Caso Melqui Galvão: campeã mundial de jiu-jítsu denuncia mais de uma década de abusos e expõe esquema de controle psicológico

A campeã brasileira e mundial de jiu-jítsu, Brenda Larissa, tornou público, em um vídeo de 20 minutos, divulgado nas redes sociais, no último dia 4, um relato de abusos sexuais e psicológicos que, segundo ela, se estenderam por 14 anos. As acusações recaem sobre o então instrutor Melqui Galvão, nome conhecido na modalidade no Brasil.

De acordo com a atleta, os episódios começaram quando ela tinha 12 anos, período em que vivia com a família em situação de vulnerabilidade social, e só cessaram em fevereiro deste ano. “Foram 14 anos de muito medo”, afirmou. Brenda e a irmã que, segundo ela, também foi vítima, registraram denúncia. Galvão foi preso na última semana, em Manaus, sob suspeita de crimes sexuais.

No relato, Brenda diz que conheceu o treinador por meio de um projeto social voltado a jovens. À época, sua mãe, que a criava sozinha, acreditou tratar-se de um ambiente seguro. “Ele viu que eu era dedicada e quis conhecer a minha história”, disse. A atleta relembra as dificuldades financeiras enfrentadas naquele período: “Eu caminhava uma hora para treinar. Às vezes, não tinha nem o que comer”.

Segundo ela, o treinador passou a oferecer apoio, como material esportivo, participação em competições, intermediação com patrocinadores e uma bolsa de estudos. Em contrapartida, teria imposto uma relação abusiva. “Ele disse que não era de graça. Que eu teria que pagar. E eu paguei da pior forma possível”, relatou.

Leia também: Professor de jiu-jitsu preso suspeito de crimes sexuais diz em áudio que tocou a barriga de uma das vítimas “por três segundos, no máximo”

A atleta afirma que os abusos se prolongaram por anos e que, aos 16, descobriu que outras alunas também eram vítimas. “Eu achava que era só eu vivendo aquilo”, disse. Ela sustenta ainda que o comportamento do treinador era percebido por pessoas do ambiente esportivo.

O relato descreve episódios de manipulação e controle. Brenda afirma que foi induzida a manter um relacionamento com outro aluno para encobrir os abusos. “Foi contra a minha vontade”, declarou.

Mesmo após se afastar fisicamente do instrutor, incluindo um período em São Paulo, onde passou a treinar em outra equipe e conquistou título mundial na faixa azul, ela afirma que continuou sendo alvo de pressão psicológica. “Ele nunca deixou de me controlar. Sempre mandava mensagens”, disse.

Durante a pandemia de Covid-19, ao retornar a Manaus para visitar a mãe doente, a atleta relata que voltou a ser pressionada a retomar os treinos com o treinador. Posteriormente, já em São Paulo, afirma ter sofrido retaliações após um desentendimento envolvendo seu então namorado, incluindo a perda de patrocinadores, no intuito de isola-la financeiramente.

Em outro episódio citado no relato, após reencontrá-la em um campeonato em Manaus, o instrutor teria enviado uma mensagem pedindo desculpas. “Me desculpa por não ter sido o pai que você merecia”, escreveu, segundo a atleta.

Brenda afirma que decidiu tornar o caso público como forma de alertar outras possíveis vítimas e encorajar denúncias.

Melqui Galvão, que também é policial civil, está preso e permanece na Delegacia-Geral de Polícia, em Manaus, enquanto o inquérito que apura as denúncias está em andamento. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do investigado.

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