Para o especialista, reeducar é a chave para a manutenção do peso ideal após a parte terapêutica.
A reeducação alimentar e a adoção de hábitos de vida saudáveis são etapas fundamentais no processo de perda de peso e na manutenção do Índice de Massa Corporal (IMC) adequado. Essas medidas são essenciais para evitar o chamado “efeito sanfona”, especialmente em um contexto de uso crescente das canetas emagrecedoras. “Dietas orientaras, exercício físico e mudar o estilo de vida são fundamentais. A obesidade é uma doença crônica e precisa de qualidade de vida para ser combatida”, alerta o especialista em aparelho digestivo Sidney Chalub.
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Cirurgião e gastroenterologista, Chalub é especialista em cirurgia bariátrica, metabólica e em protocolos de emagrecimento. Ele alerta que o efeito sanfona, assim como a obesidade, provoca prejuízos significativos à saúde.
Pesquisas recentes indicam que o ato de emagrecer e engordar repetidas vezes gera impactos metabólicos, cardiovasculares e psicológicos, podendo levar, inclusive, ao desenvolvimento de quadros depressivos.
Quando a bariátrica é indicada
Entre os procedimentos com maior demanda no Amazonas está a cirurgia bariátrica. Segundo Chalub, o método é indicado, geralmente, para pacientes com IMC acima de 40 ou a partir de 35, quando há comorbidades associadas e agravadas pela obesidade.
“A cirurgia bariátrica é uma das alternativas de equipe multiprofissional que atua no atendimento a pessoas com obesidade. Mas, é preciso acompanhamento para não voltar a ter ganho de peso após o tratamento. Se não se reeducar, o ganho de peso ocorre em seguida. O uso de canetas (emagrecedoras) pode não controlar a obesidade se não houver acompanhamento posterior”, alertou.
“Uma pessoa é considerada com obesidade grau 1 a partir de um IMC de 35. Já o sobrepeso é reconhecido a partir de um IMC de 25. Para calcular o IMC, basta dividir o peso pela altura e apertar o comando igual (=) na calculadora duas vezes”, exemplificou.
Sobrepeso no Amazonas
No Amazonas, cerca de 70% da população apresenta sobrepeso ou obesidade, percentual considerado elevado pelo especialista.
De acordo com Chalub, a obesidade está associada a um conjunto de fatores sociais, econômicos e ambientais que influenciam diretamente os hábitos alimentares e o estilo de vida, especialmente entre as populações mais vulneráveis.
Pessoas de baixa renda, explica o cirurgião, enfrentam maior dificuldade de acesso a alimentos com boa qualidade nutricional e acabam recorrendo com mais frequência a produtos ultraprocessados e industrializados, ricos em gordura e pobres em nutrientes, o que favorece o ganho de peso.
“Entre as populações mais pobres, o acesso a alimentos saudáveis, como frutas, legumes e proteínas de qualidade, costuma ser limitado, seja pelo preço elevado, seja pela dificuldade de oferta em determinadas regiões”.
Na região amazônica, Chalub também chama atenção para o consumo excessivo de farinha de mandioca, alimento com alto teor calórico e índice glicêmico elevado.
O especialista reforça que o acúmulo de gordura no organismo provoca inflamações, dores e mal-estar, além de representar um importante fator de risco para doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer.






