Maria do Carmo nega participação em vídeo com filha de Omar, reconhece derrota e diz que não aceitará “abuso político”

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A ex-candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL) afirmou nesta sexta-feira (31) que não teve conhecimento nem autorizou a produção de material eleitoral que utilizou a imagem da filha menor de idade do governador eleito Omar Aziz (PSD) durante a campanha. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela reconheceu a derrota nas urnas, manifestou solidariedade à família do adversário e disse que eventuais responsáveis por irregularidades devem ser identificados e punidos.

O pronunciamento ocorre seis dias depois do segundo turno e em meio aos desdobramentos policiais e judiciais do caso. Na quinta-feira (29), a Polícia Civil do Amazonas cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a pessoas que trabalharam na campanha de Maria do Carmo. As diligências ocorreram em Manaus e São Paulo e fazem parte da investigação sobre a produção e circulação de conteúdos contra Omar e familiares durante a disputa eleitoral. Não houve mandados de prisão.

Leia também: Roberto Cidade e Omar Aziz alinham transição com foco na transparência

No vídeo divulgado nesta sexta, Maria do Carmo começa pedindo desculpas pela demora em se manifestar após as eleições e agradece aos mais de 800 mil eleitores que votaram nela.

“O resultado das urnas foi conhecido e eu, obviamente, o respeito”, afirmou.

A candidata derrotada disse que, nos dias posteriores à eleição, tomou conhecimento de acusações contra sua campanha relacionadas a fatos que, segundo ela, desconhecia e que ainda estão sendo apurados.

Maria do Carmo também afirmou ter sido informada sobre diligências policiais que poderiam alcançá-la e outras pessoas. Advogada, disse que passou a exercer seu direito de defesa e que seus representantes jurídicos estão acompanhando o caso.

“Jamais patrocinaria qualquer tipo de ataque contra sua família”

O ponto central do pronunciamento foi a negativa de envolvimento de Maria do Carmo na produção ou autorização de ataques contra a família de Omar.

A ex-candidata reconheceu que fez críticas duras ao adversário enquanto homem público e afirmou que pretende continuar fazendo questionamentos como cidadã. Disse, porém, estabelecer uma separação entre a atuação política de Omar e sua família.

“Quero que saibam que eu não patrocinei e jamais patrocinaria qualquer tipo de ataque contra sua família, especialmente sua filha”, declarou.

Maria do Carmo afirmou ser mãe e avó de nove netos e defendeu que familiares sejam preservados das disputas políticas.

Ela também argumentou que um candidato não possui controle pessoal sobre todo o conteúdo produzido ou compartilhado em seu favor, especialmente nas redes sociais.

“Se houve algum material irregular, ele não passou pelo meu conhecimento e muito menos pela minha concordância”, afirmou.

Maria do Carmo manifestou ainda “irrestrita solidariedade” a Omar, à esposa e aos filhos do governador eleito e disse esperar que as denúncias sejam apuradas e eventuais responsáveis, punidos.

Omar anunciou pedido de prisão após vitória

O pronunciamento responde diretamente a um dos momentos mais tensos do pós-eleição.

Na noite de domingo (25), após ser eleito governador do Amazonas, Omar afirmou em entrevista coletiva que pediria à Justiça a prisão de Maria do Carmo e de outras pessoas que responsabilizou pela divulgação de material envolvendo sua filha menor de idade.

Omar alegou possível violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e disse que não aceitaria que a filha fosse envolvida na disputa política. Na ocasião, afirmou que seus advogados buscariam a responsabilização dos envolvidos mesmo depois de encerrada a eleição. Até aquele momento, tratava-se de um anúncio feito pelo governador eleito, e não de uma ordem judicial de prisão.

A controvérsia envolve um vídeo que circulou durante a campanha eleitoral com a imagem da filha adolescente de Omar em meio a acusações dirigidas ao então candidato. O material motivou uma notícia-crime e passou a ser investigado pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

Polícia fez buscas em Manaus e São Paulo

A investigação avançou nesta semana. Na quinta-feira (29), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a pessoas que participaram da campanha de Maria do Carmo.

As diligências ocorreram em Manaus e São Paulo e buscavam elementos relacionados à produção e à circulação dos conteúdos investigados. A apuração é conduzida pela Depca e tem entre seus pontos centrais o uso da imagem da filha menor de idade de Omar no material eleitoral.

Não houve cumprimento de mandados de prisão na operação.

Nesta sexta-feira, a investigação teve ainda um novo desdobramento judicial. Uma decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas suspendeu uma ordem de busca e apreensão contra Maria do Carmo e o acesso aos dados de seus dispositivos eletrônicos. A decisão foi concedida após recurso da defesa e não encerra a investigação.

Maria do Carmo diz estar “absolutamente tranquila”

No pronunciamento, Maria do Carmo afirmou que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e que seus advogados atuam pelos meios legais.

“Tenho plena certeza de que os fatos serão apurados com equilíbrio e com respeito ao devido processo legal. Por isso estou absolutamente tranquila”, disse.

A ex-candidata também procurou se distanciar antecipadamente de eventuais irregularidades que venham a ser atribuídas a integrantes de sua equipe.

“Qualquer erro de qualquer pessoa que tenha trabalhado na minha campanha não receberá minha concordância jamais”, afirmou.

Ao mesmo tempo, disse que não aceitará ser responsabilizada por algo que sustenta não ter feito.

“Sempre estive e estarei sempre à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos, mas não aceitarei nenhum tipo de abuso político e nenhuma tentativa de atingir a minha imagem por algo que eu não fiz.”

Maria do Carmo também lembrou que, durante a disputa eleitoral, sua atuação profissional, a instituição de ensino que construiu e sua família foram alvos de questionamentos e ataques. Segundo ela, enfrentará as acusações atuais com a mesma serenidade.

Reconhece resultado e manda recado sobre vitória e derrota

A manifestação também marca uma mudança de tom em relação à disputa eleitoral. Maria do Carmo reconheceu expressamente o resultado das urnas e agradeceu aos mais de 800 mil eleitores que apoiaram sua candidatura.

Omar derrotou Maria do Carmo no segundo turno realizado no domingo (25) e assumirá o Governo do Amazonas em janeiro de 2027.

Ao final do vídeo, a ex-candidata afirmou continuar acreditando na política e na Justiça e fez uma referência indireta ao ambiente criado após o encerramento da eleição.

“Reconhecer o resultado das urnas faz parte da democracia. Saber perder exige maturidade. Saber vencer exige grandeza”, declarou.

As responsabilidades pela produção e divulgação do material investigado ainda estão sob apuração. Maria do Carmo nega conhecimento ou autorização prévia e afirma que não concordará com qualquer irregularidade eventualmente praticada por pessoas que tenham trabalhado em sua campanha.

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