Diante do cenário de estiagem e do avanço das queimadas no estado, o Governo do Amazonas realizou, nesta quinta-feira (08/10), mais uma reunião estratégica do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais no Amazonas. O encontro reforçou o alinhamento das ações integradas entre os órgãos estaduais para conter os impactos ambientais, proteger a população e intensificar a fiscalização em todo o território amazonense.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram identificados 4.370 focos de calor entre 1º de setembro e 6 de outubro. Para conter essa incidência, o Estado instituiu o Decreto Estadual nº 55.339/2026, que estabelece a proibição do uso do fogo por 120 dias, amparando ações de fiscalização em todo o território amazonense.
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Na linha de frente do combate aos incêndios, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) expandiu sua presença no interior, fazendo com que o número de municípios com bases permanentes saltasse de 11 para 25, entre maio de 2025 e maio de 2026. Com o primeiro concurso público realizado em 11 anos, o efetivo passou de 692 para 1.651 militares. Atualmente, cerca de mil servidores e brigadistas estão empenhados na Operação Amazonas+Verde, que atua diretamente em 33 municípios, com viaturas equipadas e capacidade operacional reforçada.
Recentemente, o Governo do Amazonas, por meio do CBMAM e da Defesa Civil do Amazonas, passou a contar com cinco viaturas Auto Bomba Tanque Florestal (ABTF) e uma aeronave especializada Thrush S2R-510, ampliando a capacidade de prevenção, monitoramento e resposta às ocorrências, especialmente em áreas de difícil acesso na capital e no interior. Nos últimos dias, a aeronave já auxiliou em operações nos municípios de Parintins, Iranduba, Itacoatiara e Manaus.
“Nós estamos na quarta fase de mobilização de efetivo da Operação Amazonas+Verde e nós já recebemos mais viaturas, que vão aumentar o poder de combate aqui na cidade de Manaus e no sul do Amazonas, região que também está muito impactada, onde nós estamos com um grande efetivo. O cenário é esse e todos nós precisamos nos envolver, principalmente nas condutas preventivas, intensificar as campanhas de prevenção de não fazer fogo em hipótese alguma”, destacou o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz.
Monitoramento e fiscalização
As políticas públicas de prevenção e combate às queimadas e ao desmatamento ilegal seguem o cronograma do Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas (PPCDQ), instituído pelo Decreto Estadual nº 55.338. Além disso, por meio do Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, o Governo do Amazonas estabeleceu a proibição do uso do fogo em todo o território amazonense pelo prazo de 120 dias, ressalvadas as exceções previstas na legislação.
O Estado também publicou o Decreto nº 55.486, de 21 de setembro de 2026, que declara situação de emergência no Amazonas em decorrência da estiagem, classificada como desastre de Nível 2. A medida considera as condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño, com previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média, cenário que tende a intensificar o déficit hídrico e os efeitos da estiagem no estado.
Levantamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) aponta que, de 1º de janeiro a 27 de setembro, 58,76% dos focos registrados no Amazonas estavam em áreas federais, incluindo Terras Indígenas e Unidades de Conservação federais. Outros 14,75% ocorreram em áreas estaduais e 26,5% em vazios cartográficos. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) pontuou que 1.556 focos ocorreram em áreas da União.
O secretário de Estado do Meio Ambiente, Miqueias Santos, reforçou que a intensificação das queimadas e do acúmulo de fumaça na região está diretamente associada ao fenômeno El Niño. Ele também destacou a integração da Sema com as secretarias municipais de meio ambiente.
“Essa anomalia do El Niño demonstra inclusive que vai se atenuar e vai continuar por um período muito grande essa seca no nosso estado, como mostram os cenários que estamos acompanhando na sala de situação da Sema. Estamos nos reunindo com todos os secretários municipais de meio ambiente, ninguém está isento de informação, inclusive eu tenho enviado para todos os secretários municipais os cenários que vão se propagar durante esse período. É o Estado quem está dando todo o suporte em todo o estado”, declarou o secretário.
