Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), referentes à competência de maio de 2026, apontam que a cobertura potencial da Atenção Primária à Saúde (APS) em Manaus é de 64,45%. O percentual, considerado o mais atualizado disponível no sistema, diverge dos 94% citados pelo ex-prefeito da capital, David Almeida (Avante), no último domingo (9), durante o primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, realizado pela emissora de TV Band Amazonas. Almeida, que tem como vice na chapa a ex-secretária de saúde de Manaus, médica Shádia Fraxe, afirmou que durante sua gestão, a cobertura da atenção primária na capital chegou a 94%.

O indicador considera a capacidade instalada das equipes de atenção primária existentes no território e estima quantas pessoas podem ser alcançadas pelos serviços. Para uma população estimada em aproximadamente 2,3 milhões de habitantes, as equipes existentes em Manaus possuem abrangência calculada em cerca de 1,48 milhão de pessoas.
“Hoje, a cidade de Manaus é referência para o Brasil em saúde básica. Nós saímos de 47% para 94% de cobertura de atenção primária”, afirmou David Almeida, ao comentar o tema saúde durante o debate.
Mais uma vez, os dados não correspondem à realidade. Segundo o Ministério da Saúde, em janeiro de 2021, quando Almeida assumiu a Prefeitura de Manaus para seu primeiro mandato como prefeito, a cobertura da Atenção Primária na capital era de 59,04%. Considerando essas informações, o avanço não chegou a seis pontos percentuais até 2026 (5,41 pontos percentuais a mais atualmente).

818 mil pessoas fora da cobertura
Na prática, os números apresentados pelo Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 818,8 mil moradores de Manaus permanecem fora da cobertura potencial da atenção primária. A diferença entre o percentual oficial de 64,45% e os 94% citados por David Almeida chega a quase 30 pontos percentuais.
A atenção primária funciona como principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e reúne serviços prestados, principalmente, nas unidades básicas, incluindo acompanhamento de doenças crônicas, vacinação, pré-natal, ações preventivas e atendimento pelas equipes de Saúde da Família.
Estrutura disponível não sustenta cobertura de 94%
Os registros do CNES mostram que Manaus conta com 360 equipes de Saúde da Família, modalidade considerada central na organização da atenção primária.
Além delas, aparecem 85 equipes de Atenção Primária com carga horária semanal de 20 horas e outras 29 equipes com jornada de 30 horas.
É a partir da quantidade e do tipo de equipes disponíveis, associados à capacidade estimada de atendimento de cada modalidade, que o Ministério da Saúde calcula a chamada cobertura potencial da APS.
O indicador não significa necessariamente que todas as pessoas contabilizadas utilizem regularmente as unidades, mas estabelece quantos moradores poderiam ser atendidos pela estrutura efetivamente cadastrada no município.
Por essa metodologia, a capacidade registrada em Manaus alcança pouco mais de seis em cada dez habitante, distante, portanto, dos 94% mencionados pelo ex-prefeito.
O histórico de cobertura da Atenção Primária à Saúde é público e pode ser consultado nas bases oficiais do Ministério da Saúde.
Foto: Frame / Band Amazonas






