Manaus voltou a registrar qualidade do ar muito ruim entre a noite de sábado (7) e a manhã deste domingo (8), em meio a uma densa camada de fumaça que encobre diferentes regiões da cidade. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram concentrações elevadas de material particulado fino (MP2,5), com medições superiores a 100 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em alguns pontos da capital.
O agravamento da poluição ocorre em um cenário de crescimento expressivo dos focos de queimadas na Amazônia. Segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas acumulou 8.768 focos de calor em 2026, contra 4.250 no período de referência de 2025, aumento de 106%. Os dados consideram o intervalo de 1 de janeiro a 7 de novembro de cada ano.

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A situação é ainda mais preocupante no Pará, onde os registros passaram de 11.127 para 27.602, crescimento de 148%. O estado concentra mais que o triplo dos focos contabilizados no Amazonas e aparece como um dos principais pontos de atenção no avanço das queimadas na região.
A fumaça produzida por incêndios florestais pode percorrer grandes distâncias, transportada pelas correntes de ar, e contribuir para a deterioração da qualidade atmosférica em cidades afastadas dos locais onde o fogo ocorre. Segundo autoridades estaduais e nacionais, as queimadas no Pará tem contribuído para a poluição em cidades do Amazonas.
O Amapá também apresentou elevação expressiva, de 514 para 1.743 registros, crescimento de 239%. No Acre, os focos passaram de 2.181 para 2.216, aumento de 2%.
Poluição
O mapa do aplicativo Selva mostra que a concentração de partículas finas alcançou 108,9 µg/m³ em uma das estações da região central e sul de Manaus. Outras medições registraram 104,5 µg/m³ nas proximidades do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e 103,2 µg/m³ na região da Chapada.
Também aparecem no levantamento índices de 101 µg/m³ em uma área próxima à margem leste da cidade, 99,8 µg/m³ na região de Petrópolis, 97,3 µg/m³ em dois pontos distintos, 97,3 µg/m³ na região norte, 96,6 µg/m³ nas proximidades da Aparecida e 95,1 µg/m³ na região do Aleixo.

Em outras áreas, o sistema registrou concentrações de 82,6 µg/m³ e 47,7 µg/m³. Este último valor aparece na faixa moderada da escala exibida pelo aplicativo, enquanto a maior parte das estações apresenta indicadores classificados como muito ruins.
As medições representam concentrações de MP2,5, partículas microscópicas capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição a níveis elevados desse poluente aumenta os riscos à saúde, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Pará lidera registros recentes de queimadas
Outro levantamento do Inpe, referente às 48 horas entre 6 e 7 de novembro, mostra a concentração de focos de calor em municípios da região Norte.
Portel, no Pará, aparece na primeira posição do gráfico, com aproximadamente 110 registros. Na sequência estão Pacajá, com cerca de 85, Uruará, com aproximadamente 80, Almeirim, com 71, Óbidos, com 56, e Moju, com 54.
O município de Mazagão, no Amapá, aparece com aproximadamente 53 focos, seguido de Prainha, no Pará, com 44, Oriximiná, também no Pará, com 42, e Bonfim, em Roraima, com cerca de 41 registros.
Dos dez municípios destacados, oito estão no Pará, evidenciando a concentração recente de focos de calor naquele estado.

Amazônia registra aumento
No bioma Amazônia, os focos de calor passaram de 30.457 em 2025 para 53.565 em 2026, crescimento de 76%.
O aumento apontado pelo INPE contrasta com a redução observada em outros biomas brasileiros. Na Caatinga, os registros caíram de 15.795 para 11.959, recuo de 24%. No Cerrado, passaram de 50.222 para 37.214, queda de 26%.

Na Mata Atlântica, a redução foi de 36%, com os registros passando de 11.365 para 7.242. No Pampa, os focos diminuíram de 663 para 291, queda de 56%, enquanto no Pantanal passaram de 607 para 553, recuo de 9%.
No conjunto do Brasil, o número de focos subiu de 109.109 para 110.824, crescimento de 2%.
O contraste evidencia que, apesar da relativa estabilidade nacional, o bioma Amazônia concentra uma expansão significativa dos registros de fogo.
O Amazônia Plural procurou o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para atualizar os dados sobre a força-tarefa d e combate às queimadas montada pelo Governo Federal, juntamente com órgãos do Governo do Estado, e aguarda retorno.
Foto: Amazônia Plural






