SES afasta temporariamente médica após professora denunciar perseguição política em UPA de Manaus

A médica identificada como Marilene Maia Rios, denunciada pela professora Helma Sampaio por perseguição política durante atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) José Rodrigues, em Manaus, será afastada temporariamente das funções até que o episódio seja apurado. A informação foi confirmada nesta terça-feira (27) pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).

Leia também: Professora denuncia médica por perseguição política após revelar voto em Lula durante atendimento em UPA de Manaus

Em nota, a Secretaria informou que ainda não foi formalmente notificada sobre o caso. Apesar disso, a direção da unidade decidiu afastar a profissional citada pela professora enquanto sua conduta é avaliada.

“A direção da unidade informou que a profissional citada será temporariamente afastada de suas funções até a conclusão da apuração e da avaliação de sua conduta”, informou a SES-AM.

A pasta também afirmou considerar “inadmissível qualquer conduta” que viole os princípios de ética, respeito e dignidade na relação entre profissionais de saúde e pacientes.

“A Secretaria informa que não compactua com esse tipo de conduta, considerada incompatível com os princípios éticos que devem nortear a atuação dos profissionais de saúde”, acrescentou.

Professora diz que atendimento mudou após revelar voto em Lula

O afastamento ocorre após Helma Sampaio, coordenadora administrativa do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus, tornar público um relato sobre o atendimento que recebeu na UPA José Rodrigues na segunda-feira (26).

Segundo Helma, ela procurou a unidade porque estava com a pressão arterial alterada. Durante a consulta, a médica teria perguntado o que poderia ter provocado o problema. A professora respondeu que acreditava que a ansiedade relacionada às eleições poderia ter contribuído.

De acordo com o relato, a médica  perguntou em quem a paciente havia votado. Helma respondeu que votou em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu lhe disse que eu tinha votado no Lula, e a partir daí a médica começou a querer me humilhar, com muita arrogância e dizendo palavras ofensivas ao candidato que ganhou as eleições”, afirmou a professora.

Helma relatou ainda que questionou a profissional sobre a continuidade da consulta e perguntou se ela era médica. Segundo a professora, recebeu como resposta: “Não, sou faxineira”.

A paciente afirma que decidiu interromper o atendimento e que, a partir daquele momento, teve início uma discussão. De acordo com sua versão, a médica passou a acusá-la de tê-la chamado de “faxineira”, o que Helma nega.

Helma também afirmou ter fotografado a médica durante o episódio e disse que a profissional ameaçou quebrar seu celular.

Segundo a professora, a situação agravou o quadro que a havia levado à unidade de saúde. “A minha pressão descontrolou mais ainda, eu entrei em estado de tremor no corpo todo”, relatou.

Ela afirma que recebeu auxílio de outros funcionários da UPA e posteriormente foi encaminhada para atendimento com outra médica.

Após deixar a unidade, Helma registrou boletim de ocorrência para relatar os fatos. Na manhã desta terça-feira, retornou à UPA para tentar apresentar uma carta à Ouvidoria, mas afirmou que não conseguiu falar com os responsáveis pelo setor naquele momento.

As circunstâncias descritas por Helma correspondem à versão apresentada por ela e ainda serão objeto de apuração. A SES-AM não apresentou, na nota, a versão da médica sobre o episódio.

SES orienta formalização da denúncia

Embora a direção tenha determinado o afastamento temporário, a Secretaria informou que a denúncia ainda precisa ser formalizada pelos canais institucionais.

A SES-AM orientou que casos envolvendo pacientes sejam apresentados à Ouvidoria do Estado para análise e adoção dos encaminhamentos previstos nos procedimentos internos.

A denúncia pode ser feita presencialmente na própria unidade de saúde ou na sede estadual da Ouvidoria. Também é possível utilizar o canal oficial Fala.BR⁠.

Para pedidos de acesso à informação, a população pode utilizar a plataforma Informa.BR⁠.

Com o afastamento, a médica permanecerá temporariamente fora das funções enquanto a direção apura o atendimento e avalia a conduta atribuída à profissional.

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