“Fiquei estarrecido”, diz delegado sobre vídeo envolvendo filha de Omar Aziz; polícia investiga participação de Maria do Carmo Seffair

O delegado Marcelo Martins, da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), afirmou nesta sexta-feira (6) que ficou estarrecido ao assistir ao vídeo envolvendo a filha adolescente do governador eleito do Amazonas, Omar Aziz (PSD), divulgado durante a campanha eleitoral de 2026. Responsável pelo inquérito que investiga o caso, o delegado classificou o conteúdo como gravíssimo e afirmou que a Polícia Civil ainda pretende esclarecer as circunstâncias de sua produção e identificar a responsabilidade de cada envolvido.

“Eu fiquei estarrecido quando assisti. Num momento inicial, quando acompanhava de longe essa investigação pela imprensa, não tinha noção do nível de perversidade. Só quando vi o vídeo pude perceber o nível de perversidade sexual”, declarou Martins. O delegado esclareceu que são investigados crimes como a produção de material audiovisual envolvendo criança com intuito libidinoso e a divulgação desse material.

Leia também: Polícia apreende celular e computador de Maria do Carmo em investigação sobre ataques à filha de Omar Aziz

A manifestação ocorreu após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência da empresária e ex-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), em Manaus. Durante a operação, policiais apreenderam um telefone celular e um computador pessoal da investigada.

Segundo o delegado, o material será submetido à perícia para identificar possíveis elementos que esclareçam a participação da ex-candidata nos fatos investigados.

Martins também sinalizou que a apuração ainda poderá trazer informações relevantes sobre as circunstâncias em que o vídeo foi produzido.

“As investigações vão revelar muita coisa ainda. Muita coisa importante que vai fazer muito sentido para quem assistiu esse vídeo. Vai entender por que esse vídeo foi feito dessa forma”, afirmou.

Marcelo Martins ressaltou que a atuação da Polícia Civil não está relacionada à identidade ou à posição política das pessoas investigadas, mas à gravidade dos fatos.

“Esse empenho da Polícia Civil, que ocorre nesse caso, não se refere às pessoas que estão envolvidas na investigação, mas se refere ao fato”, declarou.

O delegado afirmou que a investigação apura crimes de natureza sexual previstos na legislação de proteção à criança e ao adolescente.

Ele também sustentou que os elementos reunidos até o momento demonstram a ocorrência do crime investigado, restando esclarecer a participação individual de cada pessoa.

“O crime já está comprovado. É um crime que é de comprovação evidente. Apenas agora estamos determinando o nível em que cada autor do crime cometeu esse fato”, disse.

A declaração expressa a avaliação da autoridade policial sobre as provas reunidas no inquérito. A responsabilidade criminal dos investigados ainda depende da conclusão da apuração e de eventual julgamento.

Polícia relata resistência durante buscas na residência

Marcelo Martins também descreveu dificuldades enfrentadas pelos policiais durante o cumprimento do mandado judicial na casa de Maria do Carmo.

Segundo ele, os agentes chegaram ao imóvel nas primeiras horas da manhã e encontraram resistência para entrar na residência. Após a chegada dos advogados da empresária, houve discussões sobre o cumprimento da ordem.

“Foi uma diligência difícil, com uma série de tentativas de obstaculizar o cumprimento da ordem judicial”, afirmou.

O delegado relatou que os policiais conseguiram realizar buscas em todos os cômodos do imóvel, incluindo gavetas, objetos pessoais e um cofre.

Ao final da operação, foram apreendidos o celular e o computador de Maria do Carmo. A empresária não estava na residência no início da diligência. Conforme Martins, ela compareceu posteriormente, após contato com seu advogado.

Possível ocultação de provas será analisada

Outro ponto levantado foi a possibilidade de arquivos terem sido apagados ou ocultados antes da operação, uma vez que a informação sobre o cumprimento do mandado já circulava publicamente.

Questionado sobre essa hipótese, Marcelo Martins afirmou que a situação também será considerada pelos investigadores.

Ele mencionou um vídeo divulgado por Maria do Carmo na quinta-feira (5), nas redes sociais, no qual a empresária comentou a possibilidade de receber policiais em sua residência.

“Inclusive, nós temos um vídeo da própria investigada, Maria do Carmo, que ontem ironizou a realização da diligência e afirmou que estava aguardando a polícia vir à casa dela. Então, isso é uma questão que está sendo analisada também no âmbito desse inquérito policial”, declarou.

Próximos passos da investigação

Com os equipamentos apreendidos, a Polícia Civil pretende extrair e examinar os dados armazenados nos dispositivos eletrônicos.

As informações serão confrontadas com outros elementos reunidos ao longo do inquérito para esclarecer a produção e a circulação do vídeo envolvendo a adolescente.

Segundo Marcelo Martins, novas diligências serão realizadas para aprofundar a investigação e individualizar as responsabilidades.

A operação desta sexta-feira ocorreu após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) restabelecer a autorização judicial para buscas na residência de Maria do Carmo.

A defesa da empresária já havia questionado a medida e denunciado perseguição política e abuso de autoridade. A ex-candidata permanece sob investigação, sem que a apreensão dos equipamentos represente, por si só, comprovação de participação nos crimes apurados.

Foto: reprodução

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