O anúncio da Petrobras sobre a identificação de hidrocarbonetos em um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas reacendeu o debate sobre a expansão da exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira. Referência internacional nos estudos sobre mudanças climáticas, o climatologista Carlos Nobre criticou a abertura de novas frentes de produção de combustíveis fósseis e defendeu uma redução acelerada do uso de petróleo, gás natural e carvão.
“Não há nenhuma justificativa para qualquer nova exploração de combustíveis fósseis, seja o petróleo, seja o gás natural ou o carvão. Nós temos que zerar rapidamente o uso de combustíveis fósseis em todo o mundo. Setenta e cinco por cento das emissões dos gases de efeito estufa vêm da queima dos combustíveis fósseis. É uma emergência imensa”, afirmou Nobre, em entrevista ao Jornal Nacional, na última sexta-feira, 14.
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A manifestação ocorre após a Petrobras informar, na sexta-feira (14), que identificou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas. A área está inserida na Margem Equatorial, considerada pela companhia uma nova fronteira para recomposição das reservas brasileiras de petróleo e gás.
O poço fica a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá e está sendo perfurado sob uma lâmina d’água de 2.886 metros. Segundo a Petrobras, a presença de hidrocarbonetos foi identificada a partir de perfis elétricos e de indícios encontrados nas rochas.
A constatação, porém, ainda não significa que já esteja definida a quantidade de petróleo disponível ou que a exploração comercial seja economicamente viável. A perfuração continua e novas análises serão necessárias para dimensionar a descoberta e avaliar o potencial da área.
Na contramão do que diz Carlos Nobre, o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) David Zylbersztajn avaliou que a presença de petróleo representa um resultado positivo para a exploração, mas ressaltou que a próxima etapa será justamente determinar a dimensão da reserva.
“Foi encontrado petróleo, sim. É uma notícia muito auspiciosa, porque agora a Petrobras vai continuar procurando no sentido de tentar verificar quanto de petróleo tem, quais são os limites dessa capacidade de produção desse poço”, afirmou.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, classificou o resultado como a primeira descoberta da companhia na costa do Amapá e afirmou que ele reforça as expectativas da estatal em relação à Margem Equatorial. A Petrobras detém 100% de participação no bloco FZA-M-59, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, realizada em 2013.
Segundo a estatal, as operações de perfuração permanecem em andamento para dar continuidade à avaliação exploratória. A companhia sustenta que a busca por novas reservas tem como objetivo contribuir para a segurança energética brasileira durante o processo de transição energética.
A avaliação de Nobre coloca em discussão justamente essa estratégia. Para o climatologista, a emergência climática exige redução da dependência mundial dos combustíveis fósseis, e não a abertura de novas áreas de exploração.
O debate contrapõe, de um lado, a estratégia de reposição das reservas de petróleo e manutenção da produção brasileira e, de outro, os alertas científicos sobre a necessidade de acelerar a transição para fontes de energia com menor emissão de gases de efeito estufa.
*Com informações do JN, Agência Brasil e Amazônia Plural






