O laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Amazonas, após análise do sistema de gestão interna do Hospital Santa Júlia, apontou falha humana na elaboração da prescrição de adrenalina intravenosa para o menino Benício Xavier de Freitas, 6. A criança morreu em novembro do ano passado, na unidade privada, após receber uma superdose do medicamento de forma intravenosa, quando a indicação para o quadro dele era por nebulização. A morte ocorreu após seis paradas cardíacas.
O laudo, liberado na última quinta-feira, 22, descartou falhas na plataforma. Foram cinco visitas técnicas ao hospital para avaliar o sistema entre dezembro e janeiro deste ano.
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Conforme a perícia, a plataforma tem como padrão para a prescrição de adrenalina a forma intravenosa, que pode ser alterada pelo médico, no ato da prescrição.
A falha no sistema era uma das teses da defesa da médica Juliana Brasil, responsável por prescrever a medicação intravenosa a Benício erroneamente.
Segundo a defesa, o sistema alterou automaticamente a prescrição digital de nebulização para aplicação intravenosa, o que não se confirmou na perícia.
“Essa perícia constatou que o sistema não apresentava nenhum defeito que alterasse a via de administração da medicação automaticamente. A perícia constatou que o erro foi humano”, disse o delegado Marcelo Martins, apontando para erro médico.
O exame pericial foi solicitado no âmbito do inquérito policial que investiga a morte do menino. A principal suspeita de homicídio doloso.
A defesa da médica Julian Brasil disse que ainda não teve acesso ao laudo para se manifestar.
Necropsia
A Polícia também aguarda o laudo de necropsia do IML (Instituto Médico Legal) que deve apontar a causa da morte.
Profissionais do Hospital Santa Júlia apontaram que a dose de adrenalina aplicada na criança era seis vezes maior que a indicada para um adulto com quadro de parada cardiorrespiratória, alteração que Benício não apresentava quando deu entrada no Hospital Santa Júlia.
A criança apresentava quadro de tosse seca e suspeita de laringite.
A polícia também avalia falhas nos protocolos de segurança do paciente aplicados pelo Santa Júlia, falta de insumos e de profissionais em setores importantes da unidade na data da morte de Benício.
Foto: divulgação






