Delegado do Amazonas diz não ter dúvidas que o crime organizado entrou na estrutura do poder público 

O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), disse não ter dúvidas de que o crime organizado se infiltrou no poder público. A declaração foi dada no âmbito da operação deflagrada pela Polícia Civil, nesta sexta-feira, 20, no Amazonas e outros quatro estados brasileiros, e que teve como alvo servidores públicos que integram o núcleo político da facção criminosa Comando Vermelho. Entre os 14 presos, está Anabela Cardoso, ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). Os crimes investigados são lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e corrupção.

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Foram decretados 23 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão no âmbito da operação Erga Omnes. Pelo menos R$ 70 milhões foram movimentados, desde 2018, pela organização criminosa, sendo R$ 9 milhões só em 2025.

Funcionários e ex-funcionários de pelo menos três esferas de poder estão entre os alvos: Prefeitura de Manaus, Câmara Municipal de Manaus, Assembleia Legislativa do Amazonas e Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam). Um policial militar também foi preso. Além de corrupção ativa e passiva, parte dos suspeitos deve responder também por violação de sigilo funcional.

Dos 14 pesos na manhã de hoje, oito estavam em Manaus e os demais no interior do Amazonas e em outros estados brasileiros. Os mandados são cumpridos também no Pará, Piauí, Maranhão, São Paulo e Ceará.

Investigação 

Marcelo Martins explicou que as investigações tiveram início em agosto de 2025, a partir de uma grande apreensão de drogas no bairro Educandos, em Manaus. Na ocasião, oito fuzis também foram localizados. 

A polícia aponta como chefe da organização criminosa o traficante Allan Kleber Bezerra Lima, vinculado ao Comando Vermelho e que está foragido. A esposa dele, Antônia Fabiane, foi presa na manhã desta sexta-feira, no interior do estado de São Paulo. 

Conforme a Polícia Civil, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou inúmeras movimentações financeiras atípicas em nome do suspeito. Ele também tinha em seu nome quatro empresas fantasmas.

A apreensão de celulares no decorrer da investigação apontou o envolvimento de outros atores no esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. 

Os entorpecentes eram oriundos de Tabatinga, cidade do Amazonas localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. 

As provas foram apresentadas ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e resultaram na expedição dos mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens na Justiça. 

“A presença de vários agentes públicos não é uma coincidência. Diz muito acerca do mesmo grupo criminoso. Esses agentes públicos estão operacionalizando para alguém. Queremos saber até que ponto vai a participação deles. Se tínhamos dúvidas de que o crime organizado entrou na estrutura do poder público, não temos mais”, afirmou Marcelo Martins.

Alvos 

Entre os funcionários públicos alvos da operação estão: Lucila Meireles Costa (falsa advogada, lobista e ex- assessora do vereador Rodrigo Guedes), Izaldir Moreno (funcionário do Tribunal de Justiça do Amazonas), Josafa Figueiredo (ex-assessor do vereado Raulzinho), Osimar Vieira do Nascimento (policial militar), Adrian Lima Almeida (advogada de Allan Kleber e ex-assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Amazonas), Núbia Oliveira (ex-assessora parlamentar do vereador Elissandro Bessa), além de Anabela Cardoso, ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida e membro da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. 

Prefeitura se manifesta 

A Prefeitura de Manaus esclareceu, em nota, que não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira, 20/2, pela Polícia Civil do Estado do Amazonas. Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação.

“A atual administração mantém compromisso absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública”.

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