UEA e Ufam suspendem aulas presenciais em Manaus após piora da qualidade do ar provocada por fumaça

Manaus amanheceu mais uma vez encoberta por uma densa camada de fumaça nesta quinta-feira (8), e o agravamento da qualidade do ar levou instituições de ensino superior a suspenderem atividades presenciais na capital. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) adotaram o trabalho e as aulas remotas para reduzir a exposição de estudantes, professores e servidores à poluição atmosférica.

O cenário se agravou durante a madrugada. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela UEA, apontaram concentração de partículas finas (MP2,5) de até 490,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em um dos pontos monitorados em Manaus. Pela escala utilizada pelo sistema, concentrações acima de 125 µg/m³ são classificadas como “péssimas”.

Leia também: Incêndio de grandes proporções destrói galpão de fábrica em Manaus; quase 100 bombeiros atuam no local

Na manhã desta quinta, o mapa do Selva continuava indicando condições preocupantes em diferentes regiões. Em consulta feita por volta das 9h35, havia estações marcando 120,4 µg/m³ e 112,3 µg/m³, classificadas na faixa “muito ruim”. Outros pontos registravam 85,6 µg/m³, 81,9 µg/m³, 65,7 µg/m³, 62,1 µg/m³, 61,8 µg/m³, 54,9 µg/m³, 51,9 µg/m³ e 44,8 µg/m³. Uma estação na região do Careiro da Várzea apresentava 225,4 µg/m³, já na classificação “péssima”.

O Selva foi lançado em 2023 e reúne dados de estações de monitoramento para acompanhar, entre outros indicadores ambientais, a concentração de material particulado no ar e queimadas. O sistema foi desenvolvido pela UEA, por meio do EducAIR, com apoio de instituições parceiras.

A Ufam informou que suspendeu nesta quinta-feira todas as atividades acadêmicas e administrativas presenciais nas unidades localizadas em Manaus. Segundo a universidade, a medida foi adotada devido ao “agravamento das condições de qualidade do ar” e busca resguardar a saúde da comunidade acadêmica diante do cenário de poluição atmosférica.

As atividades podem ser realizadas remotamente. A universidade informou ainda que a decisão foi tomada nesta quinta porque havia previsão de ventos durante a madrugada que poderiam melhorar a qualidade do ar, o que não ocorreu. Serviços essenciais e atividades que não podem ser interrompidas ou executadas a distância foram mantidos, com recomendação de medidas de proteção e segurança respiratória.

A UEA também decidiu transferir para o formato remoto as atividades acadêmicas e administrativas de todas as unidades da instituição em Manaus durante os turnos da manhã, tarde e noite desta quinta-feira.

Em comunicado, a universidade afirmou que a decisão considera “as condições ambientais e os dados relacionados à qualidade do ar” e tem como objetivo preservar a saúde e o bem-estar da comunidade acadêmica. A instituição informou que o cenário continuará sendo acompanhado pelo Comitê de Mudanças Climáticas da UEA e que novas orientações poderão ser divulgadas conforme a evolução das condições ambientais.

A fumaça que cobre Manaus ocorre em meio a queimadas no interior do Amazonas e incêndios registrados na própria capital. Na noite de quarta-feira (7), a Prefeitura de Manaus informou que a concentração média de MP2,5 estava em 114,6 µg/m³, nível classificado como “muito ruim”. Segundo a Defesa Civil municipal, parte da fumaça que chegava à cidade era proveniente de queimadas em Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.

De acordo com a prefeitura, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicavam 749 focos de calor no Amazonas na quarta-feira, dos quais dois estavam localizados em Manaus. A capital também enfrenta um incêndio em uma área de vegetação e descarte irregular de resíduos no Distrito Industrial 2, na zona Leste.

A persistência da fumaça e os elevados níveis de material particulado levaram as universidades a adotar medidas para diminuir a exposição da comunidade acadêmica. Partículas MP2,5 são especialmente preocupantes por terem dimensões reduzidas e conseguirem penetrar profundamente no sistema respiratório.

O Amazônia Plural entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para solicitar informações sobre as medidas de apoio do governo federal no combate às queimadas no Amazonas e aguarda retorno.

Foto: reprodução

Compartilhe

Postagens Relacionadas

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais lidos

Assine nossa Newsletter

Receba as últimas notícias diretamente no seu e-mail. Não fazemos Spam
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
error: Conteúdo Protegido !!