O partido Rede Sustentabilidade emitiu, na última quinta-feira, 5, nota em defesa da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que tem sofrido ataques de políticos nos últimos dias, por conta da não liberação das obras de revitalização da BR-319 (Amazonas / Rondônia), sem a garantia de medidas efetivas de proteção à floresta amazônica naquele perímetro.
A estrada tem o trecho central intrafegável há cerca de 20 anos e é o único acesso, por via terrestre, do Amazonas e de Roraima, ao restante do País. Sua revitalização depende da realização de estudos, como EIA-RIMAs , de impacto ambiental, e do estabelecimento de ações que evitem problemas similares aos que ocorrem em vários pontos da Amazônia, como o desmatamento e queimadas ilegais, entre outros crimes ambientais que têm causado prejuízos não só à floresta, mas aos povos tradicionais que nela habitam.
Nas últimas semanas, os debates em torno da BR-319 foram intensificados e autoridades políticas têm feito pressão sobre Marina Silva, pela liberação da obra.
Veja a nota na íntegra:
A classe política amazonense, que está no poder há mais de 40 anos, grita, aponta o dedo e engrossa a voz para uma mulher amazônida que defende e reforça a importância do bioma em todos os lugares em que ocupa, sejam eles no Brasil ou em debates internacionais sobre clima.
A BR-319 é o principal palanque eleitoral dos pseudo-defensores do “progresso” no Amazonas. O senador Omar Aziz esbraveja, o governador Wilson Lima engrossa a voz e o deputado Sinésio Campos aponta o dedo na direção de uma mulher, mas não fizeram isso quando o ministro era um homem, Ricardo Salles, condenado por crimes ambientais.
O mesmo não ocorreu com o ex-presidente Bolsonaro e seu vice-presidente Hamilton Mourão, cuja gestão foi marcada por manifestações públicas de deboche sobre pessoas sem oxigênio em Manaus, nesta mesma gestão vacinas que iriam para o Amazonas chegaram no Amapá, por uma falta de conhecimento básico sobre o Norte do país.
Mourão chegou a dizer que comeria a sua boina se não asfaltasse a BR 319. Não vimos os senadores Omar, Braga, muito menos Plínio Valério cobrarem o seu colega de Senado para efetuar a promessa.
Infelizmente o asfaltamento da BR-319 por muito tempo foi considerado pela opinião pública amazonense como fator definitivo para o desenvolvimento econômico no estado. No entanto, essa tese não é reforçada pelas centenas e milhares de ribeirinhos, moradores do interior do Estado e atravessadores que vivem durante gerações utilizando nossa grande bacia hidrográfica como estrada.
A boa vontade política aliada aos Institutos que realizam previsões constantes sobre o comportamento dos rios seriam ideais, não para impedir a estiagem, que é reflexo de ações climáticas e humanas globais, mas podem de maneira enérgica evitar o caos humanitário que se instala mais uma vez sob o Amazonas.
Um dos índices que reforça a abertura de estradas como inimiga da preservação é justamente a derrubada da floresta saltou de 216 km2 em 2020 para 480 km2 em 2022 depois que o ex-presidente Bolsonaro decidiu pavimentar a rodovia.
Os governantes dos últimos 40 anos são os verdadeiros responsáveis pelas mazelas que acontecem em nosso estado envolvendo deslizamentos, caos em abastecimento e saúde pública, entre outros desgovernos históricos que a memória dos mais de 14 mil amazonenses mortos pela covid-19 não nos deixa esquecer.
O projeto da BR 319 é complexo, requer estudos aprofundados, deve demonstrar viabilidade social, econômica e ambiental. Mesmo com desmonte da agenda ambiental pelo congresso nacional, a Ministra Marina Silva tem sido incansável no objetivo de reduzir o desmatamento na Amazônia. Apenas nos primeiros 9 meses de gestão o desmatamento caiu para 48% e no Amazonas 62%, resultado de muito trabalho e compromisso.
A classe política que se perpetua no poder, já tem o roteiro pronto. Atacar autoridades como a Marina e fugir das suas responsabilidades é importante para inflamar a ala bolsonarista e o sentimento de destruição que ela inspira.
São estratégias para disputa de votos nas próximas eleições com vídeos que sempre tiveram como essência, sobretudo, a arrogância e superioridade masculina na política, sao expressões de misoginia que infelizmente se perpetuam em diversas relações de poder dentro e fora da Amazônia.
Diante disso, a Rede Sustentabilidade Amazonas repudia as atitudes machistas e desrespeitosas com a Ministra Marina Silva.
Marina tem compromisso de vida com os amazônidas. Siga firme, Ministra Marina Silva, sua história não está entrelaçada a nomes como Chico Mendes a toa. A força da floresta e dos povos da floresta estão contigo!






