Governo do Amazonas decreta situação de emergência por estiagem diante de cenário climático adverso

O Governo do Amazonas publicou o Decreto nº 55.486, que declara situação de emergência no estado em decorrência da estiagem e do cenário climático previsto para os próximos meses. A medida considera as condições associadas ao fenômeno El Niño, com projeção de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média, fatores que podem intensificar o déficit hídrico e seus impactos no Amazonas.

Publicado no Diário Oficial do Estado (DOE-AM) de 21 de setembro de 2026, o decreto tem vigência de 180 dias e amplia os mecanismos de prevenção, preparação e resposta dos órgãos estaduais diante da possibilidade de agravamento da estiagem.

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Com base nos impactos registrados durante a estiagem de 2024 e nas projeções elaboradas para 2026, estima-se que até 162 mil famílias, correspondentes a aproximadamente 648 mil pessoas, possam ser impactadas em diferentes níveis pelos efeitos da redução das chuvas e dos níveis dos rios. O planejamento estadual considera a possibilidade de impactos nos 62 municípios, conforme a evolução do cenário hidrológico.

Informações do Painel El Niño 2026-2027 e prognósticos do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam elevada probabilidade de permanência das condições associadas ao fenômeno até, pelo menos, o início de 2027. As projeções apontam possibilidade de precipitações abaixo da média e temperaturas acima da média ao longo do período.

Entre os principais efeitos acompanhados pelo Estado está a redução dos níveis dos rios, que pode gerar restrições à navegabilidade e, consequentemente, afetar o deslocamento de pessoas, o abastecimento e o transporte de produtos e serviços para municípios e comunidades do interior.

Fortalecimento da atuação integrada

A declaração de situação de emergência permite fortalecer a atuação integrada dos órgãos e entidades da Administração Pública Estadual, ampliar o monitoramento das condições climáticas e hidrológicas e assegurar maior capacidade de resposta às localidades que eventualmente sejam afetadas.

As ações serão coordenadas pelo Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, responsável pela articulação, planejamento e acompanhamento das medidas adotadas durante a vigência do decreto.

Entre as providências previstas está a possibilidade de adoção dos procedimentos administrativos estabelecidos pela legislação para situações emergenciais, quando necessários à aquisição de bens, insumos e serviços destinados diretamente às ações de prevenção, assistência e resposta aos efeitos da estiagem.

Também poderão ser realizadas obras e intervenções emergenciais nas áreas afetadas, quando indispensáveis à segurança, à mobilidade, à assistência e à proteção da população.

Todas as medidas deverão ter relação direta com o enfrentamento dos impactos da estiagem e observar a legislação aplicável. As intervenções de natureza ambiental deverão ser comunicadas ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e estarão sujeitas ao acompanhamento e controle do órgão, além das autorizações e demais exigências previstas em lei.

Preparação antecipada

As medidas de preparação para a estiagem vêm sendo adotadas pelo Governo do Amazonas desde o início do ano, a partir do acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas e da articulação entre órgãos estaduais, municípios e diferentes setores da sociedade.

Entre as ações antecipadas estão o envio de medicamentos e insumos para municípios do interior, a preparação da logística de abastecimento, a instalação de sistemas de captação e tratamento de água por meio do Programa Água Boa e a aquisição preventiva de itens destinados à assistência humanitária, como cestas básicas e caixas-d’água.

Em 1º de julho, o Estado já havia decretado, de forma preventiva, situação de emergência climática e ambiental, permitindo antecipar o planejamento e a mobilização dos órgãos públicos diante dos riscos associados ao período de estiagem.

O novo decreto considera a atualização das projeções climáticas e hidrológicas e reforça as medidas necessárias para garantir capacidade de resposta do Estado à medida que o cenário evolua, priorizando a assistência às populações eventualmente afetadas e a manutenção dos serviços essenciais.

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