enquanto equipes federais continuam atuando simultaneamente em outros 20. Ontem, o Governo Federal enviou ao Amazonas mais seis aeronaves para atuar no combate aos focos, especialmente, incêndios florestais. 

Capobianco está na capital amazonense junto com o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. A presença dos representantes do Governo Federal ocorre em meio ao agravamento dos incêndios e da poluição atmosférica. Neste sábado (11), Manaus amanheceu pelo sexto dia consecutivo encoberta por fumaça, com níveis de poluição críticos em vários pontos da capital e do interior. 

Leia também: Amazonas recebe novas aeronaves para reforçar combate aos incêndios florestais no estado

“Para você ter uma ideia, no Brasil inteiro o Ibama debelou cerca de 1.037 focos de incêndio, um quarto no estado do Amazonas. Então veja como a situação aqui, de fato, se agravou muito”, afirmou Capobianco.

Pelos números apresentados por ele, os 229 incêndios extintos no Amazonas representam aproximadamente 22% dos 1.037 combatidos pelo Ibama em todo o país, proporção próxima de um em cada quatro.

Segundo Capobianco, a operação mobiliza, além do Ibama, equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

“Neste momento, enquanto estamos aqui conversando, as equipes do Ibama, com o apoio do ICMBio, do Incra, da Funai, estão combatendo 20 focos de incêndio importantes”, disse.

Selva registra níveis “péssimos” em Manaus

A fumaça produzida em meio à sequência de incêndios mantém preocupantes os indicadores de poluição atmosférica na capital.

Dados registrados na manhã deste sábado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram várias estações de Manaus com concentrações elevadas de material particulado fino, o PM2,5.

No mapa do Selva, há medições de 170,7 µg/m³, 156,2 µg/m³ e 152 µg/m³ em pontos da cidade. Pela escala apresentada pelo próprio sistema, concentrações acima de 125 µg/m³ são classificadas como “péssimas”. Outros sensores aparecem com 146,7 µg/m³ e 132 µg/m³, também dentro dessa categoria.

Há ainda diferentes regiões com qualidade do ar classificada como “muito ruim”, com registros de 123,2 µg/m³, 117,9 µg/m³, 114,5 µg/m³, 111,9 µg/m³, 106 µg/m³ e 104,5 µg/m³.

A situação é ainda mais crítica em Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus. O mapa do Selva registra 214,8 µg/m³, concentração que ultrapassa o limite superior de 160 µg/m³ apresentado na escala de poluição da plataforma.

Crise se prolonga na capital

Manaus enfrenta uma sequência de dias de deterioração da qualidade do ar. Na sexta-feira (9), a Prefeitura de Manaus chegou a suspender as aulas da rede municipal e as atividades presenciais nas sedes administrativas depois de informar uma concentração média de poluentes de 196,4 µg/m³. Neste domingo, o poder público municipal também suspendeu todas as atividades programadas. 

A crise levou o Governo Federal a ampliar a mobilização no Amazonas. Na manhã de sábado (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, após conversar com o governador Roberto Cidade (União Brasil), o envio de 290 profissionais e seis aeronaves para reforçar o combate aos incêndios. A primeira aeronave chegou a Manaus ainda no mesmo dia.

Para Capobianco, as condições climáticas atuais favorecem a propagação dos incêndios e tornam necessária uma ação conjunta para enfrentar o problema.

“O clima, infelizmente, favorece os incêndios florestais e nós precisamos unir os esforços: governo federal, governo estadual, corpos de bombeiros e a população como um todo para reduzir o problema”, afirmou.

Governador solicitou apoio 

A chegada dos ministros e o envio de suporte aéreo se deram após formalização de pedido de apoio feito pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade. No âmbito estadual, uma força-tarefa composta pelo Corpo de Bombeiros Militar, Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), Defesa Civil, entre outros órgãos, atua na intensificação das ações na capital e no interior. O uso de fogo para qualquer atividade está suspensa no Amazonas, estado que decretou situação de emergência por conta da estiagem. O clima derivado do chamado verão amazônico favorece o aparecimento de focos de calor. Campanhas de conscientização também estão em curso para ampliar o acesso à informação.

Foto: Frame / Internet

Compartilhe

Postagens Relacionadas

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais lidos

Assine nossa Newsletter

Receba as últimas notícias diretamente no seu e-mail. Não fazemos Spam
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
error: Conteúdo Protegido !!