Dia do Professor: Seduc destaca histórias de transformação por meio da educação

Educar é, ao mesmo tempo, aprender, analisar a realidade do outro de forma crítica, acreditar no potencial humano, construir vínculos de respeito e, principalmente, diálogo. É comum que professores enxerguem a educação como um ato de amor, de doação e cuidado, mas é preciso entender essa profissão também como um ato de coragem e confiança em um futuro próspero, que teve como principal base o ensino e a aprendizagem. No Dia dos Professores, celebrado nesta quinta-feira (15/10), a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar destaca a história de profissionais que, em meio a sonhos, realizações, batalhas e conquistas, transformam a sala de aula em espaços de disseminação de pensamento crítico, cidadania e respeito, transformando a realidade e marcando a história da vida de estudantes e famílias que acreditam no poder emancipatório e libertador da educação. 

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Com quase dez anos de atuação na Educação Especial da rede estadual de ensino, a professora Leonice Paolla, atualmente responsável pela Sala de Recursos da Escola Estadual (EE) Profª Ruth Prestes Gonçalves, zona norte de Manaus, um espaço dedicado ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), atua diretamente na educação de estudantes com deficiência e transtornos globais de desenvolvimento, incluindo estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Desde o início de sua carreira até os dias atuais, Leonice já trabalhou com projetos de combate ao bullying e cyberbullying, incentivo ao ingresso e permanência no esporte e a criação do hábito da leitura. Para além de desenvolver o aprendizado dos estudantes, a professora conta que todo esse trabalho também tem reflexo na socialização dos alunos com deficiência e transtornos, integrando-os com mais facilidade aos estudantes do ensino regular, mostrando para famílias e para os próprios alunos o potencial de independência e autonomia que estava escondido em meio a diagnósticos e estigmas. 

“A celebração das pequenas grandes conquistas na educação especial, o progresso, muitas vezes não vem em massa, mas nos detalhes, no olhar, no som, na autonomia para realizar uma tarefa diária, ou na superação de um obstáculo motor e cognitivo. Cada avanço é uma grande vitória, parceria, porque a empatia envolve um trabalho profundo de escuta, colaboração com as famílias, terapeutas e comunidade escolar, criando uma rede de apoio sólida e humanizada”, reiterou a professora Leonice Paolla.

Todo o trabalho realizado durante a carreira de professora já rendeu à Leonice prêmios e reconhecimentos na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), na Academia de Letras, Ciências e Culturas da Amazônia (Alcama) e na Associação Brasileira de Escritores e Poetas Pan-Amazônico (Abeppa). Para ela, no entanto, o principal incentivo para seguir atuando na educação é notar que seu trabalho tem impacto no dia a dia dos estudantes, ajudando a definir um futuro com mais inclusão e equidade.

Educação com equidade e qualidade

Cerca de 34 municípios do Amazonas ofertam Educação Escolar Indígena, contribuindo para uma educação mais diversa, que respeite a individualidade cultural de cada estudante. Nessas escolas os professores desenvolvem atividades a partir das experiências dos próprios alunos e suas especificidades, como explicou o professor Paulo Gilberto Cardoso, da Escola Estadual Indígena Ester Caldeira Cardoso, localizada no município de Borba (distante a 151 quilômetros de Manaus).

Com 8 anos na educação estadual e 36 anos trabalhando com a educação em geral, o professor Paulo contou que o ato de lecionar não está apenas na transmissão do conteúdo. Segundo o educador, a pluralidade dos estudantes permite que esse trabalho de formação de futuros adultos conscientes do mundo que o cerca aconteça. A escola então se torna também um ambiente de respeito e fortalecimento de identidades. 

“O que mais me motiva no meu ambiente de trabalho é saber que estou contribuindo com o aprendizado do povo Munduruku. É gratificante saber que estou trabalhando para que a geração do futuro esteja preparado para vida e poder formar cidadãos que sejam águias e que não sejam corrompidos, o propósito do ensino do Munduruku”, contou o professor.

Docência na EJA

Ser professor é olhar para o aluno e enxergar além das notas. É perceber o esforço em silêncio, o cansaço ou o brilho no olhar que não pode ser medido em métricas. É enxergar potencial no outro, antes mesmo que o outro perceba o próprio potencial. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA) há cinco anos, a professora Aedra Costa transformou as salas de aula por onde passou em espaços de escuta, empatia e segurança, valorizando estudantes que, mesmo em idade avançada, buscam na educação um recomeço.

“Ao longo da minha trajetória profissional, eu sempre procurei desenvolver um trabalho que fosse além dos conteúdos da sala de aula. Eu gosto de desenvolver projetos que valorizam as histórias de vida e as experiências dos estudantes. Um dos trabalhos mais especiais até hoje, em toda a minha vida, foi a coletânea ‘Vivências, Experiências e Possibilidades’, uma obra que reúne poemas escritos pelos próprios alunos”, destacou a professora. 

O livro, escrito por alunos da EJA da EE Letício de Campos Dantas, localizada na zona norte de Manaus, foi destaque na 2ª edição do prêmio “Educadores que Transformam”, e recebeu menção honrosa no “Prêmio Paulo Freire de Educação”, da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Para a professora Aedra, o reconhecimento representa a materialização de algo que ela sempre acreditou e fez questão de repassar para os alunos: nunca é tarde para realizar sonhos.

Preparando para o futuro

Integrando o quadro de professores da rede estadual na equipe do Centro de Mídias de Educação do Amazonas (Cemeam) há 16 anos, a educadora Risonilde Clementino de Araújo conta com mais de 30 anos de experiência na docência escolar pública. Nascida em Envira (distante a 1.208 quilômetros de Manaus), a professora revela que a educação sempre representou uma possibilidade real de transformar o presente e o futuro dela e da família. 

Ao chegar em Manaus, já adulta, Risonilde prestou concurso público e deu início à caminhada na educação estadual. Hoje a profissional coleciona no currículo mais de 80 escolas por onde já passou, contribuindo com a vida de milhares de crianças e adolescentes que enxergaram nela e em sua trajetória a possibilidade de um futuro promissor. Em 2026, Risonilde recebeu a responsabilidade de preparar os alunos do Ensino Médio da rede estadual de ensino para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por meio do projeto “Amazonas Nota Mil: ENEM”, uma iniciativa pioneira do Governo do Amazonas. Na prática, quatro professores ficam responsáveis por receber, avaliar e corrigir textos de redações com temas propostos pelo sistema de avaliação, em seguida as redações são devolvidas aos alunos com observações que garantem ao autor a oportunidade de aprimorar o texto, garantindo assim uma melhor preparação para a prova e maiores chances de conquistar uma vaga nas universidades brasileiras. 

“Colaborar para uma melhor nota na redação dos alunos no ENEM é minha forma de expandir a visão de mundo dos alunos dos municípios do interior do Amazonas. Lembro da minha infância em Envira, quando a educação era a única possibilidade que eu tinha de mudar minha vida, e quero que os alunos nas cidades do interior também enxerguem na educação um meio de transformar suas realidades. Os resultados positivos têm sido a certeza de que a educação no Amazonas tem avançado, e é um orgulho imensurável poder fazer parte dessa história”, destacou a educadora.

FOTO: Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

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