A Polícia Federal assumirá a investigação sobre o ataque contra indígenas Yanomami ocorrido na comunidade Kahusik, na região do Parima, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (31) pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que informou que a corporação recebeu o boletim de ocorrência encaminhado pela Polícia Civil de Roraima e ficará responsável pela condução das investigações.
O caso ganhou repercussão após o registro de um ataque que deixou quatro crianças indígenas mortas e outros quatro feridos, conforme informações divulgadas anteriormente por lideranças Yanomami e por órgãos que acompanham a situação no território.
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Em nota, a Funai informou que acompanha o caso por meio da Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental (CFPE) Yanomami e Ye’kwana, em articulação com órgãos de segurança pública, saúde e representantes indígenas.
Segundo a Fundação, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami e Ye’kwana realizou a remoção aeromédica de cinco vítimas da região do Parima, no município de Alto Alegre (RR), para o Hospital Geral de Boa Vista. Antes da transferência, todos os pacientes receberam atendimento inicial no Centro de Referência em Saúde Indígena de Surucucu.
A Funai informou ainda que mantém equipes de indigenistas em campo para levantar informações que subsidiem a atuação conjunta dos órgãos envolvidos, além de realizar ações de mediação de conflitos e proteção às comunidades indígenas e às equipes que atuam na Terra Indígena Yanomami.
A Fundação destacou também que a atual gestão instituiu a Sala de Situação Yanomami (SSY), que reúne representantes da própria Funai, da Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kwana, do DSEI Yanomami e Ye’kwana, da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). O grupo tem como objetivo monitorar regiões de conflito e fortalecer a atuação integrada entre os órgãos federais.
De acordo com a nota, a Funai também vem intensificando ações de escuta qualificada e mediação intercultural e interinstitucional, em diálogo com associações e lideranças Yanomami, para construir estratégias voltadas à proteção das comunidades e ao fortalecimento das ações de controle e fiscalização no território.
A Fundação informou que continuará acompanhando o caso em conjunto com os órgãos responsáveis pela saúde, segurança e proteção dos povos indígenas, adotando as medidas cabíveis dentro de suas competências. A motivação do ataque e a autoria do crime ainda serão apuradas no inquérito conduzido pela Polícia Federal.
Polícia Civil diz que também irá investigar ataques e nega três das quatro mortes relacionadas ao caso
A Polícia Civil de Roraima informa que também instaurou procedimento para apurar as circunstâncias do conflito envolvendo indígenas Yanomami, ocorrido na região de Alto Alegre. A investigação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Alto Alegre, responsável pela circunscrição da área.
“Desde que tomou conhecimento do caso, a PCRR vem realizando diligências, incluindo levantamentos de informações, coleta de documentos e outras medidas investigativas. As oitivas dos familiares das vítimas, que estão hospedados na Casa de Saúde Indígena, em Boa Vista, já foram solicitadas e serão realizadas no decorrer da investigação”, informa a PC, em um trecho da nota.
Na tarde de quarta-feira (29), foi confirmado o quarto óbito relacionado ao ataque, o de uma criança indígena Yanomami, de sete anos, que estava internada no Hospital da Criança Santo Antônio em decorrência de ferimentos provocados por disparos de arma de fogo. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial, em razão do local do óbito, e foi requisitado exame necroscópico ao Instituto de Medicina Legal.
Até o momento, a Polícia Civil confirma apenas esse óbito relacionado à ocorrência. Apesar de a Associação Urihi Yanomami confirmar outras três mortes após o episódio, a Polícia Civil afirma que não há registro oficial no IML (Instituto Médico Legal) que comprove a informação sobre as primeiras três mortes, nem elementos suficientes para apontar autoria ou esclarecer a dinâmica dos fatos.
A PCRR ressalta que novas informações serão divulgadas à medida que as investigações avancem e os fatos forem oficialmente confirmados.
Foto: reprodução / Associação Urihi






