Indígena Guarani Kaiowá é morto em ataque à área de disputa de terras no Mato Grosso do Sul

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O indígena Guarani Kaiowá identificado como Vicente Fernandes Vilhalva, 36, foi morto, no último domingo, 16, após um ataque de homens armados na comunidade de Pyelito Kue, em Iguatemi (MS). A morte ocorreu em meio a um contexto de retomada territorial iniciada dias antes pelo grupo indígena na área de disputa de terras. A informaçãouu foi confirmada pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), que manifestou “profundo pesar” pelo ocorrido e classificou a ação como ataque de pistoleiros.

O indígena foi morto com um tiro na cabeça, em um período em que o Brasil sedia a COP30, maior evento sobre mudanças climáticas do mundo realizado pela ONU (organização das Nações Unidas) e que tem sido palco de inúmeras manifestações dos povos originários como cobrança pela garantia de seus direitos e pela demarcação de terras no País.

Leia também: Lula diz que COP30 não seria viável sem Cúpula dos Povos

De acordo com o MPI, equipes do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (DEMED/MPI), em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), já atuam na região. Os órgãos acionaram as forças de Segurança Pública responsáveis e acompanham as medidas adotadas pelas instâncias federais para apurar o caso.

O ministério cobrou investigação rigorosa e articulação entre autoridades para enfrentar grupos armados que operam na região sul de Mato Grosso do Sul. Segundo a pasta, a escalada de violência reforça a urgência de políticas que garantam proteção aos povos indígenas e aos seus territórios.

No último dia 3 de novembro, o governo federal havia instituído um Grupo de Trabalho Técnico (GTT) para subsidiar ações de mediação de conflitos fundiários envolvendo comunidades indígenas no estado. A força-tarefa reúne o MPI, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O grupo vem realizando reuniões semanais para levantamento de informações sobre áreas públicas e privadas, com o objetivo de construir soluções definitivas para disputas que têm atingido principalmente os povos indígenas.

As retomadas Guarani Kaiowá na região se intensificaram nos últimos meses. De acordo com o MPI, comunidades locais tentam conter a pulverização de agrotóxicos, que estaria provocando adoecimento e insegurança hídrica e alimentar.

Na nota, o ministério afirma que a morte ocorre justamente no momento em que a relevância dos povos indígenas para a mitigação climática ganha destaque internacional, especialmente durante debates ligados à COP30. O órgão avalia que o episódio evidencia a continuidade da violência contra defensores do meio ambiente no país. O MPI afirmou solidariedade à família, aos amigos e à comunidade Guarani Kaiowá.

APIB

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) informou em suas redes sociais que acionou com urgência o Sistema Interamericano e Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) diante do que a entidade classificou como um ataque brutal ocorrido na manhã de ontem, na retomada Pyelito Kue.

“A comunidade Guarani Kaiowá despertou sob o som de tiros disparados por fazendeiros, um ataque covarde que resultou na morte da liderança Vicente Fernandes Kaiowa dentro da sua própria terra. Enquanto o mundo discute soluções climáticas em Belém, a APIB reforça que não há justiça climática sem justiça para os povos indígenas, que seguem sendo os principais guardiões dos territórios e os primeiros alvos da violência”.

Foto: Apib / Instagram

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