Três vezes vencedor do prêmio Jabuti, o escritor amazonense Milton Hatoum tomou posse na cadeira 6 da Academia Brasileira de Letras, na última sexta-feira, 24 de abril, na sucessão do jornalista Cícero Sandroni, morto em junho do ano passado.
A cerimônia foi realizada no Petit Trianon, na sede da ABL.
Milton é o primeiro membro amazonense da ABL. Quando foi eleito, em agosto do ano passado, disse que pretende continuar fazendo o que faz há mais de 30 anos: falar sobre literatura e a importância da leitura aos jovens, sobretudo nas escolas e universidades, além do público, de modo geral.
“Quero trazer a literatura para o cotidiano das pessoas. A ABL é uma instituição muito séria, com um valor simbólico muito forte. Foi fundada pelo maior escritor da América Latina no século XIX, Machado de Assis, um dos maiores escritores de língua portuguesa.”
Ao longo de sua trajetória, Hatoum escreveu nove livros de ficção, dentre eles os romances Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte (Companhia das Letras), vencedores do Prêmio Jabuti. Também é responsável por coletâneas de contos e crônicas. Ao todo, tem mais de 500 mil exemplares vendidos em 17 países.
Milton Hatoum
Milton Hatoum nasceu em Manaus, em 1952. Em 1968, mudou-se para Brasília, onde estudou no CIEM (Colégio de Aplicação da UnB). Morou toda a década de 1970 em São Paulo e diplomou-se em arquitetura na FAU(USP), onde desenvolveu uma pesquisa sob a orientação do geógrafo Prof. Dr. Milton Santos. Em 1978-79 foi professor de história da arquitetura na Universidade de Taubaté.
Em 1980 morou em Madri, como bolsista do Instituto Ibero Americano de Cooperación. Entre 1981 e 1983 morou em Paris, onde cursou mestrado em literatura latino-americana. De 1984 a 1998 foi professor de língua e literatura francesa na Universidade Federal do Amazonas.
Em 1999 mudou-se para São Paulo, onde foi colunista do Caderno 2 (O Estado de S. Paulo) entre 2008 e 2016. Foi colunista do jornal O Globo, do site Terra Magazine e da revista Entre livros.
Foi professor visitante da Universidade da California (Berkeley) e da Sorbonne, bolsista da Fundação Vitae (1988), da Maison des Écrivains Étrangers (Saint-Nazaire/França) e escritor residente das Universidades Yale e Standford e do InternationalWritingProgram (Iowa/EUA). Participou de seminários e fez conferências em várias instituições e universidades europeias (Sorbonne, Rennes, Poitiers), norte-americanas (Biblioteca do Congresso, Berkeley, Princeton, Yale) e libanesas (Saint-Joseph, American University).
Em 2000, publicou o romance Dois irmãos (indicado para o Impac-Dublin LiteraryAward, 2004), eleito o melhor romance brasileiro no período 1990-2005 em pesquisa feita pelos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. O título foi publicado em Argentina, Alemanha, China, Espanha, Estados Unidos, Itália, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Líbano, Portugal, República Tcheca e Sérvia. “Dois irmãos” foi adaptado para o audiovisual (minissérie da TV Globo, direção de Luiz Fernando Carvalho, roteiro de Maria Camargo).
Em 2005, o romance Cinzas do Norte obteve o Prêmio Portugal Telecom, Grande Prêmio da Crítica/apca-2005, Prêmio Jabuti/2006 de Melhor Romance, Prêmio Livro do Ano da CBL e Prêmio Bravo! de Literatura. Em 2008, recebeu do Ministério da Cultura do Brasil a medalha da Ordem do Mérito Cultural. Em 2010, a tradução inglesa de “Cinzas do Norte” (Ashes of theAmazon, Bloomsbury, 2008) foi indicada para o Prêmio Impac-Dublin.
Em 2008, publicou seu quarto romance, “Órfãos do Eldorado” (Prêmio Jabuti –2º lugar na categoria Romance). Foi adaptado para o cinema (direção e roteiro de Guilherme Coelho). Em 2009, lançou o livro de contos “A cidade ilhada”, que inspirou o filme “O rio do desejo”, dirigido por Sergio Machado.
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Em 2013, publicou “Um solitário à espreita”, uma seleção de crônicas publicadas em jornais e revistas.
Em 2017 Hatoum foi nomeado Officier de l’OrdredesArts et des Lettres pelo Ministério da Cultura e da Comunicação da República Francesa.
Recebeu o Prêmio Juca Pato/Intelectual do ano (União Brasileira dos Escritores/UBE/2018) pelo romance A noite da espera – primeiro volume da trilogia O lugar mais sombrio. Ainda em 2018 recebeu em Paris o Prix Roger Caillois 2018 pourlaLittérature Latino-Américaine (Maison de l’Amérique Latine/PenClub France).
Em 2019, lançou “Pontos de fuga”, segundo volume da trilogia “O lugar mais sombrio.”
Em parceria com o filósofo e crítico literário Benedito Nunes, publicou “Crônica de duas cidades: Belém e Manaus” (2006/Secult-PA), a ser relançado pela Companhia das Letras, editora das obras do autor.
Os livros de Hatoum já ultrapassam 500 mil exemplares vendidos, foram publicados em 17 países, e contam com uma extensa fortuna crítica no Brasil e no exterior. Traduziu para o português “A cruzada das crianças” (Marcel Schwob), Representações do Intelectual (Edward Said) e, em parceria com Samuel Titan, Três contos (Gustave Flaubert).
Hatoum tem publicado também ensaios e artigos sobre literatura brasileira e latino-americana em revistas e jornais do Brasil, da Espanha, França e Itália. Alguns de seus contos e ensaios saíram nas revistas Europe, Nouvelle Revue Française (França), Grand Street (Nova York), Quimera (México) e Serrote. Participou de várias antologias de contos brasileiros organizadas na Alemanha e no México, e da Oxford Anthology of theBrazilian Short Story.
No final do ano passado, lançou, pela Companhia das Letras, “Dança de enganos”, último volume da trilogia “O lugar mais sombrio”.
Segue também sua atividade de escritor convidado para ministrar cursos e conferências em universidades e institutos do Brasil e do exterior.
*Com informações da ABL
Foto: Milton Hatoum/ Instagram






