Lula supera Flávio Bolsonaro em volume de votos na Amazônia Legal, mas fica atrás em cinco dos nove estados da região

O primeiro turno da eleição presidencial revelou uma Amazônia Legal politicamente dividida. Lula, do PT, obteve 7.698.584 votos na região, enquanto Flávio Bolsonaro, do PL, obteve a predileção de 7.547.058 eleitores no primeiro turno das eleições gerais, ocorrido no último domingo, 4. A diferença entre os candidatos foi de 151.526 votos. Apesar disso, o candidato bolsonarista venceu em cinco dos nove estados da região: Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso. O petista ficou à frente no Amapá, Pará, Maranhão e Amazonas. Lula e Flávio disputam a vaga à Presidência da República em segundo turno, no próximo dia 25.

Os números foram calculados a partir dos resultados estaduais da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nacionalmente, Flávio terminou o primeiro turno com 56.104.503 votos, ou 47,03% dos válidos, e Lula recebeu 53.879.538, equivalentes a 45,16%.

Leia também: Flávio Bolsonaro e Lula vão ao segundo turno na disputa pela Presidência da República

A Amazônia Legal respondeu por aproximadamente 14,3% de todos os votos recebidos por Lula no país. No caso de Flávio, cerca de 13,5% de sua votação nacional veio dos nove estados amazônicos. O peso da região foi proporcionalmente maior na votação do petista.

A soma também mostra como os grandes colégios eleitorais amazônicos compensaram parte das amplas derrotas de Lula nos estados em que o bolsonarismo é mais forte. Flávio teve vantagens superiores a 35 pontos percentuais em Roraima, Rondônia e Mato Grosso, mas Lula abriu uma diferença de mais de 1,3 milhão de votos somente no Maranhão.

Roraima dá maior percentual a Flávio; Maranhão concentra força de Lula

Roraima foi o estado da Amazônia Legal que proporcionalmente mais votou em Flávio Bolsonaro. O candidato do PL recebeu 231.322 votos, correspondentes a 71,06% dos válidos. Lula teve 74.420, ou 22,86%. A vantagem de Flávio chegou a 48,2 pontos percentuais.

O resultado está alinhado ao perfil político recente do estado. Roraima manteve nos últimos anos forte presença de grupos associados à direita e ao bolsonarismo. Na eleição estadual deste domingo, Arthur Henrique (PL), apoiado publicamente por Flávio Bolsonaro e pelo ex-governador Antonio Denarium (Republicanos), foi eleito governador.

No extremo oposto está o Maranhão. Lula recebeu 2.566.301 votos, ou 63,99% dos válidos, seu maior percentual entre os nove estados da Amazônia Legal. Flávio ficou com 1.239.040 votos, ou 30,90%. Foi também no Maranhão que Lula construiu sua maior vantagem absoluta na região: 1.327.261 votos.

O estado tem uma relação política histórica mais favorável ao campo de Lula. O governador Carlos Brandão manteve apoio ao presidente na campanha eleitoral. Na disputa estadual, Lula apoiou diretamente Felipe Camarão (PT), enquanto Brandão lançou outro candidato à sucessão, mas continuou pedindo votos para o petista na eleição presidencial.

Pará, maior eleitorado da região, prefere Lula

O Pará, maior colégio eleitoral da Amazônia Legal, teve Lula na primeira colocação. O presidente recebeu 2.427.237 votos, equivalentes a 49,91% dos válidos. Flávio alcançou 2.163.957, ou 44,50%. A diferença foi de 263.280 votos a favor do petista. O grupo do ex-governador Helder Barbalho (MDB), que deixou o governo para concorrer ao Senado, manteve proximidade institucional e política com Lula.

Roraima, menor eleitorado, escolhe Flávio

Na outra ponta está Roraima, no extremo Norte do País, o menor colégio eleitoral entre os nove estados da Amazônia Legal. Apesar do menor volume absoluto, foi justamente ali que Flávio alcançou sua maior votação proporcional regional: 231.322 votos (71,06%), contra 74.420 (22,86%) de Lula.

A comparação com o Pará mostra como o tamanho do eleitorado interfere no peso nacional dos resultados. Embora Flávio tenha ultrapassado 70% em Roraima, seus 231 mil votos no estado correspondem a menos de um décimo dos 2,42 milhões obtidos por Lula no Pará.

Além de Roraima, Flávio registrou percentuais elevados em Rondônia, Mato Grosso e Acre. Em Rondônia, foram 652.988 votos para Flávio, ou 67,45%, contra 250.667 para Lula, ou 25,89%. A predominância da direita também apareceu na eleição estadual: Marcos Rogério (PL) foi eleito governador no primeiro turno, com 56,86% dos votos válidos.

No Mato Grosso, Flávio recebeu 1.298.581 votos (65,15%), enquanto Lula somou 581.681 (29,18%). O estado tem forte presença do agronegócio e consolidou nos últimos ciclos eleitorais uma preferência majoritária por candidaturas de direita. O então governador Mauro Mendes (União Brasil) deixou o Executivo para disputar o Senado e foi eleito neste domingo; a outra cadeira ficou com Zé Medeiros, do PL.

No Acre, Flávio chegou a 302.807 votos (64,56%), diante de 134.770 (28,73%) de Lula. O estado também manteve predominância de forças de direita na disputa local.

Já no Tocantins, a diferença foi bem menor. Flávio recebeu 469.321 votos, ou 50,44%, contra 404.009, ou 43,42%, de Lula. O resultado representou uma mudança em relação a 2022, quando o petista havia vencido no estado.

Lula vence três disputas apertadas no Norte

Fora do Maranhão, as vitórias de Lula na Amazônia Legal foram bem mais estreitas. No Amazonas, o petista recebeu 1.046.996 votos, ou 48,23%, contra 976.764 de Flávio, equivalente a 45%. A diferença foi de 70.232 votos. A disputa estadual também reproduziu, em parte, a polarização nacional para o segundo turno: Omar Aziz (PSD), apoiado por Lula, enfrenta Maria do Carmo Seffair (PL), ligada ao palanque de Flávio.

No Amapá ocorreu o resultado mais apertado de toda a região. Lula recebeu 212.503 votos (45,71%) e Flávio, 212.278 (45,67%). Apenas 225 votos separaram os dois candidatos. O governador Clécio Luís (União Brasil), ligado ao grupo do senador Davi Alcolumbre (União Brasil), perdeu a reeleição neste domingo para Dr. Furlan (PSD). A eleição também derrotou Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo Lula no Congresso, na disputa pelo Senado.

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