David Almeida anuncia pré-candidatura ao Governo do Amazonas e critica adversários políticos

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciou na manhã desta segunda-feira, 23, sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas, nas eleições gerais deste ano. A declaração foi feita durante evento realizado no Confort Hotel, no Distrito Industrial, zona Leste da capital.

“A partir de agora, eu anuncio a minha pré-candidatura ao Governo do Estado do Amazonas”, declarou o prefeito, acompanhado de aliados políticos. Na ocasião, Almeida criticou a gestão do atual governador, Wilson Lima (UB), afirmou ter se sentido ameaçado pelo ex-aliado e agora pré-candidato ao Executivo estadual, Omar Aziz (PSD), e sustentou que a Operação Erga Omnes, deflagrada na última semana, teve como objetivo provocar desgaste político contra sua imagem.

“A decisão que eu tomo hoje é a mais difícil da minha vida, porque a cidade de Manaus me deu a oportunidade de ser duas vezes prefeito”, afirmou. Segundo Almeida, ele deixará o cargo em abril para cumprir o prazo legal de desincompatibilização, passando a chefia do Executivo municipal ao vice-prefeito Renato Júnior. “Saio do cargo deixando a Prefeitura nas mãos de um homem de valor. Deixo essa missão porque quero ir para uma missão maior”, disse.

Entre as motivações apresentadas para a pré-candidatura, o prefeito citou a possibilidade de uma futura aliança institucional entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus. Almeida informou que mantém articulações partidárias com PDT, Agir e MDB, legenda do senador Eduardo Braga, pré-candidato à reeleição. Sobre a definição do candidato a vice, limitou-se a afirmar que “as composições se darão no decorrer do processo”.

Operação Erga Omnes

Deflagrada na última sexta-feira, 20, pela Polícia Civil do Amazonas, a Operação Erga Omnes teve como alvo o núcleo político da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Entre os presos está a ex-chefe de gabinete de David Almeida, Anabela Cardoso Freitas. De acordo com a Polícia Civil, a organização teria movimentado cerca de R$ 90 milhões por meio de crimes como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e corrupção ativa e passiva.

Leia também: Delegado do Amazonas diz não ter dúvidas que o crime organizado entrou na estrutura do poder público 

Durante a coletiva, Almeida afirmou que Anabela é inocente e declarou ter tomado conhecimento prévio da operação em outubro do ano passado, durante reunião na casa de Omar Aziz, então seu aliado. Segundo o prefeito, não há provas que incriminem a ex-assessora e os valores apontados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que somam cerca de R$ 1,5 milhão, seriam compatíveis com a renda dela. Almeida disse que Anabela recebe pensão do ex-marido falecido, é investigadora da Polícia Civil e ocupa cargo na Prefeitura de Manaus, o que, segundo ele, resultaria em renda mensal aproximada de R$ 70 mil.

O prefeito confirmou ainda que usou sua influência política, acionando aliados para auxiliar na soltura da ex-chefe de gabinete e disse não ter tido acesso aos autos do processo. Almeida criticou a condução da operação e o delegado responsável, Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), alegando que uma transmissão ao vivo nas redes sociais antes da ação teria alertado um dos investigados, que permanece foragido e é considerado o chefe do tráfico de drogas do CV na região.

Para Almeida, a operação teve como objetivo sujar sua imagem. “Qual é o objetivo da operação? O tráfico de drogas e o Comando Vermelho. Que operação é essa que não apreendeu um traficante, não apresentou um carro apreendido, não apresentou um quilo de drogas, nem dinheiro? O delegado, ele tem um chefe de quadrilha e no dia da operação, ele faz uma live, 5h da manhã, pra anunciar ao bandido que está chegando. O bandido vai embora e ele vai pra casa de uma mulher que é servidora pública decente, honrada (disse, se referindo a Anabela). Não apreendeu nada. Ele tem três investigadores pra fazer uma investigação em sete estados. Alguém falou nome de traficando e do comando vermelho?”, questionou.

“Virou uma operação pra tentar sujar meu nome. Que culpa eu tenho de comprar passagem em uma agência de viagem que me foi indicada pelo vice-governador (do Amazonas), Tadeu de Souza? O estado está sendo instrumentalizado pra me atingir politicamente”, afirmou.

Questionado se estaria custeando a defesa de Anabela, Almeida disse que ela possui assessoria jurídica própria, mas acrescentou que, se necessário, “nós vamos ajudar”.

Ruptura com Omar Aziz

O prefeito também comentou o rompimento político com Omar Aziz, que é pré-candidato ao Governo do Amazonas. Meses atrás, Almeida havia afirmado que sua filha, ArYel Almeida, também filiada ao Avante, integraria a chapa do senador como candidata a vice, informação que não foi confirmada por Aziz e que contribuiu para o desgaste da aliança.

“Eu me senti intimidado e me senti ameaçado (pelo Senador). Sou independente e não sou hierarquicamente subordinado a ninguém. As minhas decisões são tomadas de acordo com as minhas convicções e consultando os meus aliados”, disse, sem detalhar as supostas ameaças.

Almeida afirmou ainda que respeita e admira Omar Aziz. “Mas, espero que ele continue no Senado, porque ele é um grande senador, governador não”. Omar Aziz já governou o Amazonas por duas vezes e exerce atualmente o segundo mandato consecutivo no Senado.

Foto: Frame – Internet

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