Hospital Santa Júlia revisa atestado de óbito e altera causa da morte de Benício Xavier, de 6 anos

O Hospital Santa Júlia modificou, através de uma revisão do atestado de óbito, a causa da morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ocorrida no último dia 23, na unidade hospitalar privada de Manaus, após receber adrenalina intravenosa no lugar de nebulização. O menino, que deu entrada com tosse seca e suspeita de laringite, teve seis paradas cardiorrespiratórias na UTI da instituição antes de morrer. A Polícia Civil do Amazonas apura, entre as linhas de investigação, a possibilidade de homicídio doloso por erro médico.

A certidão de óbito emitida na data da morte da criança, na UTI Pediátrica (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Santa Júlia, apontava como causa do óbito quadro de síndrome respiratória grave, edema agudo de pulmão, parada cardiorrespiratória e laringite aguda. O documento foi assinado pela médica pediatra Alexandra Procópio.

Leia também: Caso Santa Júlia: hospital conclui investigação interna sobre morte de menino de 6 anos

A segunda certidão de óbito, dessa vez alterada, foi emitida dois dias após a morte de Benício, junto a uma ficha de revisão e aponta que a principal causa da morte foi intoxicação por drogas que afetam o sistema nervoso central, seguida por parada cardíaca e edema pulmonar. O documento também atesta que o caso não era terminal ou irreversível e que a morte foi causada por aplicação por via inadequada de medicamento.

A adrenalina foi administrada no menino Benício pela técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia, após ser prescrita pela médica Juliana Brasil, que não tinha título de pediatra. Em uma conversa privada com outro médico do hospital, na data do atendimento a Benício, a médica admite que errou a prescrição e demonstra desespero com o quadro do menino.

Leia também: Caso Santa Júlia: médica admite em mensagens ter errado prescrição que antecedeu a morte de Benício

O delegado Marcelo Martins, titular do 24o DIP (Distrito Integrado de Polícia), que conduz a investigação, atua com quatro linhas de apuração. Elas abordam aspectos como suspeita de erro médico e resultado de homicídio doloso; erros de intubação no atendimento à vítima; falhas no sistema de gestão interno do hospital, já que a defesa alega que o sistema alterou a prescrição de nebulização para aplicação intravenosa automaticamente; responsabilidade da direção do hospital por permitir estrutura inadequada de atendimento com ausência de profissionais, uma vez que um único enfermeiro estava no plantão para atender a vários setores; o não cumprimento de protocolos de segurança do paciente, considerando que não havia farmacêutico no setor de dispensação da adrenalina e a prescrição não foi revisada, entre outros. A técnica Raiza também tem a responsabilidade apurada no inquérito.

Atualização de depoimentos

Marcelo Martins informou, nesta quarta-feira, 10, que novas testemunhas foram ouvidas esta semana, como a farmacêutica de plantão no hospital na data da morte de Benício, e que não estava no setor em que ele foi atendido para o preparo e liberação da adrenalina, e a chefe de enfermagem do Santa Júlia, que não estava no setor de Pronto Atendimento no ocorrido.

Agora, a investigação atuará para colher o depoimento dos funcionários do departamento de Tecnologia da Informação (TI) do Santa Júlia, uma vez que há a possibilidade de erro provocado pelo sistema de gestão hospitalar na geração da prescrição médica. “Solicitaremos uma medida cautelar pra periciar todas as camadas de dados do sistema do hospital e determinar se houve ou não defeito no sistema (para gerar a prescrição do medicamento), ou, se foi erro da médica (Juliana Brasil)”, afirmou o delegado.

Manutenção do habeas corpus

Marcelo Martins foi intimado, na última terça-feira, 9, pelo TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas), através da 1a Câmara Criminal, setor em que tramita o habeas cospus preventido concedido à Juliana Brasil, para informar sobre o andamento da investigação.

Ele entregou à Justiça uma petição com as informações sobre depoimentos e linhas de investigação e aguarda decisão sobre manutenção ou não da liberdade da médica durante o andamento do inquérito policial. A prisão dela foi solicitada, há alguns dias, e foi negada a partir da manobra antecipadca da defesa. A técnica de enfermagem Raiza Bentes também solicitou o benefício, que foi negado pela Justiça.

Raíza também foi afastada das atividades pelo Conselho Regional de Enfermagem. No caso da médica Juliana Brasil, um procedimento interno instaurado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) está em andamento, ainda sem resposta à sociedade.

O Amazônia Plural procurou a assessoria do Hospital Santa Júlia para informar detalhes sobre a revisão da certidão de óbito da criança e aguarda retorno.

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