O plano de gestão “Projeto Amazonas 2035”, apresentado pelo governador e candidato à reeleição Roberto Cidade (União Brasil), reserva um conjunto de propostas para a saúde que tem como principais eixos a redução das filas por consultas e cirurgias, a descentralização dos serviços especializados e a ampliação do atendimento no interior do Estado. A proposta foi disponibilizada no DivulgaCand, sistema de candidaturas e contas eleitorais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
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Entre as medidas de maior alcance está a proposta de ampliar de um para seis o número de barcos-hospital em operação no Amazonas. As embarcações deverão oferecer consultas, exames, pequenas cirurgias, atendimento odontológico, saúde da mulher, oftalmologia e telemedicina, com atuação organizada por macrorregiões.
A estratégia busca enfrentar uma das principais dificuldades impostas pela geografia amazonense: as longas viagens realizadas por moradores do interior para conseguir atendimento especializado. Segundo o plano, a expansão deverá contar com recursos do SUS, Ministério da Saúde, Novo PAC, emendas parlamentares, Tesouro Estadual e operações de crédito destinadas à construção das embarcações.
Média e alta complexidade no interior
Outro ponto central é a tentativa de reduzir a concentração dos serviços de média e alta complexidade em Manaus. O plano prevê fortalecer hospitais estratégicos do interior com novas especialidades, exames de imagem, leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), centros cirúrgicos, clínicas voltadas à saúde da mulher e equipes multiprofissionais.
A proposta pretende diminuir a necessidade de deslocamentos para a capital e, consequentemente, reduzir gastos com Tratamento Fora de Domicílio (TFD). O documento sustenta ainda que a regionalização poderá desafogar a rede hospitalar de Manaus.
A descentralização deverá ser associada à expansão da telemedicina. O projeto propõe conectar hospitais, unidades de saúde e barcos-hospital a especialistas localizados na capital e na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), permitindo consultas, diagnósticos e emissão de laudos a distância.
Segundo o plano, a medida deverá utilizar programas federais de saúde digital e conectividade, recursos do SUS e do Tesouro Estadual, além da estrutura da UEA.
Hospital para mulheres e hospital universitário
Na área hospitalar, duas propostas se destacam pela dimensão da estrutura prevista.
Uma delas é a construção de um hospital de referência para a saúde da mulher, com atendimento nas áreas de ginecologia, obstetrícia, mastologia, oncologia e medicina fetal. O projeto prevê ainda ampliação de exames e cirurgias e uma estrutura voltada à segurança materno-infantil.
A outra é a implantação de um hospital universitário integrado às áreas de assistência, ensino, pesquisa e inovação. Além de ampliar o número de leitos e a capacidade de atendimento, a unidade seria utilizada para formação prática de profissionais de saúde.
Para financiar o hospital universitário, o documento prevê recursos do SUS, Ministério da Saúde e Novo PAC, além de programas federais destinados a hospitais universitários, Tesouro Estadual e operações de crédito.
Plano mira filas de consultas e cirurgias
A redução do tempo de espera aparece em diferentes pontos do eixo da saúde.
O plano propõe modernizar o sistema de regulação, ampliar horários de atendimento, utilizar telemedicina e contratar a rede complementar para aumentar a oferta de consultas e procedimentos. Também prevê maior transparência na organização das filas.
Para as cirurgias eletivas, a proposta é transformar os mutirões em uma ação permanente, com ampliação das equipes e utilização conjunta da rede pública e complementar. O objetivo declarado é aumentar o número de procedimentos e reduzir o tempo de espera dos pacientes.
O financiamento seria feito com recursos do SUS, incentivos federais destinados à redução de filas e dinheiro do Tesouro Estadual, além da contratação da rede complementar com pagamento vinculado à produtividade.
Carretas para ampliar exames
O plano também prevê aumentar a quantidade de carretas de saúde para atendimento itinerante na capital e na Região Metropolitana.
As unidades móveis deverão oferecer mamografia, ultrassonografia, exames cardiológicos e laboratoriais, oftalmologia, odontologia e pequenas cirurgias. A estratégia é aproximar exames e consultas da população e acelerar diagnósticos.
O custeio previsto inclui SUS, Ministério da Saúde, emendas parlamentares e Tesouro Estadual.
Saúde mental ganha estrutura própria
A saúde mental também aparece entre os compromissos específicos do plano. O documento reconhece o aumento da procura por atendimento psicológico e psiquiátrico e propõe fortalecer o Centro Estadual de Saúde Mental do Amazonas (CESMAM), além de implantar uma Clínica de Retaguarda à Saúde Mental.
Também está prevista a ampliação de equipes e programas voltados a crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de profissionais das áreas de segurança, sistema prisional, educação e saúde.
O financiamento da rede deverá combinar recursos do SUS, incentivos federais da Rede de Atenção Psicossocial, Tesouro Estadual e parcerias com os municípios.
Em outro trecho do plano, a atenção às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) inclui a construção do Centro TEA Amazonas, ampliação dos CAICs TEA, implantação de centros regionais no interior e criação de um Parque TEA destinado ao atendimento e convivência. A proposta também prevê capacitação permanente de profissionais.
Com as medidas, o eixo da saúde do Projeto Amazonas 2035 concentra a estratégia em três frentes principais: levar serviços especializados para fora de Manaus, ampliar a capacidade hospitalar e reduzir o tempo que pacientes permanecem aguardando consultas, exames e cirurgias.






