Amazônia registra o maior volume de queimadas dos últimos 25 anos, apontam dados do INPE

*Por Ana Carolina Barbosa – do Amazônia Plural

A Amazônia registrou, de 1 de janeiro a 20 de maio deste ano, o maior volume de queimadas desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas espaciais (INPE), em 1999. Foram 10.084 focos, aumento de 122% no comparativo com o mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 4.542 ocorrências. Os números são da tabela comparativa de biomas do Brasil, disponibilizada pelo órgão, que é vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Até então, o ano com o maior número de ocorrências, neste período, havia sido 2016 – 9.880 focos. O de menor registro foi 1.999 , com 894.

Os estados com os maiores aumentos percentuais entre um ano e outro foram Roraima (+267%) e Amazonas (+128%). Eles registraram 4.621 e 388 focos, respectivamente. Os dados são coletados a partir de monitoramento via satélite.

À exceção do Amapá, que obteve uma redução de 36% no número de focos de queimadas – passando de 11 para 7, no comparativo entre 2023 e 2024 -, todos os demais estados da Amazônia Legal apresentaram aumento nas ocorrências.

Depois de Roraima e Amazonas, vem o Pará, com o terceiro maior percentual de aumento no número de focos: 84%. O estado passou de 644 para 1.145. Em seguida, estão Mato Grosso, com aumento de 81% e 5.424 focos; Tocantins, com acréscimo de 70% e 1.304 ocorrências; Acre, com aumento de 64% e 28 registros de queimadas; Rondônia, com aumento de 45% e 247 focos, e o Maranhão, com aumento de 20% e 1.045 focos.

Se considerado o volume de focos, Mato Grosso e Roraima dominaram o ranking, como primeiro e segundo colocados.

Roraima, que tem população e território significativamente menores que Mato Grosso – 82,5% e 75,2% , respectivamente -, passou por momentos difíceis no início do ano, com as queimadas se alastrando em vários municípios e a fumaça encobrindo várias cidades por semanas, incluindo a capital, Boa Vista.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Roraima é de 636,7 mil habitantes. A de Mato Grosso, 3,658 milhões de habitantes. Já o território de RR soma 223,644 quilômetros quadrados, enquanto o de MT, soma 903.208 quilômetros quadrados.

Segundo o WWF Brasil, com maiores incêndios dos últimos 20 anos nos primeiros três meses de 2024, Roraima concentrou mais da metade das queimadas na Amazônia no período.

“O recorde de queimadas em Roraima é mais um episódio na sequência de eventos extremos observados na Amazônia, desde setembro do ano passado. Em um ano de El Nino e aquecimento do Atlântico, no qual tivemos a pior seca da Amazônia em 120 anos, era esperado que a temporada de seca em Roraima fosse bastante intensa. Nessas condições, qualquer foco de queimada pode ganhar proporções maiores e sair do controle”, afirma Mariana Napolitano Ferreira, diretora de Estratégia do WWF-Brasil, em material divulgado pela entidade, em abril deste ano.

Além da seca histórica, contribuiu para o aumento das queimadas o fator humano. Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado, a prática local de atear fogo para “limpar” a terra acabou piorando a situação.

Foto: Canva

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