Fumaça que encobre Manaus vem do Pará; estado concentra 63% das queimadas na Amazônia Legal em novembro

Por Ana Carolina Barbosa – do Amazônia Plural

O Pará registou, nos primeiros dois dias de novembro, 1041 focos de queimadas, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), gerados a partir de monitoramento via satélite. O número corresponde a 63,09% de todas as ocorrências dessa natureza nos nove estados da Amazônia Legal no período. Uma das consequências do alto volume de focos de calor, é a densa fumaça que se desloca do estado vizinho, e encobre Manaus, capital do Amazonas, há pelo menos quatro dias.

Sobre a fumaça, que tem sido constante na cidade, o governador do Amazonas, Wilson Lima, confirmou que, agora, a causa são os incêndios no estado vizinho e disse que o Pará começa a sentir os efeitos da forte estiagem que afeta a bacia amazônica e que já é considerada histórica.

“Hoje, mais uma vez, a cidade de Manaus amanheceu com muita fumaça , comprometendo a qualidade do ar. Estamos trabalhando muito aqui na região metropolitana e no interior”, assegurou, referindo-se ao combate aos incêndios florestais.

Segundo dados do Inpe, nos primeiros dois dias de novembro deste ano, o Amazonas registrou 20 focos de queimadas. Foi o terceiro estado com o menor número de ocorrências, perdendo apenas para Rondônia, com 19, e para o Acre que, até o momento, não registrou focos de queimadas em seu território.

Depois do Pará, o estado com o maior volume de focos foi Mato Grosso, com 265, seguido do Maranhão, com 123, Amapá, com 112, Tocantins, com 38, e Roraima, com 32.

Queimadas em Outubro

Em outubro, o Amazonas registrou o maior número de focos de queimada para o período, desde o início da série história do Inpe, em 1998. Foram 3858 ocorrências, mais que o dobro registrado no mesmo período de 2022, quando houve 1503 ocorrências. Este ano, maior parte dos focos ativos ocorreu no Sul do estado e na Região Metropolitana de Manaus (RMM).

Uma ação conjunta do Governo do Estado e Governo Federal, através do Ibama e das Forças Armadas, além da ocorrências pontuais de chuva no Estado, resultaram na redução dos incêndios florestais no Estado.

Nesta sexta-feira, o governador Wilson Lima informou que, em outubro, cerca de 700 pontos de calor foram localizados a partir do monitoramento do Governo do Amazonas. Em contrapartida, nos últimos dias, menos de dez estavam ativos, redução atribuída a um intenso trabalho realizado por brigadistas e pela equipe envolvida no combate aos incêndios florestais.

De acordo com Lima, mais de 100 pessoas foram presas por crimes ambientais no Amazonas nas últimas semanas e cerca de R$ 140 milhões em multas foram aplicadas. “O que estamos sofrendo hoje é uma injustiça climática. O Amazonas e a Amazônia não são os maiores poluidores do mundo”, assegurou, rebatendo eventuais críticas à política ambiental desenvolvida na região.

Qualidade do ar

De acordo com o índice global de qualidade do ar medido pela aqic.org, Manaus é a cidade com o maior nível de poluição no País, nesta sexta-feira, 3/11, chegando à marca de 162, acima da média brasileira de 119. Acima de 151, o nível é considerado não saudável e insalubre, acarretando riscos à saúde da população.

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