O empresário Waldery Areosa afirmou que empresas ligadas à candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), acumulou cerca de R$ 251 milhões em dívidas. As declarações foram feitas em um vídeo divulgado nesta terça-feira (20), nas redes sociais, no qual ele questiona a situação financeira dos negócios da empresária.
Areosa, que é dono e mantenedor do Ciesa e do Colégio Século, sustenta que aproximadamente R$ 200 milhões desse montante teriam origem em operações financeiras realizadas em nome da Fametro (Faculdade Metropolitana de Manaus. Segundo ele, haveria ainda prestações desses compromissos que não foram pagas nos prazos estabelecidos.
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O empresário afirmou que as operações podem ser consultadas em documentos públicos do mercado financeiro e mencionou registros disponíveis na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ao comentar as dívidas, Waldery fez críticas diretas a Maria do Carmo e chegou a afirmar que a empresária estaria “falida”. Ele também associou os débitos da Fametro a pendências anteriores envolvendo IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ironizou a candidata ao dizer que ela teria “alergia a boleto”.
Areosa também relacionou a situação financeira que atribui ao grupo empresarial à candidatura de Maria do Carmo ao Governo do Amazonas. Segundo ele, a empresária busca o cargo para tentar solucionar problemas financeiros da empresa e da família.
Areosa fala em transferência para conta pessoal
Outra acusação feita por Waldery diz respeito ao destino de parte do dinheiro obtido nas operações financeiras. Ele afirmou que recursos captados em nome da instituição de ensino foram transferidos para uma conta pessoal de Maria do Carmo.
O empresário também sustenta que os débitos cresceram com a incidência de juros e que existem pagamentos atrasados. Ao fazer as acusações, ele questionou a capacidade administrativa de Maria do Carmo, que disputa o segundo turno da eleição para o Governo do Amazonas.
Documentos
Documentos aos quais o Amazônia Plural teve acesso mostram sucessivas operações para captações de recursos no mercado financeiro pela instituição; atraso em uma das operações e alterações em contratos com investidores levantam questionamentos sobre o nível de endividamento e a saúde financeira do grupo
O Instituto Metropolitano de Ensino (IME), mantenedor da Fametro, deixou de pagar, em maio deste ano, uma parcela de uma dívida assumida com investidores. A falta de pagamento levou a instituição a receber uma notificação formal para quitar o valor acrescido de juros e outros encargos previstos no contrato. O documento que comprova o atraso foi encaminhado ao Instituto Metropolitano de Ensino pela Oliveira Trust em 26 de maio de 2026. A Oliveira Trust atua como agente fiduciário e representa os interesses dos investidores.
O episódio não aparece isoladamente. Documentos de operações financeiras do IME mostram que, nos últimos anos, a instituição recorreu diversas vezes ao mercado de capitais para levantar recursos, por meio da emissão de títulos de dívida. Em uma operação iniciada em 2023, por exemplo, foram emitidos R$ 103,6 milhões em títulos. Posteriormente, novas captações foram estruturadas.
O conjunto dos documentos revela, portanto, que a mantenedora da Fametro acumulou diferentes obrigações financeiras com investidores. Captar recursos no mercado é uma prática comum entre companhias. Mas o não pagamento de uma obrigação no vencimento, somado à sucessão de operações e alterações contratuais, coloca em discussão a capacidade de pagamento e o grau de endividamento da instituição.
Em termos simples, a Fametro recorreu ao mercado financeiro para obter dinheiro. Em vez de depender exclusivamente de empréstimos bancários, o Instituto Metropolitano de Ensino emitiu títulos de dívida. Investidores entregam recursos à empresa e, em troca, recebem o direito de recuperar esse dinheiro posteriormente, acrescido da remuneração estabelecida no contrato.
Na prática, é como se a instituição tomasse dinheiro emprestado de vários investidores e entregasse a eles documentos que formalizam a promessa de devolver os recursos dentro de determinados prazos e condições.
Os registros analisados mostram mais de uma operação desse tipo. A cobrança realizada em maio está relacionada à 5ª emissão de notas comerciais do IME. Já outra operação, iniciada em 2023, envolveu a emissão de R$ 103,634 milhões em títulos.
O Amazônia Plural procurou, na noite de terça-feira, 20, as assessorias da candidata Maria do Carmo Seffair e da Fametro para comentar o caso. A assessoria da candidata repassou a demanda à Fametro. Já a assessoria da Faculdade informou, inicialmente, que as afirmações eram falsas e que estava aguardando retorno do setor jurídico da instituição para enviar nota em resposta, o que não foi feito até o fechamento da matéria.