Sema e Ipaam acompanham a distribuição dos focos de calor por meio de imagens de satélite e direcionam as ações de fiscalização. O Ipaam intensificou as ações na Região Metropolitana de Manaus, que abrange 13 municípios, e ampliou a presença das equipes da Operação Tamoiotatá, que atuam em localidades como Manaquiri, Autazes, Careiro e Careiro da Várzea.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, destacou o trabalho integrado de monitoramento e combate às queimadas, com equipes em campo e ferramentas de acompanhamento em tempo real para identificar focos de calor e direcionar as ações de fiscalização e controle.
“O Ipaam tem um trabalho contínuo e o nosso trabalho vem sendo intensificado em uma ação conjunta com as outras secretarias. Estamos na região metropolitana com duas equipes, trabalhando em conjunto com a Polícia Ambiental e junto com o sistema Alerta Fogo. Através do nosso painel em tempo real, que alerta onde tem foco de calor e queimada, a equipe vai direcionada até o local. Nós temos também uma linha de frente no monitoramento e controle e acompanhamento. Nós também temos a Operação Tamoiotatá, onde estamos trabalhando arduamente, diariamente, para combater todo e qualquer tipo de foco de calor e queimada no estado do Amazonas”, assinalou o diretor-presidente do Ipaam.
Qualidade do ar e atenção à saúde
A Defesa Civil do Amazonas informa que o Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (CEMOA) emitiu novos boletins oficiais, em razão dos impactos de incêndios florestais em áreas não protegidas e das condições meteorológicas extremas no estado.
O primeiro alerta, emitido na noite de quarta-feira (07/10) e válido até a manhã desta quinta-feira (08/10), apontou qualidade do ar em nível alto, com concentrações de MP2,5 entre 50 e 125 µg/m³ em 24 horas, classificadas como ruim e muito ruim, nos municípios de Manaus, Novo Aripuanã, Novo Airão, Careiro, Iranduba, Careiro da Várzea, Maués, São Sebastião do Uatumã, Barreirinha e Parintins.
Na manhã desta quinta-feira (08/10), foi emitido um novo alerta registrando qualidade do ar em nível moderado, com concentração acima de 15 µg/m³, em 24 horas, válido até a manhã de sexta-feira (09/10), nos municípios de Anamã, Apuí, Carauari, Coari, Envira, Humaitá, Ipixuna, Jutaí, Lábrea, Nhamundá, Pauini, Santo Antônio do Içá, Tapauá e Uarini.
Além disso, permanece ativo o alerta para onda de calor, válido até domingo (11/10), com previsão de temperaturas máximas superiores a 38 °C em Manaus, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea, Careiro, Iranduba, Manacapuru, Manaquiri, Itacoatiara, Autazes e Novo Airão.
Diante do risco de efeitos à saúde provocados tanto pela exposição à fumaça quanto pelo calor excessivo, a orientação para os moradores das regiões afetadas inclui aumentar a ingestão de água e líquidos, usar máscara ao sair de casa, evitar a exposição direta à fumaça e ao sol nos horários mais quentes, usar roupas leves, permanecer em locais ventilados, suspender atividades físicas ao ar livre e reforçar os cuidados com crianças e idosos.
“A Defesa Civil vem fazendo várias ações emergenciais para atender às necessidades com relação à qualidade de ar, à situação dos incêndios florestais. De uma forma direta, a Defesa Civil está atuando em todos os sentidos para minimizar a situação do ar. Orientamos a população a evitar fazer esforço físico, beber muita água, usar máscara para poder respirar melhor. E uma das ações também são as reuniões técnicas. Então, estamos tendo a devida atenção para dar uma resposta positiva para a população do Amazonas”, ressaltou o secretário de Estado da Defesa Civil, Mauro Lima.
Em situações de emergência e combate imediato a incêndios, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193. Denúncias de queimadas ilegais e infrações ambientais podem ser encaminhadas ao Ipaam via WhatsApp pelo número (92) 98557-9454. A Defesa Civil pode ser acionada pelo 199 e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192.
Foto: frame – Corpo de Bombeiros






