Manaus amanheceu novamente encoberta por fumaça nesta quarta-feira (23), em meio à deterioração da qualidade do ar e à elevada concentração de focos de calor no Amazonas. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram pontos da capital classificados no nível “péssimo”, o mais grave da escala apresentada pela plataforma. Na prática, significa que a concentração de partículas finas de poluição na atmosfera está muito alta e representa um sério risco à saúde de toda a população.

No mapa do Selva, há registros de concentração de material particulado fino (PM2.5) de 167,9 µg/m³ em uma área da cidade e de 148,4 µg/m³ em outra. A escala exibida pelo sistema classifica concentrações a partir de 125 µg/m³ como “péssimas”.
Outros pontos aparecem no nível “muito ruim”, com medições de 121,3 µg/m³, 113,1 µg/m³ e 75,9 µg/m³.

Os dados revelam que a poluição não se distribui de maneira uniforme pela cidade, mas que diferentes áreas de Manaus apresentavam concentrações elevadas de partículas finas em meio à fumaça observada nesta manhã.
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Amazonas registra 773 focos em 48 horas
O cenário coincide com um grande número de focos de calor detectados por satélite na região. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o Amazonas acumulou 773 focos no período de referência de 48 horas entre 21 e 22 de setembro.
O número colocou o estado praticamente no mesmo patamar do Pará, que registrou 797 ocorrências e liderou a estatística no período. Juntos, Amazonas e Pará concentraram 1.570 focos detectados nessas 48 horas.
O levantamento por municípios também mostra forte presença dos dois estados entre as localidades com maior quantidade de focos. Novo Aripuanã, no Amazonas, aparece na primeira posição do gráfico do Inpe, com mais de 130 registros. Entre os dez municípios destacados também aparecem Manicoré, Apuí e Autazes, todos no Amazonas.

O Pará, por sua vez, aparece com Altamira, Jacareacanga, Novo Progresso, Itaituba e São Félix do Xingu entre os municípios que mais concentraram focos no período.
A presença simultânea de vários municípios paraenses entre os maiores registros indica intensa atividade de fogo também no estado vizinho.
Queimadas crescem 85% no Amazonas em 2026
O aumento das queimadas no Amazonas não se limita aos últimos dois dias. No acumulado de 1º de janeiro a 22 de setembro, o Inpe contabilizou 5.771 focos de calor no estado em 2026.
O próprio painel do instituto aponta crescimento de 85% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Roraima aparece com aumento de 91%, enquanto o Pará registra crescimento de 88%. No conjunto do país, porém, o movimento é inverso: foram contabilizados 64.419 focos até 22 de setembro, redução de 5% em comparação com o mesmo período do ano passado.
A Região Norte também destoa do cenário nacional. Foram 27.750 focos em 2026, contra 19.894 no mesmo intervalo de 2025, alta de 39%.
Na Amazônia Legal, o Inpe contabilizou 41.693 focos até 22 de setembro, ante 35.358 em 2025, crescimento de 18%.
Incêndios mobilizam Bombeiros em diferentes pontos de Manaus
O cenário de fumaça que voltou a encobrir Manaus nesta quarta-feira (23) ocorre após dois incêndios de grandes proporções mobilizarem o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas na terça-feira (22).

Um deles atingiu uma extensa área de vegetação nas proximidades da Ponte Jornalista Phelippe Daou, a Ponte Rio Negro. As chamas se espalharam pela vegetação e produziram uma densa coluna de fumaça, exigindo a atuação das equipes da corporação para controlar o fogo.
Já no fim da noite, uma nova ocorrência mobilizou os bombeiros, desta vez na Avenida Constantino Nery. Um ônibus articulado foi atingido por um incêndio, provocando grandes chamas e exigindo outra operação de combate ao fogo.
Um incêndio de grandes proporções em vegetação também foi registrado na AM-070, também conhecida como Rodovia Manoel Urbano, que liga Manaus a Manacapuru, na Região Metropolitana de Manaus (RMM).
O Amazônia Plural entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente e com o Governo do Amazonas para comentar o caso e aguarda retorno.
Fotos: Caio Mota e Amazônia Plural






