A estiagem de 2026 já atinge 278.775 famílias no Amazonas, um dos estados da Amazônia Legal, e mantém 37 dos 62 municípios do estado em situação de emergência. Outros 15 estão classificados em alerta e dez em atenção. Nenhuma cidade aparece em situação de normalidade, segundo o boletim da Operação Estiagem atualizado na quinta-feira (15).
Manaus está entre os municípios em alerta. Na lista de emergência aparecem cidades de diferentes regiões do estado, entre elas Autazes, Coari, Lábrea, Manacapuru, Maués, Parintins, Presidente Figueiredo, Tefé e Tonantins.
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O levantamento também dimensiona a pressão das queimadas durante o período de seca. Entre 1º de julho e 14 de outubro, o Amazonas acumulou 7.718 focos de calor, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Desse total, 3.696 foram registrados na região Sul do estado e 1.992 na Região Metropolitana.
Mais de 22 mil focos de incêndio combatidos
O Corpo de Bombeiros contabiliza 22.246 focos de incêndio combatidos entre 1º de junho e 14 de outubro. A maior parcela está no interior, onde foram 17.682 ocorrências. Na capital, foram 4.564.
As ações de fiscalização resultaram ainda em 610 autos de infração e 421 embargos, que alcançaram uma área de 65,2 mil hectares. O valor das multas aplicadas por descumprimento da legislação ambiental chegou a R$ 167 milhões.
Segundo o boletim, cerca de mil bombeiros e brigadistas atuam na operação. O apoio federal inclui sete aviões Air Tractor, um KC-390 e três helicópteros empregados nas regiões afetadas pelos incêndios.
O Estado também informa que está selecionando outros 153 brigadistas florestais por meio do Programa Floresta em Pé. As ações de fiscalização da Operação Tamoiotatá alcançam 13 municípios, enquanto a Amazonas + Verde atua no combate a incêndios em 33 cidades.
Entre as medidas adotadas estão ainda a proibição do uso do fogo por 120 dias no Amazonas, ressalvadas as exceções legais, e decretos de emergência por 180 dias nas áreas afetadas por incêndios florestais e, por causa da estiagem, em todo o estado.
Rios continuam em processo de vazante
O boletim mostra que rios de diferentes calhas permanecem em processo de vazante. Em Manaus, o Rio Negro estava em 17,62 metros na medição mais recente apresentada no documento. O nível está 12,40 metros abaixo da cota de referência para emergência por cheia, de 30,02 metros, mas ainda 5,51 metros acima da referência de emergência para vazante, de 12,11 metros.
Em outros pontos monitorados, a situação também evidencia a descida dos rios. O nível registrado em Manacapuru era de 8,30 metros; em Lábrea, 4,56 metros; em Humaitá, 10,45 metros; e em Tabatinga, 2,06 metros.
Parintins apresentava cota de apenas 0,63 metro. O município tem como referência histórica de mínima a marca de -2,68 metros, registrada em novembro de 2024.
Calor pode passar dos 40°C
A previsão apresentada pela Defesa Civil indica que o tempo deve permanecer predominantemente seco em grande parte do Amazonas, especialmente nas regiões Leste e Sul. Entre os dias 15 e 18 de outubro, as temperaturas máximas devem ficar entre 36°C e 40°C nas porções Leste, Sudeste e Nordeste, podendo ultrapassar os 40°C pontualmente.
As chuvas mais significativas, entre 50 e 150 milímetros e com possibilidade de volumes superiores em alguns pontos, devem se concentrar nas regiões Central, Oeste, Noroeste e Sudoeste, principalmente nas calhas do Alto Rio Negro, Médio Solimões e Juruá.
O cenário mantém todo o Amazonas sob algum nível de atenção relacionado à estiagem. Com 37 municípios em emergência, 15 em alerta e dez em atenção, o boletim não registra nenhuma das 62 cidades do estado em situação de normalidade.
Foto: RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL






