A qualidade do ar em Manaus atingiu nível considerado “muito ruim” nesta quinta-feira (17), em meio ao aumento das queimadas no Amazonas e a uma sequência de incêndios de grandes proporções registrados nas últimas semanas na capital e em municípios próximos. A cidade amanheceu encoberta por fumaça e dados consultados no Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram índice de 109 na medição da poluição atmosférica no início da manhã. Na classificação apresentada pelo sistema, que vai de 0 a 160, o resultado coloca o ar da capital na faixa “muito ruim”. O patamar máximo da escala é classificado como “péssimo”.

O Selva utiliza uma rede de sensores para acompanhar em tempo real a concentração de poluentes. Entre os principais parâmetros está o material particulado fino, conhecido como PM2,5, formado por partículas de até 2,5 micrômetros que permanecem suspensas no ar.
A deterioração ocorre em um período de forte avanço das queimadas no Amazonas. Dados compilados a partir do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o estado acumulava 4.497 focos entre 1º de janeiro e 16 de setembro deste ano. No mesmo intervalo de 2025, foram 2.903. A diferença representa crescimento de aproximadamente 55% em um ano. Estados vizinhos como o Pará, que também compõe a Amazônia Legal, também apresentaram aumento significativo no volume de queimadas. Neste caso, o avanço foi de 78%, passando de 4.958 para 8.816.

Amazônia
Acompanhando os estados da região, o bioma Amazônia também registrou aumento nos focos de calor de 30% este ano. Dados do INPE mostram que 22.917 focos de queimadas foram detectados em 2026. No ano anterior, foram 17.561. Dos seis biomas monitorados via satélite, a Amazônia é o que concentra o maior volume de registros, seguido do Cerrado, que acumula até agora 22.498 registros.

Fumaça volta a fazer parte da rotina
A piora registrada nesta quinta não é um episódio isolado. Manaus já havia amanhecido coberta por fumaça nos dias 8 e 9 de setembro, com redução da visibilidade e cheiro de queimado em diferentes áreas. No dia 9, a Defesa Civil de Manaus registrou concentração de partículas finas de 87,6 microgramas por metro cúbico, também enquadrada como “muito ruim”. Na ocasião, o órgão informou que a fumaça transportada até a cidade vinha de áreas de queimadas no sul do Amazonas, no norte de Mato Grosso e em Rondônia, favorecida pela circulação dos ventos.
No último fim de semana, por exemplo, oito incêndios foram registrados nas zonas Norte, Leste, Oeste e Sul de Manaus, segundo levantamento publicado pela imprensa local. As ocorrências contribuíram para formar uma densa camada de fumaça entre a noite de sábado (12) e a madrugada de domingo (13).
Entre outros episódios recentes está o incêndio que destruiu parte do antigo prédio do Banco da Amazônia (Basa), no Centro, no início de setembro. O fogo provocou desabamento parcial da cobertura e atingiu a rede elétrica da região.
Na Região Metropolitana, um incêndio florestal iniciado em Manacapuru atingiu área estimada em 23 quilômetros quadrados às margens da AM-352 e alcançou comunidades rurais. A fumaça também comprometeu a qualidade do ar na área urbana do município.
Manaus revive crise de 2023
O cenário remete à crise vivida pela população manauara em 2023, quando a capital passou semanas encoberta por fumaça produzida por queimadas durante um período de seca extrema. À época, Manaus figurou no topo de um ranking global como a pior qualidade do ar no mundo. Os incêndios florestais foram a principal causa do fenômeno, além da fumaça vinda de estados vizinhos, como o Pará, conforme informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou naquele período.
Em 11 de outubro daquele ano, a Prefeitura de Manaus chegou a colocar o município em “estágio de mobilização” devido à fumaça e aos riscos à saúde. A situação levou à adoção de medidas de proteção, incluindo recomendações para o uso de máscaras, especialmente por crianças, idosos, pessoas com asma e outros grupos mais vulneráveis. Três anos depois, a combinação de aumento das queimadas, incêndios florestais e condições atmosféricas volta a produzir episódios de forte poluição em Manaus.
O Amazônia Plural procurou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para comentar o assunto e aguarda retorno.
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Foto de arquivo: Raphael Alves






