A Prefeitura de Manaus ampliou em R$ 454 milhões os gastos com pessoal no primeiro quadrimestre de 2026, ano eleitoral, no comparativo com o mesmo período do ano passado, elevando o comprometimento da Receita Corrente Ajustada com a folha de pagamento de 34,60% para 37,70%. Os dados constam nos Relatórios de Gestão Fiscal anexados à plataforma do Tesouro Nacional e indicam que as despesas com servidores cresceram em ritmo superior ao da arrecadação municipal.

No primeiro quadrimestre do ano passado, a despesa total com pessoal somava R$ 3,27 bilhões. Já no primeiro quadrimestre deste ano, o valor alcançou R$ 3,73 bilhões, um aumento de 13,86%. No mesmo período de comparação, a Receita Corrente Ajustada passou de R$ 9,47 bilhões para R$ 9,89 bilhões, registrando crescimento de 4,5%.

A diferença entre a evolução das despesas e das receitas chama atenção por indicar um aumento da pressão da folha de pagamento sobre as contas municipais. Enquanto os gastos com pessoal avançaram quase 14%, a receita utilizada como base para cálculo desses desembolsos avançou de forma mais lenta. O resultado foi a ampliação da participação da folha na receita corrente, movimento que reduz a margem fiscal disponível para outras despesas e investimentos da administração pública.
Último quadrimestre de 2025
No comparativo com o último quadrimestre de 2025, quando a despesa total com pessoal somava R$ 3,56 bilhões, o aumento, em 2026, foi de 4,72%. No mesmo período de comparação, a Receita Corrente Ajustada cresceu apenas 0,21%, apontam dados públicos do Tesouro Nacional.
Os números demonstram que o crescimento das despesas com servidores ocorreu em velocidade significativamente superior à expansão da capacidade arrecadatória do município. Esse descompasso é um dos indicadores observados na análise da sustentabilidade fiscal dos entes públicos, uma vez que o aumento contínuo do comprometimento da receita com despesas obrigatórias pode restringir a capacidade de gestão financeira nos quadrimestres seguintes.
Os dados do primeiro quadrimestre de 2026 consideram três meses da gestão do ex-prefeito e pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida, e um mês da administração do atual prefeito, Renato Júnior. Embora o relatório faça referência ao período de janeiro a abril, a metodologia utilizada considera os últimos 12 meses acumulados para fins de cálculo, tanto no demonstrativo deste ano quanto nos do ano anterior.
Apesar da elevação registrada, o percentual de 37,70% permanece abaixo dos limites previstos pela legislação. Conforme os demonstrativos de despesas, a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece para as prefeituras limite máximo de 54% da Receita Corrente Ajustada para gastos com pessoal.
O Amazônia Plural solicitou nota à Prefeitura de Manaus sobre o aumento de gastos e aguarda retorno.
Foto: divulgação






