Amazonas é o segundo estado que mais desmatou em março, aponta Imazon

O estado do Amazonas registrou o segundo maior índice de desmatamento da Amazônia Legal em março de 2025, com 39 km² de floresta derrubados, o que representa 23% do total desmatado no mês. O dado consta no boletim mensal do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que monitora o avanço da destruição florestal na região.

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No total, foram registrados 167 km² de desmatamento em março, um aumento de 35% em relação ao mesmo mês de 2024, quando o Imazon contabilizou 124 km². Mato Grosso liderou o ranking, com 65 km², seguido pelo Amazonas (39 km²) e pelo Pará (29 km²). Juntos, os três estados concentraram 80% de toda a área desmatada no mês.

Ao longo dos últimos oito meses — de agosto de 2024 a março de 2025 — a Amazônia perdeu 2.296 km² de floresta, o que representa um crescimento de 18% em comparação ao mesmo período do ano anterior (1.948 km²). A área desmatada nesse intervalo é maior que o território da cidade de Palmas (TO). Embora ainda abaixo de períodos anteriores — como os 5.552 km² registrados entre agosto de 2020 e março de 2021 — o dado recente revela uma tendência de alta mesmo em meses tipicamente chuvosos, como março, quando o desmatamento tende a ser menor.

A pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, chama atenção para esse fator: “Estamos em uma janela de tempo que pode permitir a reversão desse cenário. Por isso, é preciso agir com urgência, principalmente com foco em ações mais estratégicas para as áreas mais pressionadas”, afirmou.

O boletim também aponta que o desmatamento atingiu unidades de conservação e áreas de reforma agrária. O assentamento Rio Juma, no Amazonas, foi o mais afetado entre os analisados, com 14 km² de floresta suprimida. Já entre as áreas protegidas, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, no Pará, foi a que registrou maior perda, com 7 km² desmatados.

No ranking dos municípios com maiores índices de desmatamento, aparecem três cidades do Amazonas: Apuí, com 15 km²; Maués, com 11 km²; e Canutama, com 7 km².

Em contrapartida, a degradação florestal — provocada por queimadas e extração seletiva de madeira — apresentou queda significativa. Foram 206 km² degradados em março, contra 2.126 km² no mesmo mês de 2024, uma redução de 90%.

Ao Estadão, o Ministério do Meio Ambiente informou que os dados oficiais de monitoramento dos alertas de desmate em tempo real e da degradação florestal são fornecidos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. De acordo com a pasta, no mesmo período analisado — de agosto de 2024 a março de 2025 — houve uma queda de 9,7% nas áreas sob alerta de desmatamento em comparação ao intervalo anterior, de agosto de 2023 a março de 2024.

O levantamento do Imazon ocorre em um momento em que os estados amazônicos se preparam para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro de 2025 em Belém (PA). A proximidade do evento internacional amplia a visibilidade sobre os indicadores ambientais da região, incluindo os desafios relacionados ao controle do desmatamento em estados que concentram grande parte da floresta amazônica.

O compromisso de zerar o desmatamento ilegal em todos os biomas brasileiros até 2030, reiterado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integra a Meta 15 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) assumidos internacionalmente pelo Brasil. A meta prevê, entre outros pontos, a gestão sustentável das florestas, o combate à desertificação, a interrupção da perda de biodiversidade e a recuperação de ecossistemas degradados.

*Com informações do IMAZON e do ESTADÃO

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